No Dia Nacional da Língua Portuguesa, lembremo-nos de cuidar muito bem de nossa língua.
Degeneração
Rui Barbosa
A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua.
No Dia Nacional da Língua Portuguesa, lembremo-nos de cuidar muito bem de nossa língua.
Degeneração
Rui Barbosa
A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua.
Há quem defenda a inutilidade das regras. O que seria da língua portuguesa se as normas não existissem?
Teríamos milhares de dialetos. Para comprar pão, você usaria uma língua crioula. Teria dificuldade em conversar com os colegas de trabalho. O preconceito com dialetos menos prestigiados seria enorme.
Voltaríamos a ter tribos, quiçá.
Palavras (e silêncios) retiradas das Palavras e Entrelinhas.
Silêncio
Tristão de Ataíde
O silêncio não é a negação da palavra, como a palavra não é tampouco a negação do silêncio. Há silêncios eloquentes, como palavras vãs.
Deve ser a mais consumida obra de revisão. Carrega diversos tópicos interessantes. Lastimável que tenha tantos problemas, acredite, de revisão. O mais grave? Errar o nome do próprio livro na Apresentação.
A leitura é importante, ainda que pela crítica.
Um livro bem revisado dá gosto de ler, mesmo que as páginas estejam amareladas, manchadas, mesmo que a ortografia já tenha mudado umas duas ou três vezes desde que o livro foi impresso.
Luiz Roberto Malta
Não só o jornalista. Você que vive do texto tem obrigação de dominar seu principal instrumento de trabalho: a língua.
Recomendação
Lembre-se de votar nas enquetes e de avaliar os artigos.
Revisor tem o dever de acertar, mas revisor erra. Várias razões levam ao erro.
Erro descoberto. O que fazer? O impulso imediato é não cobrar. Esqueça. Serviço feito, serviço pago.
Desculpe-se, refaça, tente melhorar. O cliente pode dispensá-lo. Haverá outros.
Tão logo você doa o primeiro trabalho errado, seu cliente torna-se um exímio caçador de erros. Terá, assim, um revisor escravo a seu dispor.
Do jogo de videogame Broken Sword (de Charles Cecil), uma aventura inspirada na história dos templários. A fotógrafa que protagoniza a cena lamenta o excesso de trabalho.
Falta de Tempo
Nicole Collard
Não tenho oportunidade de ler nem metade dos livros que possuo. Não sei por que os continuo comprando.
Eu disse que o pior estaria por vir.
A capa do livro é a parte mais aparente. Errar ali é vexatório.
O alfabeto mudou. Fez-se a confusão. O Rodrigo DnQ percebeu. A Academia, não.
Os confusos imortais seguem perguntando: Cadê o Revisor?
O que fazer em uma agradável noite de primavera?
Nas redondezas de Lisboa, uma biblioteca levou a criançada para ouvir histórias, ler e dormir no meio dos livros. A atividade continuou no dia seguinte, com café da manhã e mais livros.
Você pode fazer o mesmo na biblioteca mais próxima, ou mesmo na sua casa.
Nós revisores temos uma verdadeira admiração e respeito à língua portuguesa, nossa pátria. (…) É amor à língua portuguesa. Um amor sem limites e sem fronteiras.
Quase um ano se passou. Você já pensava que ele não mais viria. Mas chegou. A desenvolvedora chama-o revisor de texto. Continua sendo um mero verificador ortográfico. De acordo, agora, com a nova norma.
A atualização está na página oficial. Os pacotes de serviços precisam estar em dia. Na dúvida, consulte um especialista.
Publicitária de formação, Cássia dedica-se hoje à revisão, ao copidesque, ao ballet clássico e a seus blogues, primando pelo cuidado e afeto em todas as atividades que desempenha.
Que gênero de texto você revisa com maior frequência?
Livros, basicamente. Em especial acadêmicos, técnicos e de ficção. Também reviso material publicitário, mas com menor frequência.
E isso é uma escolha ou uma eventualidade?
Escolha. Quando decidi trabalhar em revisão de textos, minha preferência era pelos livros. Mas, até pela minha formação, comecei na área publicitária. Fui indicada para um trabalho freelance em uma agência, depois trabalhei durante um ano em outra e pedi demissão, porque realmente queria trabalhar de outra maneira. Revisei um livro, depois me indicaram para revisar outro e assim foi.
Caso precise revisar outro gênero, há alguma dificuldade ou impedimento?
Não, nenhum. Tenho experiência nas áreas publicitária e acadêmica, porque também já revisei trabalhos de conclusão de curso e afins. Sei que cada gênero tem a sua especificidade.
Você teve alguma dificuldade para implantar as novas regras no seu trabalho? Que melhorias elas trouxeram?
De maneira geral, o acordo não trouxe melhoria alguma. Hoje as pessoas confundem muito mais, não é raro encontrar textos com as novas regras misturadas às antigas. Além disso, há um grande volume de trabalho apenas para adequar os livros já lançados. A dificuldade que tive para implementá-lo na minha rotina aconteceu no começo: algumas editoras já queriam os livros segundo o novo acordo, outras preferiram esperar os primeiros meses. Assim, eu tinha de “ligar e desligar o botão do acordo ortográfico”, dependendo do trabalho.
E isso chega a causar algum transtorno? Ou é simplesmente um item a mais na sua rotina de trabalho?
Hoje, é apenas mais um item. As novas regras já deixaram de ser novas para mim.
E nas horas vagas, o que você gosta de fazer?
