Pablo Vilela

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Cultura e Revisão

In Outras Revisões on 30 de março de 2007 at 8:00 pm

Conversávamos, eu e Celso (que não é revisor, mas fez uma bela homenagem a nós em seu blogue), por ocasião do Dia do Revisor, sobre os problemas da educação, que geram e gerarão tantos problemas para os revisores. Foi quando ele gaiatamente me saiu com esta.

Cultura e Revisão

Celso Bessa

Pensando sob essa ótica, quanto mais culta e atenta a população, menos trabalho para o revisor. Logo, quanto mais educação, mais desemprego para o revisor. Descobri.

A baixa capacidade cultural do povo brasileiro é causada por uma conspiração dos revisores, que fazem parte da GSR, a Guilda Secreta dos Revisores, uma sociedade secreta e maligna que visa a dominar o mercado educacional, cultural e editorial para manter-se no poder.

A origem da GSR remonta aos tempos dos escribas no Egito antigo. Hieróglifos em Tebas mostram um escriba sentado e, ao seu lado, um revisor, de olhar maligno, modificando os textos escritos pelo pobre escriba, antes de entregar ao Faraó.

Dia do Revisor

In Cadê o Revisor? on 28 de março de 2007 at 2:22 am

Hoje, Dia do Revisor (merecidos parabéns a todos), é dia de trabalhar em dobro. Por isso, trago dois flagras encontrados nos últimos dias (e agradeço aos amigos e colaboradores Thiago Martins e Edu Henrique).

Foi entregue este mês, em Fortaleza, o Prêmio Unifor de Literatura 2006. “Uni” o quê? Esperamos que os agraciados não tenham feito com a literatura o mesmo que os criadores do nome do prêmio fizeram com a língua.

Já em Salvador, um homem de 46 anos que se passava por advogado foi preso na última quarta-feira. Segundo o delegado Sérgio Sotero, ele teria chegado à delegacia com uma petição. Ao conferi-la, Sotero notou que o documento tinha muitos erros de português. Os erros cometidos pelo suposto profissional eram, no geral, de concordância. Um dos casos mais graves, afirmou Sotero, foi a expressão desejamos sermos. “Ele devia é ter sido indiciado por homicídio ao português”, concluiu.

Testemunhas dão conta de que o delegado chegou a perguntar: “Cadê o Revisor?”

Imagem e Semelhança

In Dia a Dia do Revisor on 26 de março de 2007 at 7:29 pm

Reza outro ditado que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Se é assim, o homem é perfeito. Mas homem não é só masculino, é feminino, singular e plural (mais uma prova de que as palavras nem sempre têm o gênero e o número que parecem ter).

O revisor é, como se supôs no tópico do dia 19, Deus. Mas não só ele. A perfeição está justamente no conjunto: redator, preparador, revisor e todos os que participam da elaboração e aperfeiçoamento do texto.

O segredo da divindade do texto está no bom conjunto dos homens que o fazem.

Penetra

In Outras Revisões on 23 de março de 2007 at 5:24 pm

Penetra

Verso hipnoticamente repetido
na Praça da Língua (foto minha).

Procura da poesia

Carlos Drummond de Andrade

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Morreu

In Dica do Mês on 21 de março de 2007 at 2:00 am

A topicalização é um recurso perigosíssimo. Pode até matar. Use-a com parcimônia.

Chegando ontem à academia, fui surpreendido pela ausência do professor de spinning – cycling indoor para os mais aba(e)stados –, meu amigo Cláudio.

Perguntei ao dono da academia se não haveria aula, a que me respondeu com pesar: O Cláudio, morreu (e, nos 38 milissegundos que se seguiram, fiquei estupefato) a avó dele.

O Revisor adverte: se morrer, não topicalize.

RIP

Deus Escreve Certo…

In Dia a Dia do Revisor on 19 de março de 2007 at 8:08 pm

Reza o ditado que Deus escreve certo… Por conseguinte:

1. Que bom que Deus é um só. Se todos fossem deuses (todos escrevessem certo), para que serviria o revisor?

2. Se Deus escreve certo, e deve saber o que faz, o bom é escrever certo. Já que ninguém é Deus (ninguém escreve certo), o melhor mesmo é ter sempre um revisor por perto.

