Pablo Vilela

Archive for fevereiro \28\UTC 2007|Monthly archive page

Nonada

In Dia a Dia do Revisor on 28 de fevereiro de 2007 at 9:49 pm

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É o fim da exposição de Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa.

A obra museológica nada deveu à literária. Estava lá, escrita, descrita, fac-similada, figurada, reproduzida, analisada, comparada, criticada, esculpida, imaginada: completa.

Uma exposição para se ver, ouvir, tatear, sentir e recordar.

Meus netos saberão que lá estive.

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Escorregando na Avenida

In Cadê o Revisor? on 25 de fevereiro de 2007 at 11:28 am

Quem achou que revisor tinha folga no carnaval? No desfile de São Paulo, a então bicampeã, Império de Casa Verde, perdeu pontos preciosos por (quem diria?) apresentar erros no seu samba-enredo. São vários, mas este (que nem é o mais grave) chamou mais a atenção dos jurados:

Meu Tigre Guerreiro

Mostra ao mundo teu império a sua coroa

Tirando onda de rei do samba

Tiraram onda e se esqueceram do principal. Cadê o Revisor?

Nossa Língua Portuguesa

In Outras Revisões on 23 de fevereiro de 2007 at 10:24 am

Ainda em ritmo de samba, o belíssimo enredo da Estação Primeira (que poderia bem ser da Luz, mas é de Mangueira):

Minha pátria é minha língua,
Mangueira meu grande amor.
Meu samba vai ao Lácio
e colhe a última flor.

Osvaldo Martins (Mangueira)

Deus, em sua Criação, fez questão
De mostrar sua mania de grandeza
Quando dotou o Brasil, sua grande paixão
– e disso eu tenho certeza –
Do idioma que fala ao pulsar do coração:
A nossa Língua Portuguesa!

Até Tu, Brad Pitt?

In Cadê o Revisor? on 21 de fevereiro de 2007 at 3:18 am

 

Faço um aparte para dizer que, graças a vocês que visitam, comentam e divulgam o blogue, rompemos fronteiras e já estamos na boca do mundo.

Vejam a entrevista que saiu na revista Época há alguns meses:

Época – Jennifer Aniston e você enfrentam a sanha dos paparazzi e dos tablóides. Como reagem?

Brad Pitt – No começo, eu me mordia. Queria justiça. Vivia me perguntando: “Como é que essas revistas ousam escrever tantas asneiras? Cadê o revisor?” Mas parei de me incomodar.

Brad Revisor

A Língua é Pop

In Dia a Dia do Revisor on 19 de fevereiro de 2007 at 2:18 am

Cursos de Letras se multiplicam por toda parte, a demanda por bons textos não pára de crescer, a procura pelos revisores é cada dia maior.

É, a língua portuguesa está em alta. Não bastasse virar museu, revista com seu nome já não é uma só. Hoje é samba-enredo, está na boca do povo.

Erros de Revizão

In Outras Revisões on 16 de fevereiro de 2007 at 6:05 pm

Por falar em junção de letras.

Erros de revizão

Lula Vieira

O Luis Fernando Verissimo escreveu uma vez que uma de suas diversões era escrever palavras que exigiam dos revisores atenção redobrada. Só para deixá-los tensos e se vingar do maior conhecimento de português que invariavelmente (devia dizer obrigatoriamente) esses profissionais têm. Fico imaginando como deve ter sofrido o revisor de uma agência carioca que examinou o material de um cartaz da Loterj (Loteria do Estado do Rio) que tinha como título: Loteria do Baralho.

Letras

In Preciosidades on 15 de fevereiro de 2007 at 2:48 am

Para homenagear meus queridos visitantes, que tanto contribuem para o sucesso do blogue, inauguro uma seção com alguns dos comentários preciosos que tenho recebido.

Dia desses, conversando sobre discussões:

Engraçado que a gente estuda letras, mas costuma interpretar muito mal a junção delas.

Lu Alessi

Para Gostar de Ler

In Dia a Dia do Revisor on 12 de fevereiro de 2007 at 7:14 pm

Numa profissão em que passamos todo o tempo lendo, é fundamental gostar de ler. Quando lembramos de nosso passado, a impressão é que já nascemos com um livro nas mãos.

No entanto, chega um momento da vida profissional em que, de tanto ler, lemos sem pensar que estamos lendo. Houve instantes em que, perguntando-me o que li nas últimas semanas, não cheguei a uma resposta.

Às vezes me obrigo a parar e ler um bom livro. Ler como lia antes de ser profissional, quando os livros faziam parte de minha vida como as tardes inteiras assistindo tevê.

Mas algo nunca será como antes: confesso que é difícil ler sem revisar.

Quem Mexeu no Meu Texto?

In Outras Revisões on 9 de fevereiro de 2007 at 2:49 am

E, já que estamos falando do erro, da relação do revisor com o erro…

Quem mexeu no meu texto?

Gabriel Perissé

O mérito da frase perfeita é do autor.

O crime do erro cometido será do revisor.

O revisor, porém, não se considera um injustiçado. O revisor vitimista abandonou a profissão no primeiro dia. O verdadeiro revisor, como o goleiro no futebol, sabe que nasceu para ficar ali, na pior posição de todas, para agarrar centenas de bolas difíceis e, talvez, deixar passar a mais fácil de todas.

Oços do ofíssio.

Atire a Primeira Pedra

In Dia a Dia do Revisor on 7 de fevereiro de 2007 at 12:28 am

Muito se discute, nos cursos de Letras, nas rodas de revisores, de lingüistas, de estudiosos e amantes da língua, sobre a existência do erro. Afinal, quando falamos de língua, podemos falar de erro?

É claro que podemos. O que não podemos é discriminar o erro, menos ainda discriminar quem erra (não esperem que eu caia na tentação de cometer o segundo chavão deste tópico afirmando que “errar é humano”). Esta é a função primeva do revisor: eliminar erros.

Todos (ou melhor, quase todos) podem errar. Médicos não podem, goleiros não podem, revisores não podem. Mas erros acontecem.

E quem nunca errou que atire a primeira pedra (corta para o bêbado, na primeira fileira, que atira uma pedra na testa do padre. — Mas, meu filho, você nunca errou? — Desta distância nunca!).

Infinitivo Flexionado

In Dica do Mês on 4 de fevereiro de 2007 at 9:31 pm

A dúvida mais recorrente entre os profissionais da língua é a flexão do infinitivo.

A não ser para preservarmos a eufonia, devemos evitarmos a flexão dos infinitivos, pois eles, sem flexão, ajudam as frases a ficarem mais elegantes.

Experimentem não flexionar.

Declaração de Amor

In Outras Revisões on 2 de fevereiro de 2007 at 7:14 pm

Dia desses, na comunidade Revisores, conversávamos sobre o amor à profissão. Falemos, então, sobre o amor.

Declaração de Amor

Clarice Lispector

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.