Eu faço aulas de ballet clássico, assisto a várias séries de televisão, mantenho dois blogues, leio e também saio de vez em quando.
Então, mesmo depois de horas lendo a trabalho, você ainda lê para relaxar?
Leio, mas bem menos do que eu gostaria, justamente para descansar um pouco. É difícil ler muito depois de revisar tanto.
E você consegue ler um romance sem procurar erros?
Não, impossível. Mas eu sou solidária ao revisor. Quando encontro um erro, eu penso: “poderia ter sido eu”.
Então você acha que o revisor pode errar?
Não, não pode, mas erra. É humanamente impossível que um revisor passe pela profissão sem ter deixado escapar um erro sequer. E será justamente ele que nos atormentará: podemos deixar um livro de 500 páginas impecável, mas nos lembraremos daquele erro.
E como você lida com esses eventuais erros?
No início da carreira, eu me sentia a pior das revisoras. Pensei em desistir da profissão, porque não queria lidar com essa frustração. Hoje, eu me sinto mal por pouco tempo, mas também não me justifico. Errei? Assumo a responsabilidade e paciência.
A dança me ajudou muito nisso. O ballet clássico é a dança da perfeição. A revisão é a profissão da perfeição. Antes eu levava a revisora para o ballet: ficava frustradíssima quando os passos não saíam da melhor maneira. Até que eu entendi que a beleza de uma coreografia está no todo, e não diminui com um passo em falso. Aprendi a levar a bailarina para a revisão: se eu errei, um único erro não comprometerá a grandeza do texto.
Por último, quando pensa em crescimento profissional, o que lhe vem à mente?
Eu penso em reconhecimento da profissão traduzido em aumento dos valores pagos. Na área editorial, trabalha-se muito, paga-se pouco e isso acaba refletindo na qualidade do trabalho. Quero, de verdade, trabalhar com um prazo adequado, ganhando um valor justo, sem que eu tenha de fazer malabarismos para ganhar bem.
Se você já publicou, é possível que tenha sofrido com isto.
Demétrio Sena
Tarefa ingrata a de vender livros. Porque livros não enchem panças. Não são fritos, não passam por churrasqueiras nem têm cobertura de chocolate. Da mesma forma, não levam marcas (…) que o mercado consagrou, conseguindo massificá-las.
De férias na praia, Magda responde ao cadastro de turista. Nome, endereço, telefone, CPF, RG. Profissão?
Revisora.
Passado o minuto de absoluto assombro, o recepcionista pergunta: revisora?
Sim, revisora.
Mas você não parece ter força para trocar pneu.
A pintura e o texto vêm do Galeno, que sempre nos brinda com muito bom gosto.
Luiz Puntel
Quando estamos lendo, também somos relidos pelo livro. E é nessa releitura que a obra nos leva a questionar sobre nós e sobre os acontecimentos que nos cercam.
Dizem que o salário do revisor publicitário é melhor que o de outros revisores. Talvez seja verdade.
Esse pode ser um grande motivo para você investir na publicidade, em vez de continuar ganhando pouco na editora em que trabalha.
Você se dispõe a trocar a festa de sexta-feira e o fim de semana em família por muito trabalho? Se isso acontecer toda semana, você não vai se importar, certo?
Errado? Então fuja das agências de publicidade.
Há quem chegue aqui em busca de redação de monografia.
O Código Penal é claro. Pratica crime quem atribui a si ou a terceiro falsa identidade para obter vantagem.
Mas não se preocupe. A detenção é de até um ano, apenas o suficiente para você repensar seus atos.
O tema volta à tona. Se você pode simplificar, por que complicar?
Critérios muito rígidos acabam engessando o texto e fazendo a coisa soar estranha.
No fim, a forma fica esquisita e chama mais a atenção do que o conteúdo. O que é um desserviço. Sempre.
Muitos redatores alegam fugir às normas protegidos pela licença poética.
Para que lhe seja concedida tal licença, não é preciso, em primeiro lugar, ser poeta?
A advertência foi manuscrita no frontispício de um valioso tomo renascentista. Evite problemas. Devolva o livro alheio.
Cuidado
Autor Desconhecido (transcrição: L. S. Thompson)
O nome de meu senhor acima vês,
Cuida portanto para que não me roubes;
Pois, se o fizeres, sem demora
Teu pescoço… me pagará.
Olha para abaixo e verás
A figura da árvore da forca;
Cuida-te portanto em tempo,
Ou nesta árvore subirás.
Minha mãe já dizia. A sua também. Toda mãe diz, mas tem filho que não aprende.
Nada desabona a publicação de edições resumidas de dicionários. Os melhores do mundo têm resumo. Assumem. Carregam no nome a informação.
Aqui é diferente. Publicamos uma nova versão, muito resumida, com o mesmo nome da anterior. Assim é o novo Houaiss.
Está dito no prefácio. Deveria estar na capa.
Por ser esta nova obra mais breve que o Grande, procuramos nela primar pela regra do máximo de informações na forma mais contida e eficaz possível.
Mauro Villar
Você está na Cidade Maravilhosa e não sabe o que fazer no fim de semana? Vá ao bucólico Parque Lage curtir o Sebinho nas Canelas, a feira de troca de livros infantis promovida pelas Amigas da Pracinha. Aproveite para tomar um delicioso café da manhã no local.
Se não está no Rio, leve as crianças ao parque mais próximo, sentem-se sob uma árvore frondosa e leiam um bom livro.
Como conseguir o primeiro cliente? A dúvida é recorrente.
