Pablo Vilela

Arquivo da categoria ‘Outras Revisões’

O que é Escrever?

In Outras Revisões on 28 Dezembro 2009 at 4:58 pm

Na sua opinião, o que é escrever?

O que é escrever?

Jules Renard

Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido.

O Príncipe e a Letra

In Outras Revisões on 18 Dezembro 2009 at 10:58 pm

Que usássemos só a pena, essa terrível arma. O mundo seria melhor.

O príncipe e a letra

Vittorio Alfieri

A pena, na mão de um excelente escritor, resulta por si só numa arma muito mais potente e terrível, e de efeito muito mais prolongado, do que jamais poderia ser qualquer outro cetro ou espada nas mãos de um príncipe.

Gosto não se Discute

In Outras Revisões on 15 Dezembro 2009 at 10:11 am

Veio do Livro na Mão. Qual sua preferência?

Gosto não se Discute

Adão Iturrusgarai

Substituição

In Outras Revisões on 11 Dezembro 2009 at 12:37 am

No momento em que o livro digital chega com força ao Brasil, o que será do papel?

Vote na enquete.

Substituição

Renato Sabbatini

O próprio conceito de reprodução gráfica será eliminado! Átomos serão substituídos por bits, e a impressão em papel, se desejada, será de responsabilidade do leitor.

Não há dúvidas de que a noosfera nunca mais será a mesma!

Única Forma de Ler

In Outras Revisões on 4 Dezembro 2009 at 9:56 pm

Que livros você escolhe para ler? Como você os escolhe?

Única forma de ler

Doris Lessing

Há apenas uma forma de ler, que é olhar ao acaso em bibliotecas e livrarias, pegando livros que chamem a sua atenção, lendo apenas esses, pondo-os de lado quando o aborrecem, pulando as partes tediosas – e nunca, nunca ler nada por julgar que necessita.

Escrita e Conhecimento

In Outras Revisões on 24 Novembro 2009 at 1:43 am

O que você já escreveu sobre os assuntos de sua preferência? Talvez seja um bom momento para escrever mais.

Escrita e conhecimento

Benjamin Disraeli

O melhor modo de conhecer um assunto é escrever sobre ele.

Escrevo a Vida

In Outras Revisões on 15 Novembro 2009 at 8:39 pm

vasco_da_gamaEm seu retorno, nossa saudação ao protagonista das maiores navegações da língua portuguesa.

Escrevo a vida

Guto Graça

Escrevo a vida como se jogasse futebol.

Degeneração

In Outras Revisões on 5 Novembro 2009 at 6:07 pm

No Dia Nacional da Língua Portuguesa, lembremo-nos de cuidar muito bem de nossa língua.

Degeneração

Rui Barbosa

A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua.

Silêncio

In Outras Revisões on 30 Outubro 2009 at 9:43 pm

Palavras (e silêncios) retiradas das Palavras e Entrelinhas.

Silêncio

Tristão de Ataíde

O silêncio não é a negação da palavra, como a palavra não é tampouco a negação do silêncio. Há silêncios eloquentes, como palavras vãs.

Recomendação

In Outras Revisões on 27 Outubro 2009 at 1:00 pm

Não só o jornalista. Você que vive do texto tem obrigação de dominar seu principal instrumento de trabalho: a língua.

Recomendação

William Bonner

Lembre-se de votar nas enquetes e de avaliar os artigos.

Falta de Tempo

In Outras Revisões on 23 Outubro 2009 at 1:57 am

Do jogo de videogame Broken Sword (de Charles Cecil), uma aventura inspirada na história dos templários. A fotógrafa que protagoniza a cena lamenta o excesso de trabalho.

Falta de Tempo

Nicole Collard

Não tenho oportunidade de ler nem metade dos livros que possuo. Não sei por que os continuo comprando.

Fragata

In Outras Revisões on 11 Outubro 2009 at 2:14 am

Fragata

Emily Dickinson

ola_libro_by_anettaNão há melhor fragata que um livro
Para nos levar a terras distantes
Nem timoneiro como uma página
De pura poesia.

Novo Livro na Praça

In Outras Revisões on 3 Outubro 2009 at 11:56 pm

Se você já publicou, é possível que tenha sofrido com isto.

Novo livro na praça

Demétrio Sena

Tarefa ingrata a de vender livros. Porque livros não enchem panças. Não são fritos, não passam por churrasqueiras nem têm cobertura de chocolate. Da mesma forma, não levam marcas (…) que o mercado consagrou, conseguindo massificá-las.

Releitura

In Outras Revisões on 25 Setembro 2009 at 10:04 am

A pintura e o texto vêm do Galeno, que sempre nos brinda com muito bom gosto.

pintura-imagem-leituraReleitura

Luiz Puntel

Quando estamos lendo, também somos relidos pelo livro. E é nessa releitura que a obra nos leva a questionar sobre nós e sobre os acontecimentos que nos cercam.

Vida Ideal

In Outras Revisões on 20 Setembro 2009 at 10:17 pm

Em sua opinião, qual é a vida ideal?

Vida ideal

Mark Twain

Books_by_windmileBons amigos, bons livros e uma consciência preguiçosa: eis a vida ideal.

Rabiscos

In Outras Revisões on 18 Setembro 2009 at 12:17 am

Pedimos perdão a você que não admite um livro rabiscado.

Rabiscos

George Santayana

Há livros cujas notas de rodapé ou comentários rabiscados por algum leitor nas margens são mais interessantes que o texto.

O mundo é exatamente como esse livro.

Peças de Decoração

In Outras Revisões on 15 Setembro 2009 at 10:09 am

Poucas coisas são tão úteis quanto um livro.

Peças de decoração

Henry Ward Beecher

Livros não são peças de decoração, mas não há nada que decore melhor uma casa.

Cuidado

In Outras Revisões on 10 Setembro 2009 at 2:16 am

A advertência foi manuscrita no frontispício de um valioso tomo renascentista. Evite problemas. Devolva o livro alheio.

Cuidado

Autor Desconhecido (transcrição: L. S. Thompson)

Book thiefO nome de meu senhor acima vês,
Cuida portanto para que não me roubes;
Pois, se o fizeres, sem demora
Teu pescoço… me pagará.
Olha para abaixo e verás
A figura da árvore da forca;
Cuida-te portanto em tempo,
Ou nesta árvore subirás.

Dias Curtos

In Outras Revisões on 25 Agosto 2009 at 3:37 am

Uma tentativa de explicar minha recente e insistente ausência.

Dias curtos

John Burroughs

Ainda acho os dias curtos demais para tudo que quero pensar, todas as caminhadas que quero fazer, todos os livros que quero ler e todos os amigos que quero ver.

Ébrios

In Outras Revisões on 16 Agosto 2009 at 4:08 pm

Djegovsky indica-nos a série de artigos Não compre o novo Volp, do sempre perspicaz professor Cláudio Moreno.

Ébrios

Cláudio Moreno

Ébrios de tanta utopia, os neoconvertidos já enxergavam, ao longe, a luz celestial do futuro prometido: o Português seria finalmente unificado em todos os países lusófonos.

Laptop

In Outras Revisões on 9 Agosto 2009 at 3:13 am

Pode acontecer, mas a graça não será a mesma.

Laptop

Brian Bristol

Nunca conheci ninguém que se enrodilhasse em frente a uma lareira com um bom laptop.

A Palavra

In Outras Revisões on 31 Julho 2009 at 11:53 am

Extraído do prefácio de uma bela homenagem à língua portuguesa.

A palavra

Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá

A palavra é o único mantimento. Podemos comer arroz, pão ou carne, mas sempre que engolimos qualquer uma dessas substâncias no fundo degustamos também a palavra substantiva. Letra a letra, sílaba a sílaba.

Lux Aeterna

In Outras Revisões on 26 Julho 2009 at 3:01 pm

De um interessante suspense bibliofílico.

Lux Aeterna

Carlos Ruiz Zafón

Cada livro, cada tomo que está vendo aqui, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém desliza os olhos por suas páginas, seu espírito cresce e se fortalece.

Desconfiança e Aptidão

In Outras Revisões on 17 Julho 2009 at 9:15 am

De uma das mais raras obras sobre nosso ofício. Publicada em 1967, em Fortaleza, berço de grandes revisores e da comunidade Revisores, de cinco anos recém-completos.

Desconfiança e Aptidão

Faria Guilherme

Os autores, na quase totalidade, não estão em dia com os princípios ortográficos vigentes (…); se cometeram erros de ordem gramatical ou técnica – por descuido os primeiros, por ignorância os segundos –, difícil e impossivelmente deles se aperceberão, por lhes faltarem a desconfiança e a aptidão de ordem gráfica, qualidades do revisor.

Inimigos

In Outras Revisões on 9 Julho 2009 at 12:08 pm

Inimigos

Saul Bellow

Há apenas um modo de derrotar o inimigo: escrever o melhor possível. Um bom livro é um argumento inegável.

Erros Tipográficos

In Outras Revisões on 4 Julho 2009 at 2:37 am

Para alguma coisa eles haveriam de servir (pela falta de uma melhor, minha tradução é livre).

Erros Tipográficos

Randy K. Milholland

Os erros tipográficos são muito importantes para toda forma escrita. Dão ao leitor algo a procurar em vez de se distrair com a total falta de conteúdo de um texto.

Desfrute

In Outras Revisões on 26 Junho 2009 at 4:21 pm

A uma amiga seleta.

Desfrute

Louisa May Alcott

Bons livros, como bons amigos, são poucos e escolhidos; quanto mais seletos, mais podemos desfrutá-los.

Café Literário

In Outras Revisões on 22 Junho 2009 at 8:26 pm

O homem pergunta ao rato devorador de livros, no balcão do bar, que gosto eles têm.

Café literário

Sam Savage

Caro amigo, considerando o abismo que separa as suas experiências das minhas, só consigo fazê-lo se aproximar um pouco desse sabor tão singular dizendo que os livros têm o mesmo gosto do cheiro do café.

