
Jardim de livros
Samuel ibn Tibbon
Deixe as estantes de livros e suas prateleiras serem seus jardins e seu espaço de prazer. Colha as frutas que aí crescem, junte as rosas, as especiarias e a mirra.

Jardim de livros
Samuel ibn Tibbon
Deixe as estantes de livros e suas prateleiras serem seus jardins e seu espaço de prazer. Colha as frutas que aí crescem, junte as rosas, as especiarias e a mirra.
O Tradutor Profissional pergunta se vale a pena trabalhar direito, mesmo recebendo pouco. Ele lembra a história daquele cozinheiro de restaurante que, por ser mal pago, cuspia na comida. (…) O infeliz que comia no restaurante, coitado (…), comia comida com cuspe. E quem come a nossa comida não é nem a agência nem o cliente da agência, mas sim o leitor.
Faço minhas suas palavras. Não somos obrigados a consentir com o valor e o prazo do cliente. Não precisamos sequer aceitar o trabalho que nos oferece. Já que decidi revisar, que faça bem-feito e entregue em dia.
Quando alguém contrata um revisor, está interessado em qualidade. Revisar com excelência é questão de respeito (ao cliente, ao leitor, ao colega de profissão). Se isso não fosse motivo suficiente para caprichar: não há melhor forma de divulgar seu trabalho que revisar com perfeição.
Sou um entusiasmado seguidor desta filosofia (e de outras) de Marx (o Julius Henry, que o vulgo denomina Groucho). A citação vem de um ótimo artigo do André Gazola.
Televisão Educativa
Groucho Marx
O único Nobel de Literatura de nossa língua virou filme. Isso você possivelmente já sabe. O que talvez não saiba é o que se vê quando uma câmera está apontada para o lugar certo na hora certa.
Duvido você não engasgar.
No vídeo (mais um que vem da Renata por indicação da Cássia, aproveitando o momento multimodal do blogue), Saramago acaba de assistir à estréia do filme ao lado do diretor Fernando Meirelles.
Em meus quase longínquos anos de faculdade, tive uma única professora que incentivasse o letrando a enveredar para a revisão de textos (a regra era o estímulo à pesquisa científica e à docência). Muitos dos que nos tornamos revisores devemos gratidão à polêmica professora Wânia Aragão.
Receitava-nos doses cavalares diárias de dez verbetes do Dicionário de questões vernáculas, de Napoleão Mendes de Almeida (a quem deu a carinhosa alcunha de Popô).
Ele é controverso, é extremista, é inflexível. A revisão não é boa. Sua grande virtude era ser um combatente em favor da língua portuguesa, da correção. Para usar as marcantes palavras da professora, Popô é um grande formador de atitude (como ela própria o é).
Recomendo-lhe doses homeopáticas e bastante críticas de um ou dois verbetes diários.
De certo tempo para cá a última flor do Lácio vem-se transformando no Brasil em última escória do latim. Da borra lingüística resultante da expansão mais do que da decadência do império romano, borra que se depositou no fundo do tacho da península ibérica, duas línguas ainda se formaram e chegaram com os séculos a ter gramáticas.
Napoleão Mendes de Almeida
Há momentos em que o melhor é ficar quieto e nem tentar explicar, pois o que era ruim pode ficar ainda pior.
Papo Furado (sem hífen, a contragosto)
Rafinha Bastos e Marcelo Mansfield
O vídeo vem direto, mas com escala, do blogue sem nome da Renata Miloni.
Quem não viu, vai ver. Mãe na livraria, pai cochilando, irmão ao telefone. Tive de almoçar sozinho. Não exatamente sozinho, mas com a desagradável companhia da tevê.
Passava um programa horrível. O que é muito ruim, porém, também nos atrai a atenção. A apresentadora tem uma carreira brilhante: surgiu na Banheira do Gugu, passou por filme do Didi e agora faz uma gloriosa dupla com o famosíssimo Caco (sabe quem é? Nem eu). O programa distribui gordos prêmios, que variam entre 50 e 200 reais (não, não são 200 mil), a empolgados telespectadores.