Poderia dar uma dúzia de sugestões. Prefiro ater-me a uma só: faça-se enxergar. Conte ao mundo que você revisa.
A partir daí, a qualidade de seu trabalho definirá a qualidade e a quantidade de seus clientes.
A seca castiga a Capital. Preocupados com isso (e com os neuróticos da gripe suína, que recomendam afogar-se), moveleiros buscam soluções para aproximar da água as pessoas.
A mais recente, encontrada pela Adriana, revoluciona o mercado mobiliário.
Cadê o Revisor? Foi tomar um copo de água.
Djegovsky indica-nos a série de artigos Não compre o novo Volp, do sempre perspicaz professor Cláudio Moreno.
Ébrios
Cláudio Moreno
Ébrios de tanta utopia, os neoconvertidos já enxergavam, ao longe, a luz celestial do futuro prometido: o Português seria finalmente unificado em todos os países lusófonos.
Uma colega revisora reclama: por mais que anuncie, não consigo mais de três ou quatro clientes simultâneos.
Tem sorte. Quanto mais clientes, maior a possibilidade de pedidos inconciliáveis.
Dois ou três bons clientes são preferíveis a uma dúzia de fontes de problemas.
Do grande amigo fundador da comunidade Revisores, em uma conversa informal sobre revisão.
Não adianta o negócio estar certo e quem ler suspeitar que está errado.
Não basta estar certo, tem de parecer certo.
Thiago Martins
Pode acontecer, mas a graça não será a mesma.
Laptop
Nunca conheci ninguém que se enrodilhasse em frente a uma lareira com um bom laptop.
Perguntaram-me o que penso a respeito de quem redige a monografia de outrem. Queriam saber também o que acho de quem contrata esse serviço.
A resposta óbvia: adoraria ver esses criminosos, ambos, enjaulados.
Extraído do prefácio de uma bela homenagem à língua portuguesa.
Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá
A palavra é o único mantimento. Podemos comer arroz, pão ou carne, mas sempre que engolimos qualquer uma dessas substâncias no fundo degustamos também a palavra substantiva. Letra a letra, sílaba a sílaba.
Meu pai diz que todos têm bom-senso, ainda que discordem entre si.
O Aurélio sempre teve bom senso. Ao Houaiss tampouco falta bom senso. Priberam também conta com o puro bom senso. Já Michaelis e Aulete, pobres, desconhecem o bom senso.
E o Volp, quem diria? Ele tem bom-senso.
Na guerra de hifens, siga o seu bom(-)senso.
De um interessante suspense bibliofílico.
Carlos Ruiz Zafón
Cada livro, cada tomo que está vendo aqui, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém desliza os olhos por suas páginas, seu espírito cresce e se fortalece.

Sem aviso e sem justificação, o provedor UOL eliminou uma de suas únicas utilidades: o dicionário virtual.
O objetivo talvez seja alavancar as vendas do mais novo Dicionário Houaiss. O estranho marketing tem-se propagado nos meios intelectuais.
Sem aviso e sem justificação, o Houaiss virtual voltou. Desatualizado, de acordo com o belo exemplo da ABL.
Há quarenta anos o homem pisou a Lua. Um dos maiores passos da humanidade. Você tem certeza disso?
O cético revisor André Basílio, por dever de ofício, analisou as fotografias da expedição. Encontrou várias incongruências. Tire suas próprias conclusões.
E Neil Armstrong, direto da Lua (ou dos estúdios de Hollywood), pergunta: Houston, Cadê o Revisor?
De uma das mais raras obras sobre nosso ofício. Publicada em 1967, em Fortaleza, berço de grandes revisores e da comunidade Revisores, de cinco anos recém-completos.
Desconfiança e Aptidão
Faria Guilherme
Os autores, na quase totalidade, não estão em dia com os princípios ortográficos vigentes (…); se cometeram erros de ordem gramatical ou técnica – por descuido os primeiros, por ignorância os segundos –, difícil e impossivelmente deles se aperceberão, por lhes faltarem a desconfiança e a aptidão de ordem gráfica, qualidades do revisor.
A Marcelly comenta nas enquetes (vote você também) que A queda do trema me pareceu muito natural. A maioria das pessoas que eu conheço não o utilizava.
Há poucos anos, a maioria desprezava o cinto de segurança. Poderiam tê-lo arrancado dos carros. Preferiram educar o povo, já que é tão útil. Usa-se hoje o cinto naturalmente.
O Vocabulário Ortográfico virtual continua indisponível. A Academia ainda desenvolve
.
Para apaziguar os ânimos, liberou uma grande errata da quinta edição, que prefere denominar correções e aditamentos, com a tola vergonha de confessar eu errei.
O ideal é imprimi-la e anexá-la a seu livro. Por via das dúvidas, evite colar.
A censura do cânone e a liberação do best-seller agitam a escola brasileira.
Minha prima de doze anos devora mil páginas nas férias. Isso não é prejudicial. É a melhor literatura? Talvez não. Por que não? Literatura é entretenimento.
Ademais, se o cânone prefere o calão, tem culpa o best-seller?
Inimigos
Saul Bellow
Há apenas um modo de derrotar o inimigo: escrever o melhor possível. Um bom livro é um argumento inegável.
Detesto praça de alimentação. Detesto passear com o prato de ração à caça de mesa.
Uso o livro para marcar lugar. Mas livros são invisíveis nesses antros. Grato por cuidar do livro. E procuro outra mesa.
Hoje foi diferente. Num segundo (escolher–pedir–pagar), o livro desaparece. Ninguém entra, ninguém sai! A moça ao lado acode: um senhor, preocupado, entregou-o na lanchonete.