Amor Platônico

In Outras Revisões on 12 Junho 2009 at 10:09 am

Caso a autoria desta (ou de outra) citação esteja equivocada, faça-me o obséquio de informar.

Amor platônico

Platão

Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta de si.

Leite Enriquecido

In Outras Revisões on 5 Junho 2009 at 6:31 pm

No tempo em que leite se vendia em sacos, encontravam-se neles bons ensinamentos. O tempo passou e o Galeno mostra que a Jussara recuperou a tradição.

Leite enriquecido
Jussara

A leitura de um livro, jornal ou revista enriquece a nossa vida. Ao ler, colocamos nossos sentimentos, memória, imaginação e inteligência em ação. Para aproveitar bem a leitura, procure um local iluminado e tranquilo, pela manhã, quando o cérebro está descansado.

Por que Estudar Latim?

In Outras Revisões on 30 Maio 2009 at 9:20 pm

Em óbvio momento de insanidade, acabaram com o latim nas escolas. Hoje sofremos com a crescente ignorância sobre nossa própria língua.

Por que estudar latim?
Charlotte Higgins

Qualquer outro idioma – e não apenas espanhol, italiano, português, mas alemão, russo, árabe – torna-se mais fácil para uma criança com uma fundamentação em latim. Um aluno pode usar o latim para agarrar os ossos e nervos de qualquer idioma.

Aula Barulhenta

In Outras Revisões on 20 Maio 2009 at 4:14 am

Diante da algazarra dos alunos, como a professora do ensino fundamental consegue transmitir seus ensinamentos?

Aula barulhenta
Professora Sandra

O cemitério é um bom lugar para você ter silêncio. E não tem aprendizado nenhum.

Conservadores e Liberais

In Outras Revisões on 17 Maio 2009 at 2:52 am

A discussão era sobre questões polêmicas, aquelas em que um gramático considera certo, enquanto outro considera errado.

Conservadores e liberais
Sírio Possenti

Achei curioso, mas não me surpreendi: entre uma posição conservadora e uma liberal, os professores sempre escolhem a mais conservadora, aquela que acha mais erros.

Mãe Revisora

In Outras Revisões on 10 Maio 2009 at 2:59 am

Mãe sempre merece nosso esforço, afinal ela se esforçou ainda mais por nós.

Mãe revisora, aqui, merece homenagem especial.

Mãe revisora
Braulio Mantovani

Dona Philomena

In Outras Revisões on 29 Abril 2009 at 9:50 am

À exceção de uma ou duas falhas de revisão, ia tudo muito bem. A moral da história, no entanto, nada tem com o conteúdo.

Fosse meu, finalizaria comprovando a inutilidade da mudança.

Dona Philomena
Biblioteca Virtual do Estado de São Paulo

O Maior dos Crimes

In Outras Revisões on 25 Abril 2009 at 2:59 am

É como matar toda uma nação.

O Maior dos Crimes
Charles Nodier

O maior dos crimes é matar a língua de uma nação com tudo aquilo que ela encerra de esperança e de gênio.

Mudança no Panorama

In Outras Revisões on 17 Abril 2009 at 6:12 pm

O trecho foi capturado do Minha Língua, que insiste na gentileza de nos citar.

Mudança no Panorama
Conceição Candeias

O panorama editorial tem vindo a mudar, levando a repensar (…) o lugar e a dimensão do revisor, a quem cada vez mais explicitamente se atribui o papel de mediador de processos de linguagem, afinador de intenções, facilitador de discursos.

Comer, Comer

In Outras Revisões on 12 Abril 2009 at 11:34 pm

Terminada a Quaresma, saboreie o que a vida oferece de melhor.

Comer, Comer
Francis Bacon

Há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir.

Coração de Criança

In Outras Revisões on 2 Abril 2009 at 5:05 pm

Hoje é Dia Internacional do Livro Infantil. Se precisa de um motivo, é o dia perfeito para presentear com um livro seu filho, sobrinho, primo, irmão.

Coração de criança

book_reader_by_november25thErnest Hemingway

Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua de mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança.

Nunca Usei o Trema

In Outras Revisões on 29 Março 2009 at 8:07 pm

Que você não entenda o trema, vá lá. Você não é presidente de Academia. Se fosse, jamais diria que nunca o usou, certo?

Não é o que pensa nosso presidente.

cicero-sandroniNunca usei o trema

Cícero Sandroni

Tem que simplificar, é bom que as pessoas leiam cada vez mais. Pode ser o texto mais complicado, mas vão ler com mais facilidade.

Vivendo Profundamente

In Outras Revisões on 25 Março 2009 at 1:07 am

É preciso viver com profundidade.

Vivendo profundamente

Ezra Pound

Os homens só podem compreender um livro profundo depois de ter vivido pelo menos uma parte daquilo que ele contém.

O Livro e a América

In Outras Revisões on 14 Março 2009 at 12:25 am

Hoje é Dia Nacional da Poesia. A data foi escolhida em tributo a Castro Alves. Nossa homenagem aos poetas e admiradores da poesia.

O livro e a América

Castro Alves

Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar, (…)

Perder-se

In Outras Revisões on 9 Março 2009 at 1:23 am

Perder-se

Stuart Kelly

Perder-se é a pior coisa que pode acontecer a um livro? Um livro perdido é capaz de propiciar um certo grau de satisfação de desejo. O livro perdido, assim como a pessoa que você nunca ousou tirar para dançar, torna-se infinitamente mais atraente simplesmente porque pode ser perfeito na imaginação.

Sobre Incêndios

In Outras Revisões on 27 Fevereiro 2009 at 11:56 am

Na realidade, há um livro que trata (não só) disto.

Subsolo

Pedro Süssekind

Aliás, deviam escrever um livro sobre os grandes incêndios em bibliotecas, desde a Alexandria até hoje, passando pelas fogueiras dos fascistas, disse. Seria uma história sobre os caminhos tortuosos pelos quais o conhecimento foi preservado, sobre as motivações obscuras e violentas que condenaram algumas coisas e consagraram outras, essas coisas.

Clube Literário

In Outras Revisões on 23 Fevereiro 2009 at 1:11 am

Desfile de escolas de samba é bom para relembrar os antigos. Neste caso, lembra acadêmicos criativos.

Clube literário

Jefinho et alii (Mocidade Independente de Padre Miguel)

cf-mocidade1Um show de poesia
Em nossa Academia
Saudade, em verso e prosa
Vai ficar

Consultório Ortográfico

In Outras Revisões on 15 Fevereiro 2009 at 4:58 pm

Descoberto o autor da charge, agora o artigo está completo. Nosso duplo agradecimento à Magda.

Consultório ortográfico

Marlon Tenório

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Café-da-Manhã

In Outras Revisões on 6 Fevereiro 2009 at 9:52 pm

Em homenagem aos tradutores que tanto visitam e comentam nosso blogue (não deixem de votar nas enquetes).

Café-da-Manhã

Sir Thomas Urquhart

Se as línguas fossem despojadas de tudo aquilo que não é originalmente delas, não teríamos condições (…) nem de comprar os artigos para o café-da-manhã no mercado.

A Coisa

In Outras Revisões on 30 Janeiro 2009 at 11:39 pm

Gosto muito de descrições de bibliotecas, principalmente das mais antigas.

O Livro

H. P. Lovecraft

Aquele lugar era muito velho, e as estantes que subiam ao teto cheias de volumes apodrecendo se estendiam infinitamente por salas internas e alcovas sem janelas. Havia, além disso, grandes pilhas disformes de livros no chão e em toscas arcas; e foi em uma dessas pilhas que eu achei a coisa.

Às Vezes Nunca

In Outras Revisões on 25 Janeiro 2009 at 11:58 pm

Um pouco de música para alegrar o blogue neste fim de domingo, véspera de aniversário.

Às vezes nunca

Humberto Gessinger

Às vezes nunca sei se as vezes leva crase
Às vezes nunca sei em que ponto acaba a frase (.,;?!…)
Você sempre soube (eu não sabia)
Toda frase acaba num riso de auto-ironia

(…)

E, se eu escrevesse sem com s, ou escrevesse cem com c?
Por acaso faria alguma diferença?
Que diferença faria?

Arma Poderosa

In Outras Revisões on 19 Janeiro 2009 at 6:22 am

arma-educacao

Arma poderosa

Nelson Mandela

A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.

Universalização

In Outras Revisões on 12 Janeiro 2009 at 11:31 pm

O texto completo, que nos foi trazido pela Milena, está em Zero Hora do último domingo.

Universalização

Flávio Tavares

Se retirar acentos universalizasse o mundo, não haveria matanças na Faixa de Gaza, pois o hebraico e o árabe não têm acentos gráficos!

A reforma ortographyca esquece que a etimologia e a fonética dão vida à língua e à cultura.

Fragmentos

In Outras Revisões on 3 Janeiro 2009 at 3:56 am

Para não perder o hábito, um pouco sobre livros antigos.

Fragmentos

Fabrício Carpinejar

Pouco crescemos
no que aprendemos,
o sabor

de um livro antigo
está em jovem
esquecê-lo.

Eu alterei
a ordem do teu ódio.
Fiz fretes de obras

na estante.
Mudava os títulos
de endereços

em tua biblioteca
e rastreavas, ensandecido,
aquele morto encadernado

que ressuscitou
quando havias enterrado
a leitura,

aquele coração insistente,
deixando atrás uma cova
aberta na coleção.

Receita

In Outras Revisões on 19 Dezembro 2008 at 12:01 pm

Receita pra lavar palavra suja

Viviane Mosé

Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio-dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.

Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar
e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.

(…)

Uma palavra limpa é uma palavra possível.

