Pablo Vilela

Bom para Especialistas?

In Dia a Dia do Revisor on 7 de novembro de 2007 at 11:03 am

Uma colega achou o Museu da Língua Portuguesa um tanto superficial, mais interessante para leigos que para especialistas.

Pus-me a pensar sobre a razão de ser dos museus e, principalmente, sobre o museu em questão. Estou longe de ser um museólogo (nunca estudei profundamente a respeito), sou um mero admirador de museus e profundo idólatra do Museu da Língua. Considero, inclusive, que uma visita a esse museu deve constar da lista daquelas coisas que todos devemos fazer enquanto estamos neste mundo.

Afinal, a que se prestam os museus? Entendidos dizem que o museu tem quatro funções primordiais:

• Decorar – o Museu da Língua é belíssimo, construído no interior de uma antiga (mas ativa) estação de trem. Uma linda arquitetura em estilo inglês que casa com o espetáculo de sons, luzes, imagens encontrado em seu interior.

• Memorar – a memória da língua portuguesa está representada, de uma parede a outra, desde a árvore genealógica até o mapa de sotaques do Brasil. Para completar, mais de 100 metros de vídeo sobre a cultura da língua portuguesa.

• Educar – crianças e jovens se aglomeram deslumbrados por todas as esquinas do museu, afinal é principalmente para eles que um museu é feito.

• Venerar – se tem uma coisa que o Museu da Língua faz é adorar a língua portuguesa. A Praça da Língua é de arrepiar o mais frio dos mortais. Nas exposições temporárias, veneram-se escritores que veneraram nossa língua.

Especialistas, estudiosos, desejosos de aprofundamento teórico, para esses existem as bibliotecas. Ainda assim, descontrair e se emocionar não faz mal a ninguém.

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  1. O poemas mais legais da Praça da Língua são o do Guimarães Rosa, o da Emília e um do Fernando Pessoa.
    E aquele museu é o que há.

    Um pio!

  2. Pablo,

    Meu comentário no seu blog é uma confissão, não é? E, para confessar, é preciso estar arrependido ou disposto a reafirmar o ato/fala. Minha visita ao Museu da Língua Portuguesa foi demorada e cheia de expectativas. Fui a São Paulo quase que exclusivamente para admirá-lo. E não fui só. Fomos um grupo de sete pessoas, entre as quais cinco são amantes da língua portuguesa. Tivemos todos a mesma impressão: falta profundidade no Museu. Mas não pense que nos precipitamos. Demos a ele o benefício da dúvida, pois recém abriu ao público. Terá muito tempo para oferecer mais. Aos estudantes secundários que vimos em maioria ali, com certeza, atende, a alguém à procura de informação mais especializada, acho que nem tanto. Na minha opinião, um museu como esse deve atender a um e outro público. A exposição sobre a Clarice Lispector era emocionante. A parada final, em que imagens se misturam a vozes, também foi de encher os olhos, os ouvidos, a alma. O que me frustrou foi a escassez de informações. Claro que as entrevistas gravadas e de acesso fácil poderiam ser ouvidas e vistas nos pequenos computadores à disposição de todos (pequenos mesmo — telas diminutas), todavia, para isso, seriam necessárias várias visitas, o que ao turista do planalto central nem sempre é possível. Os painéis gigantescos a que você se refere privilegiam desproporcionalmente as imagens ao texto. Pecado imperdoável? Não! Imagem também é texto, mas minhas expectativas sempre são satisfeitas mais pelos textos escritos que pelos textos falados ou imagéticos. Talvez tudo não tenha passado de uma questão de expectativa, de gosto, de preferência. Fico muito feliz que tenhamos um Museu da Língua Portuguesa. Fico mais feliz ainda que, como a língua, ele seja mutável, e não estanque, no caso do museu, pelo menos como possibilidade. Por enquanto, só posso dizer que esperava mais. Como está, combina com o show do Jô e uma visita ao Hopi Hari, tudo no mesmo pacote, para um grupo de calouros do curso de Letras. Sem ofensa.

  3. Pablo,

    a).
    você tem totalmente razão dizendo:
    “descontrair e se emocionar não faz mal a ninguém”
    Não sei exatamente, mas se não me engano, a palavra “museu” tem suas raizes na palavra “musa”….(sic)!

    b).
    talvez uma das outras funcões de um museu é de dar impulsos, de incitar as pessoas a pensar, refletir, ler, pintar, escrever…..quem sabe?!

    c).
    e -last but not least- ej, os/as turistas devem se ocupar em São Paulo, né?!

