— Ei, Revisor! — chamou pela quinta vez o Flanelinha.
Não me restava outra opção, senão correr ou atender ao chamado. Como seria ridículo correr dele no meio da rua com o sol a pino, parei em posição de defesa.
— João Ubaldo? — perguntou ele.
— Como?
— É João Ubaldo o que você está lendo (convém explicar que caminho pela rua lendo e que não sei por que riem quando digo isso), não é?
Passado meu espanto, era mesmo João Ubaldo.
— Um brasileiro em Berlim. Esse eu não li. Pode me emprestar, quando acabar de ler?
— Po-po-posso, claro…
— Adoro ler. Adoro João Ubaldo. Leio muito. Podemos trocar uns livros depois.
Emprestei. Ele leu. Adorou. Devolveu no dia seguinte. A resenha dele? Melhor que a minha.



Além de encantadora, essa história é sensacional! E, nossa, ele leu rápido, hein?! Gosta mesmo de João Ubaldo.
Ah, e outro dia eu tentei ler caminhando… nem preciso te dizer que eu quase caí. :p
Beijo com carinho.
Uma delícia a história, Pablo.
Lembrou certa vez, tem um tempo já. Tem um Café onde costumo ir, eu estava ali lendo. Uma das atendentes chegou e fez algum comentário sobre o fato de ler com aquele barulho e entra-e-sai. E comentou que também adorava ler, pedindo alguma sugestão ou livro emprestado. Alguns dias depois, apareci com O Retrato de Dorian Gray, ela achou um pouco “formal” demais (também, falta de sensibilidade minha levar logo Wilde!), mas pediu mais. Foi uma surpresa tão boa o interesse dela e agora sua deliciosa história me fez lembrar disso. preciso levar outros…
Um abraço,
joice
Prefiro escrever e ler mensagens no celular enquanto caminho, mas leio livros, jornais ou revistas quando por algum motivo estou ansiosa pela leitura e preciso me deslocar ao mesmo tempo.
Tens vocação para narrador. Gosto da economia de palavras.
Em Pinheiros, na Pedroso, sempre vejo um mendigo coberto com a sujeira de tempos imemoriais escrevendo em blocos de papel. Ao lado, protegida sob o peso de uma pedra, a sua vasta produção. Não sei o que ele escreve, mas o raio do homem é produtivo. Preciso passar lá com a máquina fotográfica.
Adorei!
A cada vez que passo por aqui, sinto-me mais feliz por um dia ter chegado até o seu blogue.
Como é bom ler coisas “boas”, não?! rsrs
Também tenho essa mania de andar lendo (ou ler andando?)… sempre tenho um livro na bolsa, na mochila, na sacola… *hehehehe*
Bom fim de semana a todos!!!
Bjksss
Que história linda, Pablo!Tão bom achar “gente como a gente” que lê andando pela rua! beijos!
Pois é, Cássia, são muitos anos de treino para adquirir essa habilidade…


Bem lembrado, Joice. No meu primeiro emprego, ainda adolescente, em uma confeitaria, eu também aproveitava o tempo entre um cliente e outro para ler. Quem sabe essa moça não vira revisora daqui a alguns anos!? Continue incentivando.
Obrigado, Fabiana. Vou tentar praticar um pouco mais a narração.
E o moço deve ter muita história para contar, também, Rick. Talvez devesse passar lá com uma máquina e um gravador.
Vocês também lêem caminhando? Assim me sinto até um pouco menos louco.
Muito obrigado a todos pela visita, pelos comentários e pelos elogios. Um grande abraço.
Espetacular rs.
Estou adorando ler seu blogue (prefiro “blog” rsrs). Passarei sempre por aqui. Quantas dicas interessantes!
Ps: Também caminho pela rua lendo.
O Beiradao… A meu ver um dos melhores livros sobre o período da borracha. Vale a pena ler. Abraços!
Muito obrigado pelas visitas e pelos comentários, Vidal. Quando acabar de ler o Beiradão, venho contar minhas impressões.
Pablo, meu velho. Está me saindo um excelente cronista [ou contista ou mini-romancista etc.]. Já enviei o link pra uma pá de gente e vc sabe que não costumo fazer indicações toda hora. Um forte abraço pra você, cara.
Muito obrigado, Tom. Quem sabe um dia você me publica…
Obrigado mesmo!
[...] emprestado pelo Edu, que segue refém até ele me devolver o que me deve; a obra que me emprestou o flanelinha; e, enfim, a vítima, grande clássico de nossas Letras, que sustentará todo esse [...]
[...] sempre com um livro sob o braço (e uma caneta vermelha no bolso). Às vezes, leio no caminho. Em outras ocasiões, paro sob uma [...]