Meus Livros

In Outras Revisões on 14 Dezembro 2008 at 1:02 am

Já apaixonado por livros, recitei esta poesia há anos, ao me formar em Língua Espanhola. Quem me presenteou com ela foi o querido mestre Carlos Luz.

A poeta foi o primeiro Nobel de Literatura de nossa América Latina. Minha tradução é livre (saiba que estou longe de ser especialista).

Meus livros

Gabriela Mistral

Livros, calados livros das prateleiras,
Vivos em seu silêncio, ardentes em sua calma;
Livros, os que consolam, veludos da alma,
E que sendo tão tristes nos fazem a alegria!

Minhas mãos de dia ao desejo se renderam;
Mas ao chegar a noite os buscaram, amantes,
No buraco do muro onde como semblantes
Olham-me confortando-me aqueles que viveram.

Frase de Vidro

In Outras Revisões on 7 Dezembro 2008 at 2:52 am

Mais um ano vai chegando ao fim. Hora de organizar a vida para começar bem o próximo. O bom adicto de informática inicia justamente por um caprichado becape (não se esqueça de fazer o seu). E foi ordenando meus arquivos que encontrei esta epígrafe em um antigo texto de meu amigo Thiago, grande revisor cearense, criador da comunidade Revisores.

Frase de vidro

Ferreira Gullar

Quem tem frase de vidro não joga crase na frase do vizinho.

Era uma Vez…

In Outras Revisões on 23 Novembro 2008 at 9:50 pm

Sobre os livros

Rita Apoena

Era uma vez um leitor, curioso sobre a história dentro de um livro. Era uma vez um livro, curioso sobre os olhos daquele leitor. Era uma vez a história de um. Era uma vez a história de outro. Mas porque alguém tinha de dar o braço a torcer, o livro rendeu-se e começou o primeiro capítulo. Os livros sempre se rendem: não é à toa que eles capitulam.

Labirinto de Livros

In Outras Revisões on 9 Novembro 2008 at 12:31 pm

Minha sensação ao deparar com um labirinto de livros como este de Cabeça tubarão seria a mesma dos lendários João e Maria diante da casa de chocolate.

Labirinto de Livros

Steven Hall

Havia uma única lâmpada acesa e as paredes eram feitas de livros de capa dura dispostos como tijolos. (…) No centro da sala, havia uma escada em espiral que se erguia rumo ao teto. Ela era feita de livros encadernados em couro do tamanho de blocos de pedra, sem serem grandes ou exagerados demais, mas funcionais e imponentes como uma boa edificação.

Gramática Cantada

In Outras Revisões on 31 Outubro 2008 at 2:20 am

Esta canção foi-nos gentilmente apresentada pelo Davi.

Gramática

Sandra Peres e Luiz Tatit

O substantivo é o substituto do conteúdo
O adjetivo é a nossa impressão sobre quase tudo
O diminutivo é o que aperta o mundo e deixa miúdo
O imperativo é o que aperta os outros e deixa mudo

Passarela

In Outras Revisões on 25 Outubro 2008 at 1:12 am

Passarela

Italo Calvino

A palavra associa o traço visível à coisa invisível, à coisa ausente, à coisa desejada ou temida, como uma frágil passarela improvisada sobre o abismo.

Vende Frango-se

In Outras Revisões on 17 Outubro 2008 at 11:19 pm

Esta crônica, muito espirituosa, sobre um anúncio supostamente encontrado nas ruas do Rio de Janeiro, foi presente da Magda.

Vende frango-se

Martha Medeiros

Não importa a localização do sujeito indeterminado. Vive-se. (…)

Vende frango-se, e eu acho graça, e achar graça é uma coisa boa, sinal de que ainda não estamos tão secos, rudes e patrulheiros, ainda temos grandeza para promover o erro alheio a uma inesperada recriação da gramática. (…) Fica aqui minha homenagem à imperfeição.

Encadernação

In Outras Revisões on 12 Outubro 2008 at 1:22 pm

Cada vez que vou a uma livraria, impressiono-me positivamente com algumas capas, encadernações e ilustrações. A estética de hoje, claro, é diferente da antiga, mas há muita gente fazendo trabalho bem-feito.

Encadernação

Frédéric Finó

Era formado pelos manuscritos de custo elevado, com bela caligrafia e ricas miniaturas, que possuíam capas de madeira incrustadas de esmalte, pedras preciosas, placas de metal ou marfim trabalhado. (…) Às vezes as encadernações eram de veludo, damasco ou seda, com ricos bordados. Os fechos, de metal precioso, de costume, gravados ou recobertos com esmalte, representavam simples desenhos ornamentais ou o escudo de armas do proprietário do manuscrito.

Direito de Resposta ao Trema

In Outras Revisões on 3 Outubro 2008 at 4:25 pm

Ofereceram-lhe, como a todo condenado, ao menos a oportunidade de pronunciar suas últimas palavras. E foi assim que ele se despediu no Brogue do Cassano.

Direito de resposta ao trema

Roberto Cassano

Não venho aqui encher lingüiça nem esbanjar uma eloqüência inconseqüente. Estou tranqüilo quanto ao papel que venho desempenhando na sociedade, da qual tenho sido vítima com freqüência de ataques.

Não sou menino. Vivi e vi muito. Desde 43 que perambulo por estradas e ditongos da vida. Que o diga o U, este grande amigo a quem não me canso de garantir que tenha voz neste mundo de crescente exclusão.

(…)

Vou-me. Partirei de volta para o velho mundo, onde ainda há espaço para tremas, lamparinas e fados tristes. Saio desta vida para a ubiqüidade.

Mude o Canal

In Outras Revisões on 26 Setembro 2008 at 6:31 pm

Uma ótima dica da Joaninha para o fim de semana. Em vez de desperdiçar seu tempo…

Mude o canal

Clara Gomes

Questões Gramaticais

In Outras Revisões on 20 Setembro 2008 at 10:56 am

Mais um que vem do Além da revisão.

Questões gramaticais

João Ubaldo Ribeiro

A gramática é a mais perfeita das loucuras, sempre inacabada e perplexa, vítima eterna de si mesma e tendo de estar formulada antes de poder ser formulada – especialmente se se acredita que no princípio era o Verbo. Estou estudando gramática e fico pasmo com os milagres de raciocínio empregados para enquadrar em linguagem objetiva os fatos misteriosos da língua.

Palavras ao Vento

In Outras Revisões on 13 Setembro 2008 at 11:08 pm

Contribuição da Cássia, homenagem pelo casamento da minha prima-quase-irmã.

Palavras ao Vento

Adriana Falcão

A
Primeira letra do alfabeto que também é a primeira letra da palavra amor e se sente importantíssima por isso.

Alfabeto
Onde todas as letras separadas ficam juntas.

Ler
Ter o poder de viver outras vidas sem precisar nem sair da cama.

Letra
Cada uma das meninas do alfabeto quando elas não estão de mãos dadas.

Língua
A maestrina dos beijos e das palavras.

Livro
Onde moram as histórias.

Página
Cada uma das pétalas de um livro.

Sentinela

In Outras Revisões on 5 Setembro 2008 at 12:35 am

Este foi um achado da Fabinca. O texto completo está lá. É um interessante relato de um revisor apaixonado desde jovem pela profissão (qualquer semelhança haverá de ser mera coincidência).

Sentinela

Cyro Lacerda

E todos os dias, o revisor, que geralmente é moço e sonhador, deixando, num gesto de suprema renúncia, o aconchego do lar, a palestra com os amigos ou a diversão predileta, nos salões cheios de rumor e de luzes cambiantes, encaminha-se, indiferente às intempéries, para a sede do jornal, onde, na quietude de horas sonolentas, como sentinela avançada no seu posto de sacrifício, se dedica à tarefa anônima e sem glória de compor períodos sem sentido, de retirar pastéis, de melhorar a pontuação deslocada, de colocar corretamente pronomes, na certeza de que, se tudo sair na folha escorreito, sem falhas, os louvores serão para o redator que escreveu mal, à pressa, sem atenção…

Momento Bienal

In Outras Revisões on 30 Agosto 2008 at 1:25 am

Esta é parte de um roteiro desenvolvido (pelo que entendi) para o Festival do Minuto do próximo ano.

Momento Bienal

Sady Folch

Aluno de um Curso de Formação de Escritores entra na Bienal do Livro em São Paulo. A câmera faz a sua tomada de frente num plano americano e em seguida vai fechando até alcançar o close, quando registra a sua primeira e única fala. O aluno neste momento olha para todos os lados com um largo sorriso e diz:

— LIVROS!

Melodia

In Outras Revisões on 25 Agosto 2008 at 6:57 pm

Era apenas uma observação sobre programa saudosista que faz as teclas do computador soarem como máquina de escrever. A saudade fez-se poesia.

Melodia

Ednucci

Adoro ouvir as letras cantando, a melodia das frases, a sonoridade inspiradora das idéias sendo escritas.

Companhia da Arte

In Outras Revisões on 17 Agosto 2008 at 9:30 pm

A Poetriz nos presenteou com esta bela citação de Drummond.

Companhia da arte

Carlos Drummond de Andrade

Por outro lado, a solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos.

Mestres Mudos

In Outras Revisões on 8 Agosto 2008 at 11:26 pm

Mestres mudos

Padre Antônio Vieira

São os livros os mestres mudos que ensinam sem fastio, falam a verdade sem respeito, repreendem sem pejo, amigos verdadeiros, conselheiros singelos; e assim como à força de tratar com pessoas honestas e virtuosas se adquirem, insensivelmente, os seus hábitos e costumes, também à força de ler os livros se aprende a doutrina que eles ensinam.

Primeiro Livro

In Outras Revisões on 1 Agosto 2008 at 10:20 am

Esta citação vem do Luz de Luma, que recentemente publicou uma lista de seus cinqüenta livros favoritos.

Primeiro livro

Carlos Ruiz Zafón

Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos –, vamos regressar.