Sacis

In Outras Revisões on 16 de março de 2007 at 8:07 pm

Infelizmente até hoje não consegui descobrir de onde vem o texto nem qual é seu título, mas reflete exatamente a angústia por que passamos.

Saci

Ilustração: HABiscos

Erro Tipográfico

Monteiro Lobato

A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar.

Índios

In Preciosidades on 15 de março de 2007 at 8:08 pm

Trilha imaginária: Legião Urbana

Apurinã

Se nossos clientes soubessem o que os índios já sabem há mais de 500 anos, tudo seria mais fácil.

Os apurinãs acreditam que quando você corrige o erro de alguém está ajudando a pessoa a suportar a própria angústia.

Sandra Baldessin

A(o) Polêmica(o)

In Dia a Dia do Revisor on 12 de março de 2007 at 7:58 pm

Já que o tema rendeu comentários, polêmica, discussões muito proveitosas, nada mais justo que presentear os leitores com um exemplo perfeitamente possível do conturbado azinho entre parênteses.

Tente ler rápido:

Os(as) poetas(isas) sertanejos(as) nordestinos(as) considerados(as) mais produtivos(as) pelos(as) críticos(as) são os(as) paraibanos(as), pernambucanos(as) e baianos(as).

Sexa

In Outras Revisões on 9 de março de 2007 at 10:58 pm

E, além de tudo, um espetáculo de interpretação.

Sexa

Luis Fernando Verissimo

— Pai…

— Hmmmm…?

— Como é o feminino de sexo?

— O quê?

— O feminino de sexo.

— Não tem.

— Sexo não tem feminino?

— Não.

— Só tem sexo masculino?

— É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.

— E como é o feminino de sexo?

— Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.

— Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.

— O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.

— Não devia ser “a sexa”?

— Não.

— Por que não?

— Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.

— O sexo da mulher é masculino?

— É não! O sexo da mulher é feminino.

— E como é o feminino?

— Sexo mesmo. Igual ao do homem.

— O sexo da mulher é igual ao do homem?

— É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?

— Certo.

— São duas coisas diferentes.

— Então como é o feminino de sexo?

— É igual ao masculino.

— Mas não são diferentes?

— Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.

— Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.

— A palavra é masculina.

— Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “o pal…”

— Chega! Vai brincar, vai.

O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:

— Temos que ficar de olho nesse guri…

— Por quê?

— Ele só pensa em gramática.

O(a) Revisor(a)

In Dia a Dia do Revisor on 7 de março de 2007 at 10:18 pm

Está em voga o costume de acrescentar a letra a entre parênteses após palavras masculinas para homenagear as mulheres, pois elas supostamente se sentiriam excluídas e discriminadas sem tal apêndice.

Quero crer que seja uma brincadeira de péssimo gosto de alguém que, além de muito machista, despreza a língua portuguesa (sabemos que o formato da generalização nas línguas neolatinas coincide com o masculino). Para receber o merecido valor, mulher nenhuma precisa desses penduricalhos, que só se prestam a avacalhar nossa língua.

E Etc.

In Dica do Mês on 4 de março de 2007 at 9:35 pm

No tempo em que o césar compartilhava com Júpiter o poder sobre os homens, etc. era uma locução conjuntiva.

De lá para cá, deuses desapareceram, imperadores foram substituídos por presidentes, a língua mudou de nome e etc. passou a ser a abreviatura de um substantivo usado para encerrar enumerações. Naturalmente, precedido de vírgula ou (por que não?) da conjunção e, como os demais itens da seqüência.

Hortografia

In Outras Revisões on 2 de março de 2007 at 8:09 pm

Meditando sobre “dansar” – que Guimarães Rosa grafa com “s” por considerar que a cedilha atrapalha o movimento da palavra por prendê-la à linha –, perguntei-me:

Apuntes de Educación

Vicente Barberá Albalat

Mas, a final, a hortografia é inportante? Trata se de uma questão ecenssial ou é uma criassão da mente umana para conplicar as coizas e dificultar o asseço ao conhecimento? Trata se de uma comsecuência de expecialisação ou só serve para xatear?