Pablo Vilela

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Mercenário?

In Cadê o Revisor? on 29 de abril de 2007 at 10:56 pm

Mercenaria

Todo empresário deve se preocupar com as especificidades de seu público-alvo. Esse, antes de distribuir seu cartão de visita, esqueceu-se de verificar que aquele escaninho era de um revisor de textos. Depois não venha achar ruim quando reclamarem que marceneiros são exploradores.

Se ele um dia se perguntou Cadê o Revisor?, desta vez ele encontrou.

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Livros

In Outras Revisões on 27 de abril de 2007 at 5:46 am

Livros

Ainda sobre eles, os livros.

Livros

Paulo Gustavo

Práticos, portáteis e poderosos na sua magia secular, os livros continuam imbatíveis nestes tempos eletrônicos em que vivemos. Como diria Millôr Fernandes, “não enguiçam”. A tecnologia do papel, ainda predominante, já é wireless. Mas, diante do livro, como diante de muitos outros artefatos humanos, nem sempre imaginamos ou mensuramos o quanto há de trabalho na qualidade sempre almejada, mas nem sempre conseguida.

Gramática em Cordel

In Outras Revisões on 25 de abril de 2007 at 7:27 pm

Fim de semana em Fortaleza: muito sol, muito mar, muita água de coco, descanso garantido. Como se não bastasse, a descoberta de uma preciosidade, da qual transcrevo para vocês um trechinho.

Gramática em cordel

José Maria de Fortaleza

O nosso lindo alfabetoCordel
Oferece aos estudantes
As suas vinte e três letras,
Bem claras e importantes.
São elas: cinco vogais
E dezoito consoantes.

Das vogais às consoantes
Quero, uma a uma, explicar:
As letras trazem fonemas –
E pra mais claro ficar,
Os fonemas são os sons –
Que usamos pra falar.

Dia Internacional do Livro

In Dia a Dia do Revisor on 24 de abril de 2007 at 1:40 am

O Dia Internacional do Livro, 23 de abril, passou e eu passei de luto, olhando para minha estante e pensando: o que será dos meus livros quando o acordo ortográfico entrar em vigor?

Descobrimento

In Outras Revisões on 20 de abril de 2007 at 8:24 pm

Unindo o alvoroço causado pelo acordo às festividades do fim de semana, um texto de Fernando Pessoa publicado, bem a propósito, em Descobrimento.

A minha patria é a lingua portuguesa

Fernando Pessoa

Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

Desacordo Ortográfico

In Dia a Dia do Revisor on 18 de abril de 2007 at 7:41 pm

Volta à mídia a discussão sobre o famigerado acordo ortográfico que pretende unificar, já no próximo ano, a língua portuguesa: unificar como não é unificado o inglês nem o espanhol. Talvez o italiano seja unificado, já que só é falado mesmo na Itália.

Será que alguém já pensou no dispêndio de tempo e dinheiro para atualizar a ortografia de cada livro, cada revista, cada página da internet, cada filme, cada texto escrito em cada um dos países da CPLP?

Faça um exercício: olhe para as estantes de sua casa. Memorize o que há nelas. Feche os olhos e imagine tudo isso sendo destruído por uma lei estapafúrdia que nada tem a acrescentar. Agora abra os olhos rapidamente e junte-se a nós na torcida para que essa invencionice não saia do papel.

Dificuldade

In Preciosidades on 15 de abril de 2007 at 11:43 pm

GSR

Para os meus clientes, direi que o português é a mais difícil das línguas; para os meus alunos, provarei que não é tão complicada assim.

Felipe Phil

O Livro da Solidão

In Outras Revisões on 13 de abril de 2007 at 11:07 pm

Que livro você levaria para uma ilha deserta?

O Livro da Solidão

Cecília Meireles

Vêm os que acreditam em exemplos célebres e dizem naturalmente: “Uma história de Napoleão.” (…) Os que nunca tiveram tempo para fazer leituras grandes, pensam em obras de muitos volumes – e lembram-se das Vidas de Plutarco, dos Ensaios de Montaigne, da obra completa de Pasteur, de Goethe, de Dostoiévski, de Ibsen. Ou na Bíblia. Ou nas Mil e uma noites.