Cabeça de Tijolo

In Outras Revisões on 26 Julho 2008 at 8:27 pm

Esta é mais uma citação retirada do pequeno grande O livro entre aspas.

Cabeça de tijolo

Lord Chesterfield

Compre e leia bons livros; os melhores livros são os mais comuns, e as últimas edições são sempre as melhores, a menos que os editores tenham um tijolo no lugar da cabeça.

Significados

In Outras Revisões on 20 Julho 2008 at 9:56 pm

Significados

Lewis Carroll

Quando uso uma palavra, disse Humpty Dumpty em tom desdenhoso, ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique, nem mais nem menos.

A questão, retrucou Alice, é saber se você pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.

A questão, replicou Humpty Dumpty, é saber qual a palavra que manda – isso é que conta.

Inimigos

In Outras Revisões on 13 Julho 2008 at 3:48 pm

No caso dos homens, eu acrescentaria à lista o provedor de internet e a operadora telefônica, que nos deixam deliberadamente sem a possibilidade de publicar. Pela ausência me desculpo.

Inimigos

Paul Valéry

Os livros têm os mesmos inimigos que os homens: o fogo, a umidade, os animais, o tempo e o próprio conteúdo.

Conjugação Esperta

In Outras Revisões on 4 Julho 2008 at 4:44 pm

A crônica completa está no nosso já bem conhecido Além da revisão, que tem ótimas crônicas e poesias sobre revisão e língua portuguesa.

Conjugação Esperta

Thirsa Costa

Naquele dia eu perguntava à classe como era classificado o aqui. Reginaldo, sem titubear, respondeu antes de os colegas raciocinarem.

— É verbo.

— Hmm! Pois se é verbo — disse eu —, conjugue. Voz bem alta, para todo mundo aprender, gracinha de garoto…

O rapazinho, olhar maroto, ficou de pé, fechou os olhos e atendeu ao pedido, meio sério, meio riso abafado:

— Eu aqui, tu ali, ele lá. Nós aquém, vós além, eles acolém.

Sonho

In Outras Revisões on 1 Julho 2008 at 10:36 pm

Você sabe que apóio a bibliofilia. Ademais, sou especialmente fã daqueles que, nascendo neste mundo em que o livro tem concorrentes tão fortes, reconhecem desde cedo seu valor.

Paula Akkari tem dez anos. É poeta e leitora voraz. Um exemplo a ser seguido.

Os livros

Paula Akkari

Os livros carregam o mundo

(…)

Antes de dormir

Os livros me fazem sorrir

Sonho em morar em uma livraria

Que bom seria!

Autor Revisor

In Outras Revisões on 22 Junho 2008 at 3:36 am

Costumeiramente, experimentados na profissão, somos inocentes ao presumir que podemos revisar nosso próprio texto.

Autor Revisor

Adriano da Gama Kury

Advirta-se que quase nunca o autor é o revisor mais indicado, porquanto, ao ler o seu texto, acompanha mais o seu próprio pensamento do que as letras impressas na prova, deixando escapar erros tipográficos – gralhas e pastéis – que, uma vez impressos, podem comprometer irremediavelmente a fidelidade do texto.

Terapia

In Outras Revisões on 14 Junho 2008 at 3:35 am

Terapia

Max Frisch

A literatura pode ser uma boa terapia pessoal, uma espécie de psicanálise na qual não se paga um psicanalista.

Palavras Concretas

In Outras Revisões on 6 Junho 2008 at 10:09 pm

Vale não só para as crianças, mas também para os adultos. Devemos ler muito e ter sempre um bom dicionário por perto.

Palavras Concretas

Ruth Rocha (capa da revista Língua Portuguesa)

As crianças têm mais dificuldade com idéias abstratas do que com palavras concretas. Quando não conhece a palavra, pela frase mata o significado. Aliás, é assim que apreendemos palavras: lendo e não entendendo. Aí a gente deduz ou vai ao dicionário.

Jardim de Livros

In Outras Revisões on 31 Maio 2008 at 11:41 pm

Jardim de livros

Samuel ibn Tibbon

Deixe as estantes de livros e suas prateleiras serem seus jardins e seu espaço de prazer. Colha as frutas que aí crescem, junte as rosas, as especiarias e a mirra.

Televisão Educativa

In Outras Revisões on 26 Maio 2008 at 9:54 pm

Sou um entusiasmado seguidor desta filosofia (e de outras) de Marx (o Julius Henry, que o vulgo denomina Groucho). A citação vem de um ótimo artigo do André Gazola.

Televisão Educativa

Groucho Marx

Eu acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém a liga, eu vou para a outra sala e leio um livro.

Papo Furado

In Outras Revisões on 18 Maio 2008 at 10:07 pm

Há momentos em que o melhor é ficar quieto e nem tentar explicar, pois o que era ruim pode ficar ainda pior.

Papo Furado (sem hífen, a contragosto)

Rafinha Bastos e Marcelo Mansfield

O vídeo vem direto, mas com escala, do blogue sem nome da Renata Miloni.

Areopagítica

In Outras Revisões on 9 Maio 2008 at 10:05 pm

Ainda que muitas vezes a própria imprensa não o faça por merecer, celebrou-se na última semana o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Aqui temos parte do discurso considerado grande marco na luta em prol dessa liberdade no mundo ocidental.

Areopagítica

John Milton

Matar um homem pode ser até melhor que matar um bom livro. Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita à imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus como no olho. Muitos homens não passam de um fardo sobre a Terra. Mas um bom livro é o precioso sangue do espírito superior, conservado e guardado com vistas a uma vida para além da vida.

Poema do Trema

In Outras Revisões on 2 Maio 2008 at 1:39 am

Este simpático poema vem da longínqua Juazeiro de Ubiqüera (com trema) e foi encontrado no Só mais um blog…, que, como nós, promove uma cruzada pela manutenção do trema.

Poema do Trema

Iracema Serafim

Os países de língua portuguesa
tramam um oculto ataque
realizarão, com certeza
à minha língua um achaque

Querem roubar o trema
como se trouxessem melhora
mas só vão trazer problema
se ele se for embora

Quem não assinou a reforma
foi o grande Portugal
Querem mudar de qualquer forma
e vão fazer um grande mal

Sacar do “U” o trema
é como tirar do ovo a gema
ou o canto da seriema
Deixem a língua quieta
não tirem o charme que resta
a única coisa que presta

Suprimam do hiato o agudo acento
ou da paroxítona o sinal
mas se tiram o trema não agüento
É o juízo final!

Não fique afoito,
não tema
tem até 2008
para usar o trema

E mesmo que proibido
vou usá-lo mesmo assim
Ou faço isso ou não me chamo
Iracema Serafim

Acordista

In Outras Revisões on 25 Abril 2008 at 1:12 am

Na página em que mostra toda a sua justificadíssima revolta, o tradutor João Roque Dias, que faz a gentileza de divulgar nosso link ao outro lado do oceano, explica uma das mais novas palavras de nosso léxico.

Acordista

João Roque Dias

acordista. s. m. e f. Pessoa particularmente iluminada dos países lusófonos que pretende pôr toda a gente a escrever a Língua Portuguesa da mesma maneira por meio de acordos ortográficos, independentemente das muitas diferenças existentes, há muito tempo, nas versões faladas e escritas da língua em diversos locais do mundo. = SONHADOR.

O Verbo Errar

In Outras Revisões on 18 Abril 2008 at 1:34 am

O texto completo, que nos foi presenteado pela Leticia no Dia do Revisor, está nos comentários do nosso dia.

O Verbo Errar

A.M., revisora

Acredito francamente que todo aquele que trabalha com a opinião pública deveria, um dia na vida, revisar. Mais que um saudável treino do nosso vernáculo, é uma lição de modéstia e humildade que não vai mal a ninguém. Porque errar – e o revisor sabe disso – é o mais humano dos verbos.

Vírgula

In Outras Revisões on 16 Abril 2008 at 5:40 pm

Você pediu e o Revisor postou. Um agradecimento especial à Cássia, que me mandou o vídeo há dias; e à Joíra, que foi a 15ª pessoa a me falar sobre ele e me fez ter a certeza de que eu não poderia mais evitar postá-lo.

A campanha é da Africa para a ABI, que completa 100 anos. A voz (que você conhece bem do Museu da Língua) é do ator Matheus Nachtergaele.

Vírgula
Associação Brasileira de Imprensa

Vovó Poetisa

In Outras Revisões on 11 Abril 2008 at 12:02 pm

Esta delicada poesia vem do Coisas sobre nada, que, por sua vez, encontrei no Diários de bicicleta. São duas de minhas mais recentes grandes descobertas neste tão rico mundo virtual. Curiosamente a imagem do blogue é uma joaninha, alcunha por que atendia minha querida e saudosa avó.

Vovó poetisa

Caio Barretto

Minha avó costura como quem faz poesia

cada linha é um verso

cada ponto, uma palavra.

Os versos da vovó me protegem

do frio.

Revisão e Reclamação

In Outras Revisões on 5 Abril 2008 at 4:05 am

Famosa por suas choradeiras, nossa amiga Fabiana, coordenadora de uma pós-graduação em revisão de textos no Sul do país, escreveu sobre as reclamações (ou choradeiras) do cliente.

Revisão e reclamação

Fabiana Fidelis

Os melhores autores são os que menos reclamam quanto ao processo de revisão e produção do livro para ser publicado. Auxiliam e ficam atentos a todas as possibilidades de ajudar a tornar o livro melhor. Reconhecem, sobretudo, que um livro é feito a muitas mãos (…)

Não sou chefe de nada e não tenho poder algum, exceto o de fazer marcas com caneta azul.

História da Revisão

In Outras Revisões on 28 Março 2008 at 2:25 am

Você sabe que não sou de citar textos longos, mas nossa história clama pela exceção no dia de hoje. Parabéns, Revisor.