E você já viu o que nós temos a ver com isso? Quem não viu, vai ver. Você já viu vírgula entre sujeito e predicado? Quem não viu está vendo. Cadê o Revisor?
Conheço excelentes revisores graduados em Letras. Bacharéis em Língua Portuguesa? Não necessariamente. Licenciados em Francês, bacharéis em Tradução, licenciados em Português do Brasil como Segunda Língua. Conheço exímios revisores formados em Comunicação Social: jornalistas, publicitários, editoradores. Conheço mesmo notáveis revisores que sequer têm formação superior.
E qual é, afinal, o curso ideal para o revisor? O Bacharelado em Língua Portuguesa é, em tese, a formação mais específica para a revisão de textos. Não é a única. Não é necessariamente a melhor. É tão-somente a mais específica.
Não é o curso superior que faz o revisor. Nem é ele que faz o bom revisor. O revisor faz a si mesmo. As informações existem, mas estão espalhadas. Cabe a nós buscá-las e uni-las.
Também estou arrasada com o fim do trema. O pingüim vai virar o quê, coitadinho? Uma gotícula que caiu…
Ainda que muitas vezes a própria imprensa não o faça por merecer, celebrou-se na última semana o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Aqui temos parte do discurso considerado grande marco na luta em prol dessa liberdade no mundo ocidental.
Areopagítica
John Milton
Matar um homem pode ser até melhor que matar um bom livro. Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita à imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus como no olho. Muitos homens não passam de um fardo sobre a Terra. Mas um bom livro é o precioso sangue do espírito superior, conservado e guardado com vistas a uma vida para além da vida.
Não foi na faculdade que ouvi falar de revisão. Não foi lá que revisei meu primeiro texto (nem o milésimo primeiro). Não foi lá que conheci revisores. Não foi lá que aprendi a revisar. Não foi na universidade que me formei revisor de textos.
Não, não escolhi o curso errado. Não o subaproveitei. Não escolhi uma má faculdade (tive bons professores). Mas não foi mesmo lá que me tornei revisor de textos.
Com essas afirmações (negações, melhor dito), tento começar a responder a uma série de perguntas da Gleicienne (permita-me a indiscrição), que estuda Letras em Minas Gerais. Ela, como grande parte dos estudantes que vislumbram tornar-se revisores, sente-se inquieta com a incerteza de seu futuro na profissão.
Estes mandamentos foram elaborados pelo Tom e estão na parede de seu escritório. Servem para todos os revisores. Ponha-os na parede de seu local de trabalho.
Faça apenas alterações que você possa justificar.
Só altere se for realmente necessário.
E acrescento o mais batido dos mandamentos.
O cliente tem sempre razão.
Este simpático poema vem da longínqua Juazeiro de Ubiqüera (com trema) e foi encontrado no Só mais um blog…, que, como nós, promove uma cruzada pela manutenção do trema.
Poema do Trema
Iracema Serafim
Os países de língua portuguesa
tramam um oculto ataque
realizarão, com certeza
à minha língua um achaque
Querem roubar o trema
como se trouxessem melhora
mas só vão trazer problema
se ele se for embora
Quem não assinou a reforma
foi o grande Portugal
Querem mudar de qualquer forma
e vão fazer um grande mal
Sacar do “U” o trema
é como tirar do ovo a gema
ou o canto da seriema
Deixem a língua quieta
não tirem o charme que resta
a única coisa que presta
Suprimam do hiato o agudo acento
ou da paroxítona o sinal
mas se tiram o trema não agüento
É o juízo final!
Não fique afoito,
não tema
tem até 2008
para usar o trema
E mesmo que proibido
vou usá-lo mesmo assim
Ou faço isso ou não me chamo
Iracema Serafim