Pablo Vilela

Descobrimento

In Outras Revisões on 20 de abril de 2007 at 8:24 pm

Unindo o alvoroço causado pelo acordo às festividades do fim de semana, um texto de Fernando Pessoa publicado, bem a propósito, em Descobrimento.

A minha patria é a lingua portuguesa

Fernando Pessoa

Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

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  1. Quando afirmo que esta é a forma mais bela de escrita e pronúncia, me olham descrentes.
    Vá compreender!

    Um pio!

  2. Reparando bem, todo revisor é patriota mesmo. Fico imensamente triste quando as pessoas trocam o português e preferem escrever numa outra língua porque é mais “bonita” ou porque “soa melhor”.

  3. olá,
    desculpe ainda nao tive a oportunidade de ler suas obras, +assim que eu me der a ocasiao e vou ler.

    na realidade “parei” aqui no seu site por estar procurando minhas origens enfim uma parte delas que vem do nome VILELA.
    se tiveres interesse em me ajudar a reconstituir essa arvore gigantesca originada pelo nome VILELA eu seria muito grata.

    sucesso para vc,
    com carinho

    rosy vilela (tente me responder porfavor ^^)

  4. Grande Fernando Pessoa, ou deveria dizer, grande Bernardo Soares? No final os heteronymos não são mais que reflexos fragmentados do proprio orthonymo. D’uma fórma ou d’outra é sempre maravilhoso ver a maneira como se graphavam as palavras de nosso idioma n’aquelles tempos nem tão distantes do inicio do seculo XX. Me encanta a orthographia dicta etymologica ou archaica (nem tão archaica) com seus ypsilons, suas lettras geminadas, seus grupos consonnanticos greco-latinos, sua escassez de accentos graphicos para marcar as syllabas tonicas das paroxytonas e proproxytonas, emfim, seu respeito pelas raizes dos vocabulos e a maneira como preservava esses radicaes. Quisera eu que, ainda hoje, nossa lingua escripta conservasse esta fórma tão original e agradavel aos olhos sem ser exaggerada. A lingua portuguesa haveria de ser bonita aos ouvidos e também aos olhos por meio de sua orthographia baseada na etymologia das palavras. Muito mais distincta e differenciada seria a lingua de Camões, assim como tiveram o prazer de vel-a os nossos avós que alcançaram a phase etymologica da orthographia.

  5. A variação portuguesa de Qorpo Santo se corrompeu em ser tanto.

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