Alívio. Um bibliófilo anônimo. Há desses ali.
Para alguma coisa eles haveriam de servir (pela falta de uma melhor, minha tradução é livre).
Erros Tipográficos
Os erros tipográficos são muito importantes para toda forma escrita. Dão ao leitor algo a procurar em vez de se distrair com a total falta de conteúdo de um texto.
Desde pequena, uma grande bibliófila. O Blog da Paulinha fez um ano. Parabéns! Eu ganhei uma delicada homenagem. Obrigado por me prestigiar.
E no blog fico a postar
Poemas e textos sobre magia, livros, mar…
Até Revisor vem comentar!
Obrigada por me prestigiar!
A biblioteca Brasiliana digital já funciona a pleno vapor. A cada dia ela tem mais novidades.
Se você não sabe do que estou falando, conheça esta maravilha com que Mindlin nos presenteou.
Se já conhece, saiba que invejo o robô que lê 4 mil livros por ano e entende 120 línguas.
A uma amiga seleta.
Desfrute
Louisa May Alcott
Bons livros, como bons amigos, são poucos e escolhidos; quanto mais seletos, mais podemos desfrutá-los.
A pergunta não veio de um leigo. Veio de quem já até revisou alguns textos.
Então, Pablo, além de revisar, você também trabalha?
O bom de conversas virtuais é a possibilidade de ignorar o interlocutor.
Na grande livraria, a garotinha deita-se de pernas para o ar. A cabeça repousa no ventre materno. Nas mãos, o acordo ortográfico. A mãe lê pacientemente e explica o que a pequena não compreende.
De aula de vogais a compêndio para bibliófilos mirins, as homenagens à língua, à palavra e ao livro enfeitam as prateleiras da seção infantil. Prova de que se pode amar o mundo das letras desde cedo.
O céu parece imenso quando voamos até o lugar onde nos sentimos bem vivos. Vamos batendo as asas até chegar à casa dos livros!
Brian Lies
O homem pergunta ao rato devorador de livros, no balcão do bar, que gosto eles têm.
Sam Savage
Caro amigo, considerando o abismo que separa as suas experiências das minhas, só consigo fazê-lo se aproximar um pouco desse sabor tão singular dizendo que os livros têm o mesmo gosto do cheiro do café.
Saía do shopping. Abordaram-me. Tem um trocado, tio? O receio fez-me recuar. Não trago carteira. E lancha como? Em casa, onde vocês deveriam estar a horas tais. É cedo, não podemos voltar. Entendo (pais exigentes). Qual seu trabalho?
Entenderiam que sou revisor de textos?
Trabalho com livros. Olhos brilham. Pode nos dar um livro (sugerem o personagem violento da moda), em vez de dinheiro. Dou um livro decente. Poesia, tio! Ótima escolha. Um não, um para cada. Fechado. Mas não demore, tio. Não demorei.
Talvez você já tenha passado por isto. Jamais escreva recados no meio do texto.
O clássico exemplo de cochilo generalizado voltou a chamar a atenção pela adequação à nova ortografia.

A pobre Dona Laura até hoje pergunta para sua nora Cadê o Revisor?
Até o próximo fim de semana, realiza-se no Rio de Janeiro o Salão do Livro para Crianças e Adolescentes.
É uma enorme oportunidade para os pequenos largarem a televisão e o computador e fazerem algo mais útil.
O que você está esperando para levar seu filho, aluno, neto, sobrinho, ou o filho do vizinho?
Aristides fez-nos o obséquio de enviar a matéria que incentiva o bico de revisor.
O desconhecimento do articulista é evidente. O descaso com a profissão, lamentável.
Se tivesse uma boa formação intelectual, eu aproveitaria os horários de folga e escreveria para uma emissora de rádio. Isso costuma dar bons resultados.
No tempo em que leite se vendia em sacos, encontravam-se neles bons ensinamentos. O tempo passou e o Galeno mostra que a Jussara recuperou a tradição.
Leite enriquecido
Jussara
A leitura de um livro, jornal ou revista enriquece a nossa vida. Ao ler, colocamos nossos sentimentos, memória, imaginação e inteligência em ação. Para aproveitar bem a leitura, procure um local iluminado e tranquilo, pela manhã, quando o cérebro está descansado.
Em óbvio momento de insanidade, acabaram com o latim nas escolas. Hoje sofremos com a crescente ignorância sobre nossa própria língua.
Por que estudar latim?
Charlotte Higgins
Qualquer outro idioma – e não apenas espanhol, italiano, português, mas alemão, russo, árabe – torna-se mais fácil para uma criança com uma fundamentação em latim. Um aluno pode usar o latim para agarrar os ossos e nervos de qualquer idioma.

Quando criança, perguntei em vão o significado de uma palavra.
Meu pai, maior inspiração para tornar-me revisor, é engenheiro. Não mo respondeu. Limitou-se a apontar o indicador para o velho Aurélio.
Vendo que eu mal entendera, replicou: se lho respondo, logo o esquecerá. Se busca suas próprias respostas, lembra-se por mais tempo e saberá sempre onde e como as encontrar.
Existe vida além da revisão.
Em meia hora (dividida por limitação de armazenagem), o amigo Ari fala de literatura, música, língua, religião, história, ortografia, vida. Fala até de revisão de textos.
O hífen sempre deu trabalho. Hoje é o maior transtorno para quem lida com a língua portuguesa.

Mas quem diria que ele causaria problema em sua própria escrita? O hífen está tirando todo mundo do prumo. Cadê o Revisor?