    Seja como for: o Museu da Língua Portuguesa está o meu N°1 dos lugares que eu QUERO visitar!!!

    Beijos da
    MusAbelha
    🙂

  4. P.S.
    O Rouxinol já me incitou a re-ler poemas de Fernando Pessoa!!!

    Um bzzzzzzzzzzzmmmmm afetuoso pra ele!

  5. Edelweiss, desculpa a intromissão na conversa, mas um museu é feito ao público em geral. Pesquisadores têm acesso a material restrito, como você bem deve saber. O Museu da Língua foi sim idealizado para todos os falantes da língua portuguesa e não especificamente a lingüistas, revisores, editores ou professores de língua portuguesa. Ele atende muitíssimo bem ao que se propõe. Agora, compará-lo ao Jô Soares e ao Hopi Hari, cada um vê as coisas segundo sua própria visão de mundo. Eu, particularmente, nunca chorei assistindo ao Jô, tampouco perdi meu tempo no Hopi Hari, mas chorei as cinco vezes em que estive na Praça da Língua.

    Um grande beijo.

  6. Oi, Cássia,

    O Pablo disse que, no blog dele, geralmente a interação ocorre entre ele e quem escreve; poucas vezes, entre quem escreve e quem escreve. Mas gostei da maneira como você escreveu (não que não tenha gostado dos outros) e quero interagir com você, esclarecendo algo (esclarecer é força de expressão, porque você vai continuar não entendendo). A comparação com o Show do Jô e o Hopi Hari só o Pablo vai compreender, pois tem a ver com uma “visão compartilhada de mundo” que só nós dois detemos, pois remonta a um episódio específico. Você não gostou, talvez tenha até se ofendido. Ele vai rir, tenho certeza.
    Beijo pra você também, querida.

  7. Edelweiss, eu também entendi. Eu sou amiga do Pablo e sei sobre a excursão a São Paulo.

    Beijo para você também.

  8. O da Emília é maravilhoso mesmo, Rouxinol! Até voltei a ler Monteiro Lobato por causa dele. A Cássia usou-o em uma peça de teatro, enfim, ele suscita grandes paixões. E Fernando Pessoa é demais! Gosto especialmente de algumas poesias da Mensagem.
    Você tem toda razão, Bee, “museu” é o templo das “musas” e por isso tem de ser uma ode à beleza. É difícil definir qual das quatro funções do museu é mais importante.
    Eu estou com a Cássia, Edelweiss: não vejo o museu como local para aprofundamentos. Tanto é que qualquer museu de arte expõe apenas uma pequeníssima parte de seu real acervo. Se alguém quer conhecer o acervo inteiro, tem de entrar nos porões do museu e pesquisar.
    Grande abraço a vocês todos.

  9. “Pus-me a pensar sobre a razão de ser dos museus e, principalmente, sobre o museu em questão.”

    kkkkkkkkkkk, filosofia de bar! Estavas bebendo o que quando escreveste isso?

  10. Oi, Pablo. Acredite se quiser, mas eu, que moro em SP, nunca fui ao Museu da Língua. Tem um pouco que ver com o que Edelweiss diz, mas acho que no fundo, no fundo, não quero reconhecer que a língua precise de um museu. Ainda prefiro o dia-a-dia das pessoas comuns: sua língua, suas leituras, suas pequenas atenções à fala correta, seus best-sellers, suas recomendações entusiásticas (“Já jeu ‘O segredo’? Leia! Vai mudar a sua vida!”), mesmo que isso tudo pareça um pouco tedioso hoje.

  11. Mas, Leticia, de qualquer modo vale a pena conhecer o Museu da Língua, nem que seja só para se emocionar com a Praça da Língua.
    Já vi (não li) “O Segredo”. É interessante.

  12. Ah, eu vou arrastar a Letícia até lá, deixa estar.

    Como fã e estudioso de Lobato, claro que a intromissão da Emília e sua bela teoria sobre a vida me emocionaram.

  13. E, como fã e estudioso de Lobato e Emília, você tem mesmo de ir lá, pois eles estão muito bem representados na Praça da Língua.
    Grande abraço e obrigado pelos comentários.

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