Pablo Vilela

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Papel do Revisor

Em Eis o Revisor, 11 fevereiro 2010 às 1:48 am

O texto é encomendado, mas a história é verídica. Basta conferir a íntegra.

A diminuição do número de provas impressas até a aprovação final do material, não apenas para agilizar o procedimento, mas pela necessidade da economia de papel para a preservação do meio ambiente, deve ser preocupação constante de quem trabalha com o papel.

Prós para Poucos

Em Eis o Revisor, 4 janeiro 2010 às 9:40 am

O acordo ortográfico aniversaria. Você já se adaptou a ele, mas ele é bom para você? O revisor e escritor Raul Drewnick responde à revista Com Ciência.

Como o acordo repercutiu em suas atividades e no meio editorial livreiro?

Ter certa idade (eufemismo para velhice) traz algumas vantagens. Uma delas, no meu caso, é essa de nenhuma reforma ortográfica ter mais o poder de me amedrontar. Passei por muitas (…) e, quando surge mais uma, eu a encaro com naturalidade. Nada mais daquele temor que tive quando enfrentei a primeira: Decifra-me ou te devoro. Esta recente deve ter, como sempre, sido bem recebida pelo meio editorial livreiro, especialmente pelas editoras que publicam livros didáticos. Novas edições, novas vendas. Pelos autores em geral, acredito, pelas manifestações que ouvi, que ela seja mais malquista do que bem-vinda. Eu, que, além de tentar diligentemente ser um escritor, sou revisor e sustentei, por muito tempo, minha família porque havia gente disposta a acreditar no meu talento para colocar vírgulas e crases, não tenho queixas. Meu trabalho aumentou.

As primeiras conceituações dessa nova ortografia datam de 1990. Estamos, oficialmente, na transição 2009-2012. Que haja essa transição de quatro anos é compreensível, mas até ela foram duas décadas. O que explicaria essa demora?

Irei para o inferno, certamente, mas acho que, nesta época de comunicação rapidíssima, com a possibilidade de e-mails, videoconferências e tudo mais, se esses modernos recursos não foram utilizados, alguma má-língua (o acordo respeitou este hífen, aleluia!) pode sugerir que as demoras nessa área se devem à necessidade de os donos da língua se reunirem várias vezes, e jantarem, e pernoitarem em bons hotéis e mostrarem como estão empenhados em defender nossa língua e em aprimorá-la.

Pela sua experiência, a nova ortografia, até sua completa assimilação, causa desconforto aos escritores?

Não acredito que os escritores venham a ter problemas, a não ser a vontade, que essas reformas geralmente provocam, de buscar os mais expressivos palavrões para saudá-las. Eu (…) fiquei particularmente tentado a mandar para todos os diabos quem tirou o hífen da expressão dia-a-dia (a palavra mais querida e mais essencial para quem faz crônicas). Dá vontade de xingar, quando se nota que avanços conquistados durante décadas foram varridos com uma vassourada só. (…) Antes do acordo, se eu escrevesse que fui à-toa, logo o leitor entenderia que fui um sujeito reles, desprezível. E se eu escrevesse que fui à toa, significava que andei meio sem rumo. Hoje, pela nova ortografia, tiraram o hífen, ficou só uma forma para o adjetivo e para o advérbio, para os dois significados: à toa. Quem vai lá saber se sou um sujeito reles ou se sou simplesmente uma pessoa que gosta de vagar por aí?

Houve, então, quebra de unidade semântica?

Houve um retrocesso nessa questão. Quando se formava uma nova unidade semântica, costumava-se utilizar o hífen, para assinalar a diferença. Pé de moleque, sem hífen, não era, salvo casos de aberração, coisa que se pudesse achar uma delícia. Já pé-de-moleque… Hoje o Volp registra só uma forma, para os dois casos. Precisarei recorrer a outro doce…

A Microsoft anunciou que já tem o corretor ortográfico adaptado à reforma. A função do revisor estaria ameaçada a longo prazo?

Cuidado com os corretores ortográficos de processadores de texto, pois muitas vezes apresentam soluções absurdas. O revisor já praticamente não tem lugar em jornais. Em revistas, a situação é um pouco melhor. Nas editoras (estou falando das melhores), haverá sempre lugar para o revisor, e seu trabalho não se limita a essas insignificâncias ligadas a um hífen que cai ou a um acento que é suprimido. O revisor checa nomes próprios; verifica fluência, coerência, coesão, repetição de palavras. O bom revisor hoje é quase um subeditor.

O novo Volp foi lançado em março. Cinco meses depois foi revisto e ampliado. A ortografia nota 10 é uma utopia para um léxico de quase 400 mil palavras?

Todas as reformas foram e continuarão sendo assim. Sai a edição tão esperada e, já no dia seguinte, começam a se ouvir discordâncias entre especialistas, que acabam resultando em novas edições. No caso de dicionários e vocabulários, acho que deveria haver, por parte de quem os edita, a disposição de dar ao leitor que vai comprar a segunda edição a possibilidade de, devolvendo a primeira, ter um desconto expressivo. Posso parecer terrorista, mas talvez fosse o caso até de os órgãos de defesa do consumidor entrarem nisso, se, pouquíssimos meses depois de publicada, uma edição for substancialmente alterada. Quanto à propalada riqueza do idioma, se você pegar qualquer dicionário, ficará espantado ao ver que quase todas as palavras registradas se referem a pássaros e árvores, cada qual com uma dezena de grafias (…). Baixar a bola, então, é preciso.

Conhece algum caso de alteração comandada pela reforma que interfere no conteúdo de um título de livro?