Diante da algazarra dos alunos, como a professora do ensino fundamental consegue transmitir seus ensinamentos?
Aula barulhenta
Professora Sandra
O cemitério é um bom lugar para você ter silêncio. E não tem aprendizado nenhum.
Você não admite ler no computador? Não sabe como alguém lê na tela do celular (eu tampouco)? Nega-se a comprar um livro eletrônico? Seus problemas acabaram.
Chegou o Smell of Books. Literalmente, Cheiro de Livros, o aromatizante com odor de livro novo. Feche os olhos e pense que está lendo um livro de verdade. Disponível em várias fragrâncias.
A discussão era sobre questões polêmicas, aquelas em que um gramático considera certo, enquanto outro considera errado.
Conservadores e liberais
Sírio Possenti
Achei curioso, mas não me surpreendi: entre uma posição conservadora e uma liberal, os professores sempre escolhem a mais conservadora, aquela que acha mais erros.
O que você acha de ler sem sentir o cheiro e a textura do papel? Eu considerava essa uma péssima opção, até saber que o livro eletrônico não emite luz.
É só uma de suas qualidades. Quer conhecer as demais?
E aí, vai esvaziar sua estante? O cheiro (seguido de espirros) fará falta.
O excelente texto está completo no Viver & Contar.
A literatura não é boa apesar de inútil. Ela é boa porque é inútil. Sua inutilidade significa que ela, como toda arte legítima, transcendeu o campo do necessário, do contingente, daquilo que devemos fazer no cotidiano, com ou sem vontade, para ganhar a vida.
A Magda propôs uma pesquisa. Qual o local mais inusitado em que você já revisou?
Restaurante, fila de banco e sala de espera são lugares-comuns.
À beira da piscina? Desisti quando uma criança molhou meu trabalho. Nem pude reclamar. Na praia é mais seguro.
Revisei no carro, ônibus, metrô, avião, até na bicicleta da academia. Transportes como asa-delta, skate, camelo e esqui estão em fase de estudo.
Planejei revisar no cemitério: calmo, silencioso. Reconsiderei e fui ao parque.
Ainda mais inusitado? Vou investir nisso.
Mãe sempre merece nosso esforço, afinal ela se esforçou ainda mais por nós.
Mãe revisora, aqui, merece homenagem especial.
Mãe revisora
Braulio Mantovani
Por motivos nada nobres, o virtual segue velho. Deve esperar a queda nas vendas do impresso.
Ele está cheio de erros. Você sabe que a reimpressão terá emendas. Ainda assim, precisa de um urgentemente.
O correto é que sua empresa o compre. O meu não sai de minha mesa.
Apressado, caro, com péssimo acabamento, cheio de erros, mas com força de lei. Esse é o Volp. Por certo, a pior das cinco edições.
Com todos os seus defeitos, não é possível trabalhar sem ele. Não há sequer dicionário confiável que o substitua.
A primeira edição era diferente.
Dado o espírito (…) de ver na língua um bem comum, que será tanto mais de cada um quanto mais for de todos, esta obra (…) pede sugestões críticas de aperfeiçoamento, de quantos nela queiram colaborar com ânimo construtivo.
Austregésilo de Athayde
À exceção de uma ou duas falhas de revisão, ia tudo muito bem. A moral da história, no entanto, nada tem com o conteúdo.
Fosse meu, finalizaria comprovando a inutilidade da mudança.
Dona Philomena
Biblioteca Virtual do Estado de São Paulo
Prometo. Da próxima vez em que alguém me pedir para dar uma olhadinha no texto, gritarei de cá: Está vigiado, dona!
É como matar toda uma nação.
O Maior dos Crimes
Charles Nodier
O maior dos crimes é matar a língua de uma nação com tudo aquilo que ela encerra de esperança e de gênio.
Não terá sido a primeira vez que um erro causa transtorno. Desta vez o computador pela metade do preço virou caso de polícia. Um exagero de quem deseja levar vantagem a todo custo.
O delegado, pobre, quis saber Cadê o Revisor? A esta altura, ligeiro, pegou seu portátil e desapareceu.
O trecho foi capturado do Minha Língua, que insiste na gentileza de nos citar.
Mudança no Panorama
Conceição Candeias
O panorama editorial tem vindo a mudar, levando a repensar (…) o lugar e a dimensão do revisor, a quem cada vez mais explicitamente se atribui o papel de mediador de processos de linguagem, afinador de intenções, facilitador de discursos.
O serviço funciona assim: você está hospedado no hotel britânico. O sono não vem. Chame a recepção e solicite uma hora de leitura.
O funcionário vem ao seu quarto, senta-se no sofá e lê. Para completar o clima, ele estará devidamente uniformizado: de pijama.
O funcionário de pijama eu dispenso com veemência.
Você pode ser o melhor dos revisores (acredito mesmo que o seja), mas perderá qualidade se desconhecer a função alheia.
Conheça o processo produtivo. Saiba redigir, ainda que minimamente. Saiba degravar. Saiba traduzir. Pergunte, pratique, estude o trabalho do outro.
Saiba diagramar. Conheça fontes, cores, margens, espaçamentos. Entenda de produção, de criação, de finalização.
Revisor que conhece o processo erra menos.
Terminada a Quaresma, saboreie o que a vida oferece de melhor.
Comer, Comer
Francis Bacon
Há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir.
Duas da tarde. Almocei rápido. O serviço está acumulado. O escritório fica a menos de um quilômetro. O trânsito é cruel. Desespero.