História da Revisão

André Thérive

Nossos antepassados tinham uma ortografia muito fantasista, mesmo os autores geniais. (…) E, ademais, eles contavam com os impressores [leia-se revisores] para porem seu texto em condições convenientes. (…) Basta lembrar o papel capital que desempenhava o corretor [revisor] antes do século XIX. Hauria ele, aliás, seus títulos de nobreza da própria tradição.

Desde o século XV os impressores [revisores] eram forçosamente a um tempo artesãos e eruditos, como sucessores, de resto, dos empresários da cópia manuscrita, os quais foram, fatalmente também, latinistas, graduados universitários, clérigos. O mais antigo nome conhecido dessa corporação é o de P. Prielis, de Mogúncia, que corrigiu o Psalterius benedictinus de 1459, impresso por Fust e Schoeffer, concorrentes de Guttenberg; e numerosos dignitários eclesiásticos figuram nos anais da correção [revisão] nos tempos dos incunábulos. (…) Encontraram-se, nos acervos das grandes bibliotecas, manuscritos que tinham sido preparados para a composição, na Alemanha, na Inglaterra, na França. Nada mais comovedor do que manusear esses documentos de uma profissão venerável, em que a intelectualidade e a técnica se unem mais visivelmente do que alhures. (…)

As correções são feitas com grafita ou a lápis vermelho. Sabe-se o bastante para afirmar que a correção [revisão] se tornou uma profissão desde fins do século XVI. Essa profissão alimentou, nos seus inícios, escritores notáveis; na França, Amyot, Gui Patin, Suard, Michelet, Proudhon nela se amamentaram.

Cabe um aparte: no Brasil, Machado de Assis, pai e filho Verissimo e Graciliano Ramos são só alguns dos nomes ilustres que freqüentam nossa lista de colegas de profissão.

Feiçoamento do Livro

In Outras Revisões on 21 Março 2008 at 11:33 pm

Por falar em antigüidade, isto foi dito em 1955, numa obra já há muito esgotada (e talvez sequer traduzida para o português), citada por Antônio Houaiss em seus Elementos de bibliologia (título idêntico a um argentino 27 anos mais velho que curiosamente não aparece em sua extensa bibliografia).

Feiçoamento do livro

Seán Jennet

É um engano, e sério e bobo engano, subestimar o revisor, pois dele depende não pouco da reputação de uma casa impressora. (…) As qualificações requeridas dele são extensas. Deve ter olho agudo e mente aberta. (…) O revisor faz o que pode e não raro fá-lo surpreendentemente bem.

O que Será

In Outras Revisões on 14 Março 2008 at 8:58 pm

Já que a Joice, no último tópico, lembrou Oscar Wilde, aqui vai uma citação dele, retirada de A paixão pelos livros.

O que será

Oscar Wilde

É o que você lê quando não tem de fazê-lo que determinará o que você será quando não puder evitar.

Mares Perigosos

In Outras Revisões on 7 Março 2008 at 1:52 pm

novel-by-vermin-star.jpgMais uma preciosidade retirada do magnífico O livro entre aspas.

Mares perigosos

Jesse Lee Bennet

Os livros são bússolas e telescópios, os sextantes e mapas que outros homens construíram para nos ajudar a navegar pelos mares perigosos desta vida humana.

Aos Estudiosos da Língua

In Outras Revisões on 29 Fevereiro 2008 at 11:33 pm

Aos estudiosos da língua

Laudelino Freire

Aos que, não dispondo de tempo e vagar para se darem ao estudo da língua, desejam todavia escrever correto, aconselhável é que organizem uma pequena biblioteca, para esse fim apropriada, da qual possam utilizar-se nos breves ócios do labor quotidiano.

Amigos

In Outras Revisões on 24 Fevereiro 2008 at 1:49 am

book-in-chinese.jpg

Uma pequena homenagem aos velhos e novos bons amigos.

Amigos

Provérbio Chinês

Ler um livro pela primeira vez é conhecer um novo amigo; lê-lo pela segunda vez é encontrar um velho amigo.

Árdua Tarefa

In Outras Revisões on 16 Fevereiro 2008 at 9:38 pm

Árdua tarefa

Henry Saatkamp

A revisão é tarefa árdua, que exige dos profissionais dupla atenção: para o sentido do texto e para sua correção ortográfica. Por mais diligentes que sejam, o erro, solerte, se insinua onde menos se espera; num título, por exemplo.

Teste de Vista

In Outras Revisões on 8 Fevereiro 2008 at 10:26 pm

Em homenagem ao nosso amante da cultura do tópico anterior, um dos Cem menores contos brasileiros do século.

Teste de vista

Moacyr Godoy Moreira

Ler? Não, senhor. São óculos para descanso.

Língua Portuguesa

In Outras Revisões on 1 Fevereiro 2008 at 10:50 am

Talvez a mais marcante homenagem que nossa língua já tenha recebido. As análises de sua pertinência nos dias de hoje você pode fazer nos comentários.

Língua portuguesa

Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

A Uva e o Vinho

In Outras Revisões on 28 Janeiro 2008 at 11:25 am

lilac-wine.jpg

A uva e o vinho

Eduardo Galeano

Um homem dos vinhedos falou, em agonia, ao ouvido de Marcela. Antes de morrer, revelou-lhe seu segredo:
— A uva — sussurrou — é feita de vinho.
Marcela Pérez-Silva me contou isso, e eu pensei: se a uva é feita de vinho, talvez nós sejamos as palavras que contam o que somos.

A Biblioteca

In Outras Revisões on 18 Janeiro 2008 at 2:24 pm

Quando criança, uma diversão nas férias em família era vivenciar momentos maravilhosos, antes de dormir na cama improvisada da biblioteca de meu avô, passando a mão pelos livros e admirando as lombadas. A sensação era a mesma vivida pela Menina que roubava livros.

maos-e-livros.jpg

A Biblioteca

Marcus Zusak

Correu o dorso da mão pela primeira prateleira, ouvindo o arrastar de suas unhas deslizar pela espinha dorsal de cada livro. Soava como um instrumento, ou como as notas de pés em correria. Ela usou as duas mãos. Passou-as correndo. Uma estante encostada em outra. E riu. (…) Em quantos livros havia tocado? Quantos havia sentido?

Sorte dos Livros

In Outras Revisões on 11 Janeiro 2008 at 3:24 pm

Infelizmente, em português não é possível (ao menos não com minha parca capacidade poética) manter todas as rimas e trocadilhos. Por isso transcrevo o original francês (não deixe de notar a semelhança entre o segundo e o quarto verso) do epigrama anônimo do século XIX. 

Sorte dos livros

Autor Desconhecido

A sorte dos homens é esta:
Muitos chamados, poucos elegidos;
A sorte dos livros, ei-la aqui:
Muitos deletreados, poucos lidos.

Le sort des hommes est ceci:
Beaucoup d’appelés, peu d’élus;
Le sort des livres, le voici:
Beaucoup d’épelés, peu de lus.

Bichos Leitores

In Outras Revisões on 4 Janeiro 2008 at 9:17 pm

Da excelente autobiografia (que, por injustiça e falta de espaço, ficou fora de minha lista) A louca da casa (obrigado, Cássia).

Bichos leitores

Rosa Montero

joaninha.jpgSomos, por definição, bichos leitores. Roemos as palavras dos livros incessantemente, como a carcoma emprega todo o seu ser ao devorar madeira. (…) Como se pode viver sem a leitura? Deixar de escrever pode ser a loucura, o caos, o sofrimento; mas deixar de ler é a morte instantânea. Um mundo sem livros é um mundo sem atmosfera, como Marte. Um lugar impossível, inabitável.

A Letra e a Voz

In Outras Revisões on 27 Dezembro 2007 at 1:04 am

Por falar em terra natal, o autor é meu conterrâneo, revisor (além de poeta e professor). Foi lá que tomei emprestada a obra, que o autor presenteou a meu avô.

A letra e a voz

Edimilson de Almeida Pereira

O que ouço é o texto ou a voz de quem o leu? Um e outra atravessam os moradores da casa, só rumores. Pardais no teto, rusga entre os netos. O chão vocifera, um vaso se parte. Cada um, à sua maneira, engorda os cômodos, quando conversa. As plantas e as pedras nos ocupam com seus dialetos. Mas ouvimos, no meio de tudo, talvez um texto e a voz que o lê. Se é notícia rude ou sorte, se é nossa gente, como saber? No rascunho da tarde, escutar é um ato de espionagem.

Falha Humana

In Outras Revisões on 21 Dezembro 2007 at 11:29 pm

E é para solucionar este tipo de problema que existem os revisores. 

Falha Humana

Guglielmo Cavallo

Em toda ação humana, quase por necessidade, ocorrem erros; porém, onde surgem mais facilmente e são mais numerosos e com diferentes formas é na impressão dos livros; e não posso imaginar outra coisa onde possa haver mais.

Os Livros Nossos Amigos

In Outras Revisões on 14 Dezembro 2007 at 9:29 pm

Comprei a primeira edição de Os livros nossos amigos, de Eduardo Frieiro, ao saber que um dos capítulos foi suprimido na segunda edição. A curiosidade foi insuportável.

1941. Justamente na página inicial do capítulo excluído, um recorte de jornal (algum belo-horizontino) do domingo, 3 de agosto, quando Oslo decretava estado de sítio pela invasão nazista. Maus tempos. No verso do mesmo recorte, uma merecidamente elogiosa crítica ao livro.

Os livros nossos amigos

Aires da Mata Machado Filho

O mistério desse encanto diferente encontra explicação na frase de Charles Nodier: Depois do prazer de possuir livros, não há outro mais grato que o de falar deles. Esse prazer de versar o assunto predileto (…) convida suavemente à doce amizade dos livros até os contumazes e mal-ensinados que chegam a cometer a monstruosidade de não os amar apaixonadamente.