Um livro de poemas de Alice Ruiz, editado em 1984, tem o título Pelos pêlos (preposição e substantivo). Esse título hoje, a meu ver, ficaria enigmaticamente Pelos pelos; no entanto, a posição final, se gosta ou não, é do autor.*

* Consultada, Alice Ruiz informou que achou interessante, na reedição do livro, criar a ambiguidade.

Estante Entrevistada

Em Eis o Revisor, 6 dezembro 2009 às 10:55 pm

Hoje a entrevista não é com revisor, mas com um grande livreiro. André Garcia, criador da Estante Virtual, foi entrevistado pela CBN e conta como surgiu e o que é o maior portal de venda de livros usados do Brasil, quiçá do mundo.

Revisora Bailarina

Em Eis o Revisor, 5 outubro 2009 às 12:51 am

On_Top_of_It_by_icedancerstephPublicitária de formação, Cássia dedica-se hoje à revisão, ao copidesque, ao ballet clássico e a seus blogues, primando pelo cuidado e afeto em todas as atividades que desempenha.

Que gênero de texto você revisa com maior frequência?

Livros, basicamente. Em especial acadêmicos, técnicos e de ficção. Também reviso material publicitário, mas com menor frequência.

E isso é uma escolha ou uma eventualidade?

Escolha. Quando decidi trabalhar em revisão de textos, minha preferência era pelos livros. Mas, até pela minha formação, comecei na área publicitária. Fui indicada para um trabalho freelance em uma agência, depois trabalhei durante um ano em outra e pedi demissão, porque realmente queria trabalhar de outra maneira. Revisei um livro, depois me indicaram para revisar outro e assim foi.

Caso precise revisar outro gênero, há alguma dificuldade ou impedimento?

Não, nenhum. Tenho experiência nas áreas publicitária e acadêmica, porque também já revisei trabalhos de conclusão de curso e afins. Sei que cada gênero tem a sua especificidade.

Você teve alguma dificuldade para implantar as novas regras no seu trabalho? Que melhorias elas trouxeram?

De maneira geral, o acordo não trouxe melhoria alguma. Hoje as pessoas confundem muito mais, não é raro encontrar textos com as novas regras misturadas às antigas. Além disso, há um grande volume de trabalho apenas para adequar os livros já lançados. A dificuldade que tive para implementá-lo na minha rotina aconteceu no começo: algumas editoras já queriam os livros segundo o novo acordo, outras preferiram esperar os primeiros meses. Assim, eu tinha de “ligar e desligar o botão do acordo ortográfico”, dependendo do trabalho.

E isso chega a causar algum transtorno?

Hoje, é apenas mais um item na minha rotina de trabalho. As novas regras já deixaram de ser novas para mim.

E nas horas vagas, o que você gosta de fazer?

Eu faço aulas de ballet clássico, assisto a várias séries de televisão, mantenho dois blogues, leio e também saio de vez em quando.

Então, mesmo depois de horas lendo a trabalho, você ainda lê para relaxar?

Leio, mas bem menos do que eu gostaria, justamente para descansar um pouco. É difícil ler muito depois de revisar tanto.

E você consegue ler um romance sem procurar erros?

Não, impossível. Mas eu sou solidária ao revisor. Quando encontro um erro, eu penso: “poderia ter sido eu”.

Então você acha que o revisor pode errar?

Não, não pode, mas erra. É humanamente impossível que um revisor passe pela profissão sem ter deixado escapar um erro sequer. E será justamente ele que nos atormentará: podemos deixar um livro de 500 páginas impecável, mas nos lembraremos daquele erro.

E como você lida com esses eventuais erros?

No início da carreira, eu me sentia a pior das revisoras. Pensei em desistir da profissão, porque não queria lidar com essa frustração. Hoje, eu me sinto mal por pouco tempo, mas também não me justifico. Errei? Assumo a responsabilidade e paciência.

A dança me ajudou muito nisso. O ballet clássico é a dança da perfeição. A revisão é a profissão da perfeição. Antes eu levava a revisora para o ballet: ficava frustradíssima quando os passos não saíam da melhor maneira. Até que eu entendi que a beleza de uma coreografia está no todo, e não diminui com um passo em falso. Aprendi a levar a bailarina para a revisão: se eu errei, um único erro não comprometerá a grandeza do texto.

Por último, quando pensa em crescimento profissional, o que lhe vem à mente?

Eu penso em reconhecimento da profissão traduzido em aumento dos valores pagos. Na área editorial, trabalha-se muito, paga-se pouco e isso acaba refletindo na qualidade do trabalho. Quero, de verdade, trabalhar com um prazo adequado, ganhando um valor justo, sem que eu tenha de fazer malabarismos para ganhar bem.

Muito Além

Em Eis o Revisor, 26 maio 2009 às 2:53 am

Existe vida além da revisão.

Em meia hora (dividida por limitação de armazenagem), o amigo Ari fala de literatura, música, língua, religião, história, ortografia, vida. Fala até de revisão de textos.

O que é Revisão?

Em Eis o Revisor, 24 março 2009 às 11:21 am

Ela é diferente em cada meio.

A revisão da editora não é igual à do jornal, que é muito distinta da revisão da agência de publicidade, que pouco se assemelha à acadêmica ou à jurídica.

O que é revisão para você?

Entrevistando o Revisor

Em Eis o Revisor, 26 janeiro 2009 às 4:00 am

Eis o Revisor. O desconforto com a câmera é patente; mas o recado, parece-me, foi transmitido.

Neste segundo aniversário, um presente para você que nos prestigia. Temos uma nova categoria. A cada bimestre, entrevistaremos um revisor.

Como sugeri, usaremos a nova grafia, evitando as palavras que mudaram.

E, se pensa que Brasília não tem praia, veja que se engana.

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