Olho à volta. Por sorte, parte do trabalho está comigo. Raciocino. Não vejo outra solução. Reviso ali mesmo, sobre o volante.
Buzina. Susto. No carro ao lado, às gargalhadas, o diretor.
Fiquei conhecido como O Motorista Revisor.
Produzir um texto é como fazer pão. Você precisa deixar o texto descansar. Se o texto não tiver o seu tempo de crescimento, há coisas se passando ali que você não vai captar e o negócio vai desandar. Depois de saído do forno e posto em cima da mesa, é que você vai perceber que o seu produto… abatumou.
Era calouro, recém-saído da adolescência. Ignorava o que esperar do mundo. Foi quando recebi aquela tabela, escrita à mão, repleta de códigos desconhecidos. Obrigaram-me a decorá-la de imediato.
Jamais imaginaria que a simples tabela mudaria minha vida. Mudou. Naquele dia, conheci a revisão de textos.
Hoje é Dia Internacional do Livro Infantil. Se precisa de um motivo, é o dia perfeito para presentear com um livro seu filho, sobrinho, primo, irmão.
Coração de criança
Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua de mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança.
Erra quem diz que o latim morreu. Não é só no Vaticano. Português, espanhol, francês não passam de latim (reformado, claro). Até no inglês ele está bem vivo.
Para o revisor é primordial conhecer a origem e a formação da língua. Poucos mantêm a preocupação. Há, porém, quem se empenhe em conservar nossa genealogia.
Se você também é desses, pode atualizar-se. Restam poucas horas.
Que você não entenda o trema, vá lá. Você não é presidente de Academia. Se fosse, jamais diria que nunca o usou, certo?
Não é o que pensa nosso presidente.
Cícero Sandroni
Tem que simplificar, é bom que as pessoas leiam cada vez mais. Pode ser o texto mais complicado, mas vão ler com mais facilidade.
Andam dizendo que os revisores merecem dupla congratulação. Além de hoje ser o Dia do Revisor, 2009 seria o Ano do Revisor.
Se o acordo ortográfico é motivo para comemoração, prefiro considerar que o dinheiro extra é a compensação pelo mal que nos foi imposto.
De todo modo, façamos bom proveito do que nosso ano nos traga. Feliz Dia do Revisor. Feliz Ano do Revisor. Muito trabalho para todos nós.
Li nas Laranjinhas, que imitaram o Lendo.Org, que copiou dos Livros e Afins. Gostei da brincadeira. Faça também. Quais seus hábitos de leitor?
1. Estaciono longe o suficiente para ler algumas páginas.
2. Meu carro sempre tem livros.
3. Almoço com um livro. Leio entre um prato e outro.
4. Leio tudo o que vejo. E reviso tudo.
5. Caço erros, mas jamais marco correção em livro que eu não esteja revisando.
6. Marco a lápis os trechos de que gosto e que possam gerar um tópico no blogue.
7. Não gosto de ler no computador.
8. Revisando, imprimo para ler no papel.
9. Em casa, normalmente leio na cama.
10. Jamais leria na tela do celular.
11. Prefiro ler deitado ou em pé.
12. Uma de minhas diversões é ler no metrô.
13. Leio na praia e na piscina. Aprendi com minha mãe.
14. Adoro ler nos pufes da Cultura da Paulista.
15. Teria uma espreguiçadeira no trabalho.
16. De avião ou de ônibus, leio viajando.
17. Bucólico é ler à sombra da árvore, ao som dos pássaros, em uma tarde ensolarada.
18. Aprendi a ler antes de entrar na escola.
19. Li muito desde criança.
20. Dormir na biblioteca de meu avô inspirou-me a ler.
21. Matava aula para ler na biblioteca.
22. Lia mais antes de estudar Letras.
23. Lia mais rápido antes de ser revisor.
24. Não leio mais de dez páginas por hora.
25. Paro leituras, mas não pulo páginas.
26. Tenho sempre um livro em andamento.
27. Leio livros sobre livros.
28. Leio a ficha técnica e procuro o revisor.
29. Conto as páginas restantes e calculo o tempo.
30. Escrevi um livro, mas não terminei.
É preciso viver com profundidade.
Vivendo profundamente
Ezra Pound
Os homens só podem compreender um livro profundo depois de ter vivido pelo menos uma parte daquilo que ele contém.
Ela é diferente em cada meio.
A revisão da editora não é igual à do jornal, que é muito distinta da revisão da agência de publicidade, que pouco se assemelha à acadêmica ou à jurídica.
O que é revisão para você?
Já pensou se ninguém entendesse aramaico há não sei quantos séculos e não tivessem traduzido a Bíblia para o grego? (…) Sem os árabes, que cristão ou pagão ia conhecer Aristóteles ou Platão?
O Ocidente é traduzido do desjejum à ceia.
A América é palco de muitas disputas territoriais. As terras por aqui estão sempre trocando de mãos. Você sabia? Nem eu.
O Uruguai aumentou. O Paraguai diminuiu, mas agora são dois. Um deles tem até praia. Mudar de vez em quando faz bem.
Não, ainda não enlouqueci. Tudo isso é verídico. Pode conferir.
E o professor, desesperado, sem entender nada, pergunta aos alunos: Cadê o Equador?
Foi anunciado ontem na ABL o lançamento do Volp. Ele pretende solucionar os problemas da falta de pesquisas na elaboração do acordo, sobretudo quanto aos hifens.
Quem soube a tempo viu a mensagem ao vivo na página da Academia. É claro que o afetado discurso não está disponível (é pedir demais), apenas uma nota explicativa.
