Pablo Vilela

Ponto e Aspas

In Dica do Mês on 2 de junho de 2008 at 6:01 am

É uma das dúvidas mais freqüentes entre escritores, redatores, revisores. Afinal, as aspas fecham antes ou depois do ponto?

A questão é matemática. A gramática, acredite, é lógica. Se o sinal de pontuação (ponto final, de interrogação, vírgula, dois-pontos) pertence ao trecho entre aspas, o ponto fica dentro das aspas. Se não pertence, fica fora. Analisando seu texto com cuidado, você saberá onde as aspas terminam.

A mesma lógica vale para a relação entre a pontuação e o asterisco (ou número sobrescrito) usado na chamada da nota de rodapé: se o ponto pertence à citação…

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  1. Èéééé… mas tem o padrão das editoras. Uma delas aqui em SP pede para que, depois dos dois-pontos, se a citação começar em Ab, as aspas vão para depois da pontuação final.
    Umas pedem remissão a rodapé sempre depois do ponto. Outras antes… E haja cabeça pra gravar tanto padrão diferente!

  2. Aí entra aquele mandamento, lembra? O cliente tem sempre razão (mesmo quando não tem razão).

  3. Sempre vejo esses padrões como problema quando se trata de citação. Como saber se no original aquela frase finaliza como está citada no texto? Quando escrevemos nosso texto, é possível seguir a lógica, mas e quando revisamos? A ABNT deixa brechas em seus padrões para aspas em citações…

    Um abraço.
    Gosto muito desse espaço aqui.
    Jakeline.

  4. Nesse caso, Jakeline, se não tiver acesso ao original e se a lógica não permitir dedução, o jeito é confiar que o autor do texto tenha feito a coisa certa e deixar como está. Não convém se arriscar a tornar errado o que estava certo.
    Quanto à ABNT, bem, essa é uma longa história.
    E eu gosto muito da visita e dos comentários de vocês. :-D

  5. Pela lógica teríamos algo como:

    Blá, blá, blá e fulano disse: “Lá, lá, lá, lê e lê.”.

    Não?

  6. Sim, mas um ponto vale pelo outro. É o mesmo que acontece com o ponto das abreviaturas, que já vale como ponto final (do etc., por exemplo). Mas, se alguém disser isso que você pôs entre aspas, é melhor procurar um psicólogo. :lol:

  7. É daquelas situações não tão complicadas, as pessoas é que complicam. Se cada um tem um padrão, apesar de a regra ser relativamente simples se fosse usada por todos, cabe a nós a adaptação, que pode ser bem difícil, principalmente se o cliente não deixar claro seu padrão e achar que nós somos obrigados a conhecê-lo, mesmo sendo diferente de tudo. Beijos!

  8. Nem fala, Laís! Nem fala!

  9. Pablo,

    o que você disse tem lógica.

    E isso me basta, em que pesem as opiniões em contrário.

    Abraços, flores, estrelas..

  10. Platão, que era prático,já foi logo colocando sua plaquinha na entrada de sua escola: Pra entrá aqui, o cabra tem que manjá de geometria e música.

    A questão tem a seguinte basicalidade: há mais matemática nas letras que letras na matemática. Daí seu caráter quase que universal e demiúrgo.

    Aproveitando a praticidade dos milagrêros de plantão, gostaria de já depositá aqui as minhas dúvidas.

    O caso é que algumas coisas me dão até alergia. E aí? O monsenhor Othon Garcia resolveu dizer que “a ausência de gramaticalidade significa a ausência de inteligibilidade” (desafio os compadres e comadres a repetirem isso três vezes como exercício fonoaudiológico).

    Já que as palavras devem estar devidamente comportadas e educadas, me ajudem a educá-las, vcs que são mestres no ofício. O que fazer com a pontuação em casos como:

    1. Então resolvi perguntar: “Qual é o caso afinal?”. Afinal, já estava cansado de tudo aquilo.

    2. Ele limitou-se à seguinte resposta: “Sei não, mas acho que essa zica aí não vai dar em nada”. Razões não faltavam para ampará-lo.

    Manter como está?

  11. Gostei da sua explicação, Pablo. Bem prático.
    Em resumo:
    1) Ele até que ficou “comportado”.
    2) Eis como ele falou: “Sou comportado até debaixo d’água”.
    3) “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.”

    E quanto ao Sidnei, acho que é exatamente como ele escreveu. Até mesmo quanto ao ponto de interrogação seguido de aspas e de ponto final.

    1. Então resolvi perguntar: “Qual é o caso afinal?”. Afinal, já estava cansado de tudo aquilo.

    2. Ele limitou-se à seguinte resposta: “Sei não, mas acho que essa zica aí não vai dar em nada”. Razões não faltavam para ampará-lo.

    Parabéns pelo blog, Pablo

  12. Pronto, agora com os exemplos ficou melhor ainda. É exatamente isso. Muito obrigado.
    E, Sidnei, estou tentando há três dias repetir isso três vezes seguidas. Já consegui uma afta na ponta da língua.

  13. Se um ponto vale pelo outro, como o Pablo disse, os exemplos de número dois poderiam ficar da seguinte forma:

    2) Eis como ele falou: “Sou comportado até debaixo d’água.”

    2. Ele limitou-se à seguinte resposta: “Sei não, mas acho que essa zica aí não vai dar em nada.”

    Por que sim ou por que não?

  14. Pode ser, também. Aí a questão é de interpretação, Fabiana. Depende se você considera que o período é interrompido ou não pelos dois-pontos. Nesses casos eu costumo seguir a preferência do cliente.

  15. Adorei a discussão. Difícil encontrar uma troca de idéias inteligente assim.

    Segue a minha dúvida:

    “Aprendi na aula passada”, disse o aluno.
    ou
    “Aprendi na aula passada.”, disse o aluno.

    Grande abraço.

  16. A primeira opção é melhor, Marcelly, até para evitar a confusão de sinais de pontuação.

  17. Caros, sou recem chegada e trago logo uma questão. Em um dialoguinho, Fulano e Cicrano entendem-se e acertam pontinhos.

    – Cicrano, veja aqui – chama o colega para olhar o baú de pontos e vírgulas, adorno da cabeceira. – Olhe estes pontinhos. – Já pronta a encenação, Fulano ainda pergunta ao outro: – Acredita que estes pontos são colocados assim mesmo, antes e depois dos travessões?

    Os dois apreciam o cenário. Sobram pontos de lá e cá, faltam certezas. Enfim, Cicrano fala.

    – Fulano, sinceramente – decidido, – é assim que tenho visto os escritores usar pontos e vírgulas entermeando diálogos. O texto ora escapa ora adentra o travessão. – Neste instante perceberam – Façamos assim: podemos propor ao Cadê o revisor? uma variação, que resolva ou, ao menos, que esclareça o problema. Desde já parece que falta abertura de novos parágrafos… Você acha o quê?

  18. Eu concordo com você, Mônica. Se eu escrevesse um diálogo, provavelmente faria como você. A questão é que, em geral, escritores (sobretudo os consagrados) têm o direito de tomar certas liberdades. Veja o caso do Saramago, que, além de deixar o diálogo todo no mesmo parágrafo, não usa travessões, mas vírgulas.
    A propósito, adorei sua forma de expor o problema.

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