O capítulo suprimido? A lista de 20 livros para uma biblioteca mínima. A idéia é boa, mas nem mesmo o autor confia em sua lista. Eu prefiro as nossas.

Arte de Amar os Livros

In Outras Revisões on 7 Dezembro 2007 at 11:59 pm

Se minha lista tivesse mais dez livros, certamente haveria espaço para Os livros nossos amigos.

Arte de amar os livros

Eduardo Frieiro

Há uma arte de amar os livros, como há uma arte de amar ovidiana, uma arte de amar o amor. Querer bem aos livros é sentimento que se parece muito com o amor dos sexos. Em ambos os casos há sensualidade e egoísmo. Não são raras as pessoas que sentem a necessidade física da leitura. O volume de prosa ou verso ocupa na vida de alguns eleitos um lugar tão importante como a mesa, o sono e o amor.

Perda de Tempo

In Outras Revisões on 30 Novembro 2007 at 12:37 am

Não que eu concorde inteiramente, mas não deixa de ser uma visão interessante.

Perda de Tempo

George Bernard Shaw

Eis o que eu chamo perder tempo… Nada há sobre a Terra tão precioso como um bonito livro, com as colunas bem feitas, duma escritura em rica tinta negra, com belas cercaduras e lindas imagens iluminadas, sabiamente intercaladas na página. Mas em nossos dias, ao invés de olhar os livros, as pessoas os lêem.

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Ler ou Escrever

In Outras Revisões on 23 Novembro 2007 at 11:24 am

Isto, por exemplo, eu gostaria de escrever.

Ler ou escrever

Jorge Luis Borges

Tenho para mim que sou essencialmente um leitor. Como sabem, eu me aventurei na escrita; mas acho que o que li é muito mais importante do que o que escrevi. Pois a pessoa lê o que gosta – porém não escreve o que gostaria de escrever, e sim o que é capaz de escrever.

Neologismo

In Outras Revisões on 17 Novembro 2007 at 11:54 pm

Na última manhã, o jornalista Zeca Camargo foi entrevistado no programa da Angélica (que está de licença). A entrevista se passou no Museu da Língua, mas infelizmente não pode ser encontrada na página da Globo.

Em determinado momento, entrevistado e repórter conversavam sobre a formação de novas palavras na língua portuguesa, o que me lembrou como tudo isso começou e tomou corpo.

Emília no País da Gramática

Monteiro Lobato

— Mexo e remexo! — replicou a boneca, batendo o pezinho, e foi e abriu a porta e soltou o Neologismo, dizendo: — Vá passear entre os vivos e forme quantas palavras novas quiser. E, se alguém tentar prendê-lo, grite por mim, que mandarei o meu rinoceronte em seu socorro.

Dona Sintaxe ficou um tanto passada com aquele rompante da Emília, mas nada disse.

Lição para o Dia-a-Dia

In Outras Revisões on 12 Novembro 2007 at 5:48 pm

Em nossa vida atribulada, às vezes não nos sobra tempo para nada, mas há coisas das quais não deveríamos nos privar.

Lição para o Dia-a-Dia

Johann Wolfgang von Goethe

Deveríamos, todos os dias, ouvir uma pequena canção, ler um bom poema, ver uma boa pintura e, se possível, dizer umas poucas, mas razoáveis palavras.

Imprescindível

In Outras Revisões on 2 Novembro 2007 at 11:54 pm

Mesmo quarenta e um anos depois, guardadas as diferenças tecnológicas, a importância do revisor continua a mesma.

Imprescindível

R. P. de Azambuja

Nenhuma oficina gráfica, por mínima que seja, pode prescindir do trabalho do revisor.

Desde as mais modestas até as de grandes recursos, a todas é indispensável o trabalho do revisor, para que a sua produção – isenta dos senões que a humana imperfeição é capaz de corrigir – possa ser considerada pelo menos boa.

L.I.V.R.O.

In Outras Revisões on 26 Outubro 2007 at 7:01 pm

O texto pode ser lido na íntegra aqui.

L.I.V.R.O.

Millôr Fernandes

Na virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de
tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas,
Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O
.

L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem
fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada
nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta
abri-lo!

Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado
como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro.

Suíça Brasileira

In Outras Revisões on 19 Outubro 2007 at 11:32 pm

A referência é ao fantástico projeto de Luiz Amorim, que faz história em Brasília há alguns anos com seu açougue cultural.

A Parada Cultural é mais uma das grandes iniciativas do açougueiro, que já fazem parte da paisagem e do cenário cultural de Brasília.

Suíça brasileira

Cristovam Buarque

Quando eu era menino, ouvia dizer que o símbolo máximo da civilização era a Suíça, porque lá as pessoas compravam os jornais na rua, sem vendedor algum para atender, e deixavam o dinheiro do pagamento no local. Mas agora, em 2007, vejo que a Suíça perdeu esse posto para Brasília, porque aqui nós temos uma biblioteca pública funcionando 24h, onde é o próprio leitor quem anota os dados de identificação para levar o livro para casa e devolve depois.

Infância entre Livros

In Outras Revisões on 12 Outubro 2007 at 2:11 pm

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O dia de hoje faz-me recordar de um belíssimo tópico do Interlúdio.

Passei minha infância rodeado de livros, mas um de meus prediletos foi certamente este e toda a sua coleção. E o seu, qual foi?

Infância entre Livros

Heinrich Mann

Crianças aprendem a ler na presença de livros. Nenhuma pessoa tem o direito de criar filhos sem rodeá-los de livros.

No Silêncio da Biblioteca

In Outras Revisões on 5 Outubro 2007 at 11:20 pm

A Cássia postou, mês passado, em seu antigo Olhos Caramelos (antigo porque mudou de endereço). Gostei e copiei.

No silêncio da biblioteca

Simone de Beauvoir

Escondidas no silêncio da biblioteca, mascaradas pela escura monotonia das capas, todas as palavras estavam lá, esperando que eu as decifrasse. Eu sonhava me enfurnar naqueles corredores poeirentos, e nunca mais voltar.

Arte-Final

In Outras Revisões on 28 Setembro 2007 at 10:18 pm

A sugestão é da Cássia, que leu no blogue da Juliana.

Arte-final

Affonso Romano de Sant’Anna

Não basta um grande amor
            para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
            que o amor da gente.

O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o ato,

            — quem toma uma por outra
            confunde e mente.

Obras Perdidas

In Outras Revisões on 21 Setembro 2007 at 11:21 pm

Obras perdidas

Julio Ramón Ribeyro

Lendo Cervantes há pouco tempo, passou por mim um sopro que infelizmente não tive tempo de captar (por quê? Alguém me interrompeu, o telefone tocou, sei lá), pois lembro que me senti impulsionado a começar algo. Depois tudo se dissolveu. Todos nós conservamos um livro, talvez um grande livro, mas que no tumulto da nossa vida interna rara vez emerge, ou o faz tão rapidamente que não temos tempo de arpoá-lo.

Súplica do Livro

In Outras Revisões on 14 Setembro 2007 at 6:31 pm

É bom ser bem-tratado. Dia desses comprei dois ótimos livros pela internet em um sebo. Junto com o livro, um simpático folheto em papel reciclado com textos sobre livros. Foi aí que li o seguinte, cujo autor não consegui encontrar.

Súplica do livro

Desconheço a autoria

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Não me manuseie com mãos sujas;
Não escreva em minhas páginas;
Não rasgue nem arranque minhas folhas;
Não apóie o cotovelo sobre minhas páginas durante a leitura;
Não me deixe sobre cadeiras ou lugares que não sejam meus;
Não me deixe com a lombada para cima;
Não coloque entre minhas folhas objeto algum mais espesso que uma folha de papel;
Não dobre os cantos de minhas folhas para marcar o ponto em que parou a leitura;
Use para isso uma tira de papel ou marcador apropriado;
Terminada a leitura, devolva-me ao lugar certo ou a quem deva guardar-me;
E ajude-me a conservar-me limpo e perfeito e eu o ajudarei a ser feliz.

Arte de Ler

In Outras Revisões on 7 Setembro 2007 at 4:51 am

A Arte de Ler

Mario Quintana

O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

Livros e Músicos

In Outras Revisões on 31 Agosto 2007 at 11:08 pm

Aos novos músicos de minha família (e aos demais, que dão harmonia à vida), esta singela canção, para emprestar um pouco de ritmo ao nosso blogue.

violin-chair.jpgLivros

Caetano Veloso

Tropeçavas nos astros desastrada

Quase não tínhamos livros em casa

E a cidade não tinha livraria

Mas os livros que em nossa vida entraram

São como a radiação de um corpo negro

Apontando para a expansão do Universo

Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso

(E, sem dúvida, sobretudo o verso)

É o que pode lançar mundos no mundo.

Tipografia

In Outras Revisões on 24 Agosto 2007 at 12:08 am

Tipografia

Robert Bringhurst

A tipografia está para a literatura assim como a performance musical está para a composição: é um ato especial de interpretação, cheio de infinitas possibilidades para a iluminação ou para a estupidez.

Profecia

In Outras Revisões on 17 Agosto 2007 at 12:34 am

Para você não dizer que sou um idealista quando digo que os livros não acabarão, a Bíblia já o profetizava, no Velho Testamento. A dica é do Tom, amigo revisor de livros cristãos.

Eclesiastes 12:12

Salomão

Filho, há mais uma coisa que eu quero dizer: os livros sempre continuarão a ser escritos; e estudar demais cansa a mente.

bxk_biblia.jpg

Lutar com Livros

In Outras Revisões on 10 Agosto 2007 at 11:36 am

Lutar com Livros

Nick Hornby

Se montássemos um campeonato imaginário de boxe e obrigássemos os livros a lutar 15 rounds contra o melhor de qualquer outra forma de arte, os livros ganhariam quase todas as lutas.

colourless-bernau.jpg

Tranqüilidade

In Outras Revisões on 3 Agosto 2007 at 3:55 am

Tranqüilidade

Thomas Kempis

Busquei a tranqüilidade em todos os lugares, mas só a encontrei sentado sozinho em um canto com um pequeno livro.