No fim, o que importa é saber que o impresso será publicado amanhã. Quanto ao digital, segue a incógnita.
Hoje é Dia Nacional da Poesia. A data foi escolhida em tributo a Castro Alves. Nossa homenagem aos poetas e admiradores da poesia.
Castro Alves
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar, (…)
Perder-se
Stuart Kelly
Perder-se é a pior coisa que pode acontecer a um livro? Um livro perdido é capaz de propiciar um certo grau de satisfação de desejo. O livro perdido, assim como a pessoa que você nunca ousou tirar para dançar, torna-se infinitamente mais atraente simplesmente porque pode ser perfeito na imaginação.
Era adolescente. Vi-me obrigado a escolher entre Letras e Química. Decisão difícil, você entende. O final é dedutível.
Ilusão: estudar gramática e literatura. No primeiro semestre, percebi que não estudaria gramática. No segundo, que só literatura lusófona. Decepção. Fugi para as línguas, uma dezena delas.
Combati o erro. Descobri a revisão. A perspectiva mudou. Esperança renovada, cheguei ao fim da saga.
O hífen mudou. Nossa tão visitada tabela deverá cair em desuso. Para apaziguar os ânimos, temos uma nos moldes do famigerado.
Refere-se ao hífen dos prefixos. Para os compostos, a incógnita é interminável.
Foi a mais sensata mudança do acordo, mas há exceções. Co não tem hífen quando o se repete. Ex, sem, vice e os prefixos acentuados sempre (ou quase) têm. É claro que, quando r e s encontram vogal, ficam duplicados.
O dicionário continua sendo seu melhor amigo.
O Carnaval passou. As academias voltam a lotar. Para recuperar o tempo perdido, um complemento caseiro faz-se necessário.
Consumidor consciente, fiz orçamentos até encontrar o trampolim ideal. Peguei a nota fiscal e voltei animado para casa.
Guardando a nota, surpresa ao ler o nome do produto (antes que você ria da discri…, era discriminação mesmo).
O trampolim rangia: Cadê o Revisor?
Na realidade, há um livro que trata (não só) disto.
Pedro Süssekind
Aliás, deviam escrever um livro sobre os grandes incêndios em bibliotecas, desde a Alexandria até hoje, passando pelas fogueiras dos fascistas, disse. Seria uma história sobre os caminhos tortuosos pelos quais o conhecimento foi preservado, sobre as motivações obscuras e violentas que condenaram algumas coisas e consagraram outras, essas coisas.
O que você anda lendo? Seria mais uma página de relacionamentos, não fosse o tema diferenciado.
No Skoob você cria seu perfil e adiciona os livros que leu, lê e lerá. Comenta, elege, resenha. Para não perder o espírito, ainda conhece outros leitores tão aficionados quanto você.
Meu primeiro cliente foi um corretor. De textos? Quem me dera! De imóveis mesmo.
Como escrevia mal! Ele sabia disso. Assumiu a deficiência desde o primeiro encontro. O pagamento era justo até para os padrões atuais.
Só o texto era ruim. O cliente era bom. Aprende-se muito com texto ruim. Sendo justo, sobretudo no começo, o cliente já é bom.
A procedência da tradução é incerta como a legalidade da publicação.
As edições, no entanto, são charmosas, dão um belo presente e um lindo enfeite. Com perseverança, Os Menores Livros do Mundo são até legíveis.
Contam-se alguns cânones entre os lançamentos. Minha pequena coleção tem três exemplares.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Descoberto o autor da charge, agora o artigo está completo. Nosso duplo agradecimento à Magda.
Consultório ortográfico

É preciso atitude. Sabe aquela palavra que você quer escrever diferente, mesmo sabendo do erro? Sempre tenho vontade de acentuar cascavel e transformá-la em cascável. E é só um dos exemplos.
Pois há quem seja realmente ousado e siga seus desejos mais profundos. Presenciei um belo modelo de audácia.
De todo modo, é mais seguro acento na melancia que no coco.
Tudo é de facto tradução. Vivemos a traduzir e a interpretar linguagens, sons, imagens, sempre ao lado do silêncio, essa ferramenta de eleição.
Helena Cardoso
Em homenagem aos tradutores que tanto visitam e comentam nosso blogue (não deixem de votar nas enquetes).
Café-da-Manhã
Sir Thomas Urquhart
Se as línguas fossem despojadas de tudo aquilo que não é originalmente delas, não teríamos condições (…) nem de comprar os artigos para o café-da-manhã no mercado.
Estava na academia, ao fim da dolorosa série de exercícios. Na máquina ao lado, um garoto forte, dos mais assíduos.
No braço dele, uma tatuagem ecologicamente correta. Como ele é forte, preferi não tirar foto, com medo de represália. Descrevo-a. Uma arara-azul, dessas em extinção. Ao lado se lê Vôo Livre. Com acento, coitado.
Eu cobraria da Academia (a outra) a remoção do acento.
Adiantaram-se ao Volp. Lançaram tradutores do novo sistema ortográfico.
O mais interessante com que tive contato é do saudoso e revitalizado Caldas Aulete.
O iDicionário Aulete é experimental. Mostra a versão antiga e a reformada das palavras que mudaram, além de levar a um resumo das normas. Providencial para quem está se adaptando às novas regras.
Não costumo citar nomes. Ademais, cada um nomeia sua empresa como quer. Nem me incomodo que seja estrangeiro. Mas tudo tem limite.