Pois eu creio que todos esses livros, embora esplêndidos, acabariam fatigando; e, se Deus me concedesse a mercê de morar numa ilha deserta (deserta, mas com relativo conforto, está claro – poltronas, chá, luz elétrica, ar-condicionado), o que levava comigo era um Dicionário. Dicionário de qualquer língua, até com algumas folhas soltas; mas um Dicionário.

Não sei se muita gente haverá reparado nisso — mas o Dicionário é um dos livros mais poéticos, se não mesmo o mais poético dos livros. O Dicionário tem dentro de si o Universo completo. (…)

Eu levaria o Dicionário para a ilha deserta. O tempo passaria docemente, enquanto eu passeasse por entre nomes conhecidos e desconhecidos, nomes, sementes e pensamentos e sementes das flores de retórica.

Por quê?

In Dia a Dia do Revisor on 11 de abril de 2007 at 3:27 am

O Celso Bessa me pediu que lhe explicasse essa história dos porquês, porque ele não sabe por quê, mas ninguém entende por que há tanto porquê.

Pleonasmo

In Dia a Dia do Revisor on 9 de abril de 2007 at 11:27 pm

Tentei me planejar antecipadamente para o tópico de hoje, pois não queria amanhecer o dia aqui nem adiar a postagem para amanhã, mas meu cérebro estava completamente vazio.

Pensei em inaugurar uma nova categoria ou fazer um panorama geral da língua. Outra alternativa seria apresentar, com absoluta correção, alguns detalhes mais minuciosos, o que, apesar de nos dar um destaque excepcional, excederia em muito nossas expectativas.

Compartilhei com alguns amigos – não sei o número exato, mas foi uma multidão de pessoas – e todos foram unânimes em me interromper de uma vez para dizer que eu deveria manter as mesmas propriedades características do blogue. Poderia falar de um assunto de minha livre escolha, mas estava terminantemente proibido de mudá-lo.

Tive de voltar atrás e colocar tudo em seu respectivo lugar, já que as coisas têm dado comprovadamente certo.

Quando já não havia mais esperanças – a vontade era de gritar bem alto –, veio-me um sorriso nos lábios, juntamente com uma alegria exultante. A partir de agora falaria, com certeza absoluta, sobre um fato verídico da língua portuguesa, o pleonasmo.

Segundo dizem (e eu não concordo), há no texto mais de 30 pleonasmos viciosos. Alguém os encontra e explica?

IBGE

In Outras Revisões on 6 de abril de 2007 at 5:39 am

O IBGE (pasmem) dizia em sua página que com o avanço tecnológico a revisão se tornou rara. Há um ano ou dois protestei e retiraram de lá a patranha (que continua circulando na internet), mas é assustador que uma instituição de pesquisa divulgue absurdos desse por aí.

Dia do Revisor e do Diagramador

IBGE

Sem curso superior específico, a função de revisor é normalmente desempenhada por quem é formado em Comunicação Social ou Letras, podendo trabalhar em uma redação de jornal ou revista, editoras de livros e em empresas de tradução.

Com o avanço tecnológico, a profissão de revisor tornou-se rara nos dias de hoje, podendo ser exercida por qualquer pessoa que tenha um revisor ortográfico instalado no computador.

Alguém me diga onde eles fizeram essa pesquisa.

E Mais Mentira

In Dia a Dia do Revisor on 4 de abril de 2007 at 12:33 am

Dizem que a revisão vai acabar.

É visível: revisão é graduação e pós-graduação e curso de extensão em todos os cantos do país; é obra de Nobel; é comunidade de 2,5 mil pessoas; é blogue; é dia comemorativo; está na novela da Globo e em mais de milhão de ocorrências no Google. Revisão está na moda desde Machado e continuará enquanto houver erro.

Então para que corrigir e se preocupar com um texto de qualidade?

Porque é esse texto quem nos conduz à sabedoria que nos diferencia dos outros seres.

Mentira

In Dica do Mês on 1 de abril de 2007 at 11:42 pm

Você já deve ter ouvido por aí (confesse, você já disse isso também) que o português é uma língua difícil.

Então experimente decorar os 3 alfabetos japoneses. Tente escrever de trás para frente como os árabes. Represente, com a mesma letra, meia dúzia de sons, como fazem os ingleses. Você usaria com naturalidade aquela infinidade de acentos do francês? Pare para contar quantas declinações têm as línguas nórdicas. E os tons do chinês, que a gente não sabe se fala ou canta!

É, parece que acabou a desculpa para falar e escrever mal em português.