Dedicatória

In Outras Revisões on 27 Julho 2007 at 3:38 am

Esta dedicatória ela escreveu para José Olympio, seu editor (seu e de enormes nomes de nossa literatura). É uma singela homenagem a quem está por trás das letras.

Dedicatória

Raquel de Queiroz

A gente entrega um monte de papel datilografado, riscado, torturado. Desses cadernos sofridos você faz essa bela e nobre coisa que é um livro, e o reproduz em dezenas de milhares e o espalha por esse mundo. Então nos fica essa dúvida: de quem é mais o livro? Seu ou nosso?

Dia do Escritor

In Outras Revisões on 25 Julho 2007 at 5:17 am

Saramago diz que Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não.

Hoje é Dia Nacional do Escritor. O que isso significa? Com a palavra, Gabriel Perissé: No Dia do Escritor comemoramos a solidão diante da palavra, a verdade, o medo, a alegria, o amor indizíveis de só saber escrever.

Neste dia, tivemos a felicidade, a honra de ser homenageados pelo Lendo.org. O mesmo blogue sugere um questionário interessante para o dia de hoje, que vou respondendo aos poucos. Fico, por ora, com a última das questões: Uma frase para o Dia do Escritor: Escrever é uma forma de a voz sobreviver à pessoa. Margaret Atwood.

Grammatica Portugueza

In Outras Revisões on 20 Julho 2007 at 12:28 am

Não que eu concorde, mas…

Grammatica Portugueza pelo Methodo Confuso (1928)

Mendes Fradique

Grammatica é a arte de fallar e escrever incorrectamente uma lingua. Segundo affirmam os grammaticos, a grammatica é o conjunto de regras tiradas do modo pelo qual um povo falla usualmente uma lingua. Ora, o povo falla sempre muito mal, e escreve ainda peiormente; logo, não é de estranhar que seja a grammatica a arte de fallar e escrever incorrectamente uma lingua.

História do Cerco de Lisboa

In Outras Revisões on 13 Julho 2007 at 2:43 am

 

Bom lembrar que Saramago não é muito adepto da pontuação normal da língua portuguesa.

História do Cerco de Lisboa

José Saramago

deleatur.jpg

Disse o revisor, Sim, o nome deste sinal é deleatur, usamo-lo quando precisamos suprimir e apagar, a própria palavra o está a dizer, e tanto vale para letras soltas como para palavras completas, Lembra-me uma cobra que se tivesse arrependido no momento de morder a cauda, (…) Faça-me aí o desenho, mas devagar, É facílimo, basta apanhar-lhe o jeito, quem olhar distraidamente cuidará que a mão irá traçar o terrível círculo, mas não, repare que não rematei o movimento aqui onde o tinha começado, passei-lhe ao lado, por dentro, e agora vou continuar para baixo até cortar a parte inferior da curva, (…) em verdade lhe digo, senhor doutor, se me posso exprimir em estilo profético, que o interesse da vida onde sempre esteve foi nas diferenças.

O Segredo do Revisor

In Outras Revisões on 6 Julho 2007 at 11:42 pm

O segredo do revisor

Vicente Cachelero

Para Aurélio Buarque de Holanda,
que foi também revisor (em memória)

Os homens erram muito.
E ele corrige, meio louco, feito Aguirre,
tirando chapéu de cabeça
ou pondo-o, conforme o caso.

Viu que Camões é quase nórdico de frio
em sua epopéia e que a saudade é doença latina
a latejar no canto escuro cordial.
Pensa em Pierre Larousse que amava os revisores,
em Erasmo de Rotterdam, Servet, Machado de Assis.

(…)

O revisor revisou o mundo e viu: Deus
no malogro, em lodo, num lago de logos,
escondido e disfarçado nas mil faces da matéria
e do informe, do indizível. Face invisa.

E reconheceu, conforme, que só assim
Deus lograria a Si salvar
escapando ao pente fino das razões,
à cética revisão dos homens.
E o revisor guardou, pra si, esse segredo.
Baixou então o dê de Deus, conivente:
a protegê-Lo, para proteger a si.

Por fim, pensou: “Os homens erram muito mesmo:
são pedantes, distraídos e vulgares”.

Qual as Lavadeiras

In Outras Revisões on 29 Junho 2007 at 12:27 am

Certa feita, em entrevista concedida no ano de 1948, o escritor e revisor falou, com a genialidade que lhe era peculiar:

Qual as lavadeiras

Graciliano Ramos (revisor)

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Epitáfio

In Outras Revisões on 22 Junho 2007 at 12:00 am

Esta poesia faz parte da minha mais nova aquisição, o fantástico A paixão pelos livros. Escrita por Franklin, não foi parar em sua lápide, o que é uma pena, mas é só vocês não contarem esse pormenor a ninguém.

Epitáfio

Benjamin Franklin

livro-vida.jpgAqui
O corpo
de
Benjamin Franklin, Impressor
(como a capa de um velho livro,
com seu conteúdo rasgado,
desbotados seus títulos e dourações)
jaz alimento para os vermes.
No entanto a obra não se perderá
Pois irá (como ele acreditava) reaparecer
Em uma nova
E mais bela edição,
Revista e corrigida
Pelo Autor.

Antes do Nome

In Outras Revisões on 16 Junho 2007 at 1:56 am

Antes do nome

Adélia Prado

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o “de”, o “aliás”,
o “o”, o “porém” e o “que”, esta incompreensível
muleta que me apóia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infreqüentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.

Erro de Português

In Outras Revisões on 8 Junho 2007 at 3:54 am

Erro de português

Oswald de Andrade

Quando o português chegou

Debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

O português.

Como um Romance

In Outras Revisões on 1 Junho 2007 at 7:40 pm

como-um-romance.jpg

O título da obra é péssimo, mas ela merece ser muito bem digerida.

Como um Romance

Daniel Pennac

O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que partilha com alguns outros: o verbo “amar”… o verbo “sonhar”… Bem, é sempre possível tentar, é claro. Vamos lá: “Me ame!” “Sonhe!” “Leia!” “Leia logo, que diabo, eu estou mandando você ler!”

— Vá para o seu quarto e leia!

Resultado?

Nulo.

A Casa de Papel

In Outras Revisões on 25 Maio 2007 at 11:31 pm

Para as horas de descontração, um achado que recomendo com veemência.

casa-de-papel.jpg

A casa de papel

Carlos María Domínguez

Uma página é um formidável desenho. Um jogo de linhas e pequenas figuras que se reiteram, de vogal em consoante, com suas próprias leis de ritmo e composição, e nunca é indiferente o corpo, a letra escolhida, a medida das margens, a solvência do papel, a numeração à direita, centrada, a infinidade de solvências que lhe dão seu préstimo. Por mais nova que seja a edição e branco o papel, à luz dos círios se tinge de uma pátina que introduz valores, matizes, com maravilhoso encanto.

Manual de Revisão

In Outras Revisões on 18 Maio 2007 at 3:06 am

Manual de Revisão

José Raimundo Costa
(prefácio do Manual de Revisão, de Faria Guilherme, 1967)

A principal qualidade de um revisor é não ter confiança em si próprio.

Realmente, o revisor que desconfia sempre de si mesmo tem chances bem maiores de acertar. Ele não pode nem deve ler um trecho como um leitor comum, haurindo da leitura apenas o sentido e o ensinamento que lhe convier, preocupado antes com o sentido da frase que com a grafia das palavras. (…) Num relance, com a prática adquirida, quase automaticamente penetra na palavra, sílaba por sílaba, letra por letra, sem perder de vista a extensão e a profundidade da própria oração.

Idiomaterno

In Outras Revisões on 13 Maio 2007 at 11:01 pm

Nossa homenagem a todas as mães e à mãe de todos: a língua-mãe.

idiomaterno-mlp.jpg

Paulo Ferreira da Cunha

Idioma terno, este nosso. E mais terno ainda com o “açúcar” e o “cacau” brasileiros. Idioma materno, que nos embala e bebemos com o leite de Mãe.

É simplesmente comovente ver como a nossa Língua, que é mesmo nossa e é comum pátria e mátria, é acarinhada pelo país que lidera, de longe, a criação contínua do nosso falar, com os seus já quase 190 milhões de habitantes.

Angústia

In Outras Revisões on 4 Maio 2007 at 4:05 am

Não é só pelas bandas de cá que se fala de revisão. Bem longe daqui, não é de hoje que estamos em alta.

A leitura angustiada ou a morte do revisor

Sophie Brissaud (Trad.: Sandra Baldessin)

O revisor se define não por seus conhecimentos, mas por seu perfil psíquico. A revisão é mais que uma profissão: é uma neurose. Essa neurose se caracteriza como uma espécie de sacrifício consentido pelo revisor; é um tributo à saúde da edição. O revisor se oferece, sempre, em sacrifício à Deusa do Idioma, portanto todos aqueles que se dedicam a esse ofício nunca serão normais.

Para o revisor, o importante não é o que ele sabe, mas o que ele está consciente de não saber ou, pelo menos, não saber totalmente, e que por isso exige permanente verificação.

O exercício da profissão do revisor pode ser descrito, perfeitamente, como uma “leitura angustiada”. O seu trabalho é, justamente, evitar que todos os outros seres humanos necessitem fazer essa leitura angustiada.

Livros

In Outras Revisões on 27 Abril 2007 at 5:46 am

Livros

Ainda sobre eles, os livros.

Livros

Paulo Gustavo

Práticos, portáteis e poderosos na sua magia secular, os livros continuam imbatíveis nestes tempos eletrônicos em que vivemos. Como diria Millôr Fernandes, “não enguiçam”. A tecnologia do papel, ainda predominante, já é wireless. Mas, diante do livro, como diante de muitos outros artefatos humanos, nem sempre imaginamos ou mensuramos o quanto há de trabalho na qualidade sempre almejada, mas nem sempre conseguida.