Antes que você pense que é piada, telefonei para conferir. Atendeu a simpática telefonista: Fuck, boa tarde. Quase devolvi a gentileza, mas preferi perguntar: Cadê o Revisor?
Bem, ao menos o slogan combina.
Gosto muito de descrições de bibliotecas, principalmente das mais antigas.
H. P. Lovecraft
Aquele lugar era muito velho, e as estantes que subiam ao teto cheias de volumes apodrecendo se estendiam infinitamente por salas internas e alcovas sem janelas. Havia, além disso, grandes pilhas disformes de livros no chão e em toscas arcas; e foi em uma dessas pilhas que eu achei a coisa.
Eis o Revisor. O desconforto com a câmera é patente; mas o recado, parece-me, foi transmitido.
Neste segundo aniversário, um presente para você que nos prestigia. Temos uma nova categoria. A cada bimestre, entrevistaremos um revisor.
Como sugeri, usaremos a nova grafia, evitando as palavras que mudaram.
E, se pensa que Brasília não tem praia, veja que se engana.
Um pouco de música para alegrar o blogue neste fim de domingo, véspera de aniversário.
Humberto Gessinger
Às vezes nunca sei se as vezes leva crase
Às vezes nunca sei em que ponto acaba a frase (.,;?!…)
Você sempre soube (eu não sabia)
Toda frase acaba num riso de auto-ironia
(…)
E, se eu escrevesse sem com s, ou escrevesse cem com c?
Por acaso faria alguma diferença?
Que diferença faria?
Sonhei que, por decreto, os órgãos mudavam de posição. Fígado, pâncreas e vesícula se espremiam do lado esquerdo. Rins ocupavam o lugar do fígado. Pulmões colavam um no outro. A resolução retirava o baço por considerá-lo desimportante, mas mantinha o apêndice.
Alegavam que o tratado facilitaria o trabalho dos cirurgiões. Com uma única incisão, resolveriam vários problemas. A discussão entre médicos e autoridades era generalizada.
Acordei pensando como seria perigoso e tumultuado o período de transição.

Arma poderosa
Nelson Mandela
A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.
Minhas preces foram atendidas no ano passado e a mudança demorou a chegar de fato a minha vida. Ontem, porém, revisei meu primeiro texto com as novas normas.
Foi tranquilo, sem maiores consequências. Foram essas as únicas palavras alteradas no texto de vinte páginas. Nada de hífen, nada de acento. Só os dois pobres tremas. Tanto alarde, tanto prejuízo, tanta dor de cabeça por quase nada.
Só me pergunto como é que a equipe de revisão dos dicionários está se virando sem o Volp.
Olavo Panseri
O texto completo, que nos foi trazido pela Milena, está em Zero Hora do último domingo.
Universalização
Flávio Tavares
Se retirar acentos universalizasse o mundo, não haveria matanças na Faixa de Gaza, pois o hebraico e o árabe não têm acentos gráficos!
A reforma ortographyca esquece que a etimologia e a fonética dão vida à língua e à cultura.
O aniversário do Cadê o Revisor? está chegando e você não sabe o que me dar de presente? Seus problemas acabaram.
Este livro-relógio é o presente ideal. Você pode escolher. Há o modelo preto, sóbrio. O retrô tem ponteiros em estilo clássico. No mais bonito, o colorido, os livros são desalinhados.
Você terá de buscá-lo na Holanda, pois não entregam aqui, mas isso não há de ser incômodo para você.
No final do curto texto, lá estava: consequência. O redator estava ao lado. Estremeci: Já vai adotar? Sorriu maroto: Já está valendo. Baixei a cabeça. Deixei sem trema. Voltei ao início do texto. Pensei alto: Deixe-me tirar o acento do título Idéia Criativa. O redator protestou: Devolva o trema!
Já está valendo, não está? Contra toda a nossa torcida, ele chegou e parece que vai ficar. Agora torçamos para que os estragos sejam menos devastadores do que esperamos.
Em vez de uma dica, então, uma reunião delas em um teste divertido e instrutivo sobre o novo famigerado acordo ortográfico (que continuo grafando em minúscula por não merecer mais que isso).
A indicação do teste é do amigo Olavo, da comunidade Revisores, fonoaudiólogo dos mais competentes e grande apreciador da língua portuguesa.
Para não perder o hábito, um pouco sobre livros antigos.
Fabrício Carpinejar
Pouco crescemos
no que aprendemos,
o sabor
de um livro antigo
está em jovem
esquecê-lo.
Eu alterei
a ordem do teu ódio.
Fiz fretes de obras
na estante.
Mudava os títulos
de endereços
em tua biblioteca
e rastreavas, ensandecido,
aquele morto encadernado
que ressuscitou
quando havias enterrado
a leitura,
aquele coração insistente,
deixando atrás uma cova
aberta na coleção.
Não adianta atualizar a página. O Cadê o Revisor? mudou. Não é definitivo. Até o aniversário, no fim do mês, você decidirá se esta será uma fachada de férias ou a cara final. À primeira vista, também estranhei. Hoje gosto muito. Nosso profundo agradecimento à Cássia pela infinidade de bens que tem proporcionado ao blogue nestes dois anos (inclusive a idéia do novo visual).
Vantagens? Temos a sonhada busca. Temos mais recursos. Temos um visual diferente, moderno para uns, retrô para outros.
Haverá falhas, que serão, com sua ajuda, solucionadas. Aproveite o tempo livre para fazer o reconhecimento do novo blogue. Há uma enquete em que podemos votar no visual predileto. Opine.