Gramática em Cordel

In Outras Revisões on 25 Abril 2007 at 7:27 pm

Fim de semana em Fortaleza: muito sol, muito mar, muita água de coco, descanso garantido. Como se não bastasse, a descoberta de uma preciosidade, da qual transcrevo para vocês um trechinho.

Gramática em cordel

José Maria de Fortaleza

O nosso lindo alfabetoCordel
Oferece aos estudantes
As suas vinte e três letras,
Bem claras e importantes.
São elas: cinco vogais
E dezoito consoantes.

Das vogais às consoantes
Quero, uma a uma, explicar:
As letras trazem fonemas –
E pra mais claro ficar,
Os fonemas são os sons –
Que usamos pra falar.

Descobrimento

In Outras Revisões on 20 Abril 2007 at 8:24 pm

Unindo o alvoroço causado pelo acordo às festividades do fim de semana, um texto de Fernando Pessoa publicado, bem a propósito, em Descobrimento.

A minha patria é a lingua portuguesa

Fernando Pessoa

Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

O Livro da Solidão

In Outras Revisões on 13 Abril 2007 at 11:07 pm

Que livro você levaria para uma ilha deserta?

O Livro da Solidão

Cecília Meireles

Vêm os que acreditam em exemplos célebres e dizem naturalmente: “Uma história de Napoleão.” (…) Os que nunca tiveram tempo para fazer leituras grandes, pensam em obras de muitos volumes – e lembram-se das Vidas de Plutarco, dos Ensaios de Montaigne, da obra completa de Pasteur, de Goethe, de Dostoiévski, de Ibsen. Ou na Bíblia. Ou nas Mil e uma noites.

Pois eu creio que todos esses livros, embora esplêndidos, acabariam fatigando; e, se Deus me concedesse a mercê de morar numa ilha deserta (deserta, mas com relativo conforto, está claro – poltronas, chá, luz elétrica, ar-condicionado), o que levava comigo era um Dicionário. Dicionário de qualquer língua, até com algumas folhas soltas; mas um Dicionário.

Não sei se muita gente haverá reparado nisso — mas o Dicionário é um dos livros mais poéticos, se não mesmo o mais poético dos livros. O Dicionário tem dentro de si o Universo completo. (…)

Eu levaria o Dicionário para a ilha deserta. O tempo passaria docemente, enquanto eu passeasse por entre nomes conhecidos e desconhecidos, nomes, sementes e pensamentos e sementes das flores de retórica.

IBGE

In Outras Revisões on 6 Abril 2007 at 5:39 am

O IBGE (pasmem) dizia em sua página que com o avanço tecnológico a revisão se tornou rara. Há um ano ou dois protestei e retiraram de lá a patranha (que continua circulando na internet), mas é assustador que uma instituição de pesquisa divulgue absurdos desse por aí.

Dia do Revisor e do Diagramador

IBGE

Sem curso superior específico, a função de revisor é normalmente desempenhada por quem é formado em Comunicação Social ou Letras, podendo trabalhar em uma redação de jornal ou revista, editoras de livros e em empresas de tradução.

Com o avanço tecnológico, a profissão de revisor tornou-se rara nos dias de hoje, podendo ser exercida por qualquer pessoa que tenha um revisor ortográfico instalado no computador.

Alguém me diga onde eles fizeram essa pesquisa.

Cultura e Revisão

In Outras Revisões on 30 Março 2007 at 8:00 pm

Conversávamos, eu e Celso (que não é revisor, mas fez uma bela homenagem a nós em seu blogue), por ocasião do Dia do Revisor, sobre os problemas da educação, que geram e gerarão tantos problemas para os revisores. Foi quando ele gaiatamente me saiu com esta.

Cultura e Revisão

Celso Bessa

Pensando sob essa ótica, quanto mais culta e atenta a população, menos trabalho para o revisor. Logo, quanto mais educação, mais desemprego para o revisor. Descobri.

A baixa capacidade cultural do povo brasileiro é causada por uma conspiração dos revisores, que fazem parte da GSR, a Guilda Secreta dos Revisores, uma sociedade secreta e maligna que visa a dominar o mercado educacional, cultural e editorial para manter-se no poder.

A origem da GSR remonta aos tempos dos escribas no Egito antigo. Hieróglifos em Tebas mostram um escriba sentado e, ao seu lado, um revisor, de olhar maligno, modificando os textos escritos pelo pobre escriba, antes de entregar ao Faraó.

Penetra

In Outras Revisões on 23 Março 2007 at 5:24 pm

Penetra

Verso hipnoticamente repetido
na Praça da Língua (foto minha).

Procura da poesia

Carlos Drummond de Andrade

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Sacis

In Outras Revisões on 16 Março 2007 at 8:07 pm

Infelizmente até hoje não consegui descobrir de onde vem o texto nem qual é seu título, mas reflete exatamente a angústia por que passamos.

Saci

Ilustração: HABiscos

Erro Tipográfico

Monteiro Lobato

A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar.

Sexa

In Outras Revisões on 9 Março 2007 at 10:58 pm

E, além de tudo, um espetáculo de interpretação.

Sexa

Luis Fernando Verissimo

— Pai…

— Hmmmm…?

— Como é o feminino de sexo?

— O quê?

— O feminino de sexo.

— Não tem.

— Sexo não tem feminino?

— Não.

— Só tem sexo masculino?

— É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.

— E como é o feminino de sexo?

— Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.

— Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.

— O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.

— Não devia ser “a sexa”?

— Não.

— Por que não?

— Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.

— O sexo da mulher é masculino?

— É não! O sexo da mulher é feminino.

— E como é o feminino?

— Sexo mesmo. Igual ao do homem.

— O sexo da mulher é igual ao do homem?

— É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?

— Certo.

— São duas coisas diferentes.

— Então como é o feminino de sexo?

— É igual ao masculino.

— Mas não são diferentes?

— Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.

— Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.

— A palavra é masculina.

— Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “o pal…”

— Chega! Vai brincar, vai.

O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:

— Temos que ficar de olho nesse guri…

— Por quê?

— Ele só pensa em gramática.

Hortografia

In Outras Revisões on 2 Março 2007 at 8:09 pm

Meditando sobre “dansar” – que Guimarães Rosa grafa com “s” por considerar que a cedilha atrapalha o movimento da palavra por prendê-la à linha –, perguntei-me:

Apuntes de Educación

Vicente Barberá Albalat

Mas, a final, a hortografia é inportante? Trata se de uma questão ecenssial ou é uma criassão da mente umana para conplicar as coizas e dificultar o asseço ao conhecimento? Trata se de uma comsecuência de expecialisação ou só serve para xatear?

Nossa Língua Portuguesa

In Outras Revisões on 23 Fevereiro 2007 at 10:24 am

Ainda em ritmo de samba, o belíssimo enredo da Estação Primeira (que poderia bem ser da Luz, mas é de Mangueira):

Minha pátria é minha língua,
Mangueira meu grande amor.
Meu samba vai ao Lácio
e colhe a última flor.

Osvaldo Martins (Mangueira)

Deus, em sua Criação, fez questão
De mostrar sua mania de grandeza
Quando dotou o Brasil, sua grande paixão
– e disso eu tenho certeza –
Do idioma que fala ao pulsar do coração:
A nossa Língua Portuguesa!

Erros de Revizão

In Outras Revisões on 16 Fevereiro 2007 at 6:05 pm

Por falar em junção de letras.

Erros de revizão

Lula Vieira

O Luis Fernando Verissimo escreveu uma vez que uma de suas diversões era escrever palavras que exigiam dos revisores atenção redobrada. Só para deixá-los tensos e se vingar do maior conhecimento de português que invariavelmente (devia dizer obrigatoriamente) esses profissionais têm. Fico imaginando como deve ter sofrido o revisor de uma agência carioca que examinou o material de um cartaz da Loterj (Loteria do Estado do Rio) que tinha como título: Loteria do Baralho.

Quem Mexeu no Meu Texto?

In Outras Revisões on 9 Fevereiro 2007 at 2:49 am

E, já que estamos falando do erro, da relação do revisor com o erro…

Quem mexeu no meu texto?

Gabriel Perissé

O mérito da frase perfeita é do autor.

O crime do erro cometido será do revisor.

O revisor, porém, não se considera um injustiçado. O revisor vitimista abandonou a profissão no primeiro dia. O verdadeiro revisor, como o goleiro no futebol, sabe que nasceu para ficar ali, na pior posição de todas, para agarrar centenas de bolas difíceis e, talvez, deixar passar a mais fácil de todas.

Oços do ofíssio.

Declaração de Amor

In Outras Revisões on 2 Fevereiro 2007 at 7:14 pm

Dia desses, na comunidade Revisores, conversávamos sobre o amor à profissão. Falemos, então, sobre o amor.

Declaração de Amor

Clarice Lispector

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

Oração do Revisor

In Outras Revisões on 26 Janeiro 2007 at 7:29 pm

Esta oração foi criada por minha amiga Cássia como um talismã para mim e meus alunos. Agora se tornará também um amuleto para os que freqüentem este blogue.

Oração do Revisor

Cássia Pires

Alivia a dor dos meus ombros por passar a vida a reconhecer erros, deslizes e negligências com a língua portuguesa, matéria-prima do meu ofício.

Concede a humildade para aceitar a minha capacidade como profissional, a lealdade para com os meus pares, o respeito ao meu trabalho e a paciência para ser um ourives da palavra, que transforma a pedra bruta em algo precioso e raro.

Além disso, dá-me o principal reconhecimento: o próprio. Sou um instrumento para que o mundo escreva a sua história da maneira mais doce possível: pelo bom uso da palavra, aquela que me acompanhará até o dia em que eu escrever a minha última página de vida.

Assim seja.