Pablo Vilela

Archive for dezembro \30\UTC 2007|Monthly archive page

Retrospectiva

In Dia a Dia do Revisor on 30 de dezembro de 2007 at 9:45 pm

Enquanto estou em meio a muito sol, mar, água de coco, você revê o que de melhor aconteceu no Cadê o Revisor? em 2007. A idéia vem do Simetria, que se inspirou no Hummel.

O que eu acho que fez o blogue valer as visitas (muitas, obrigado!) que recebeu este ano?

28/1, Profundos Sentimentosinaugura a categoria que flagra erros de revisão no cotidiano. É a categoria mais divertida do blogue e, não por acaso, foi o tópico que recebeu mais visitas este ano.

9/4, Pleonasmomostra que os tão execrados pleonasmos não são tão temerosos assim. Dependendo do contexto, são muito úteis para reforçar a idéia que o autor deseja transmitir.

23/5, Curso de Iniciação à Revisãonessa data eu preparava nosso primeiro curso aberto de revisão de textos. O blogue teve participação fundamental na divulgação do curso, que foi um sucesso. Que haja outros em 2008.

1º/7, Códigos de Revisãotabela que criei, com base na clássica (e complexa) tabela de códigos de revisão da ABNT, para facilitar o trabalho de revisores iniciantes e diagramadores, que sofriam com nossas marcações.

2/12, Livro sobre Craseprimeiro livro que escrevi (de muitos, espero). Na verdade, uma brincadeira para mostrar que crase não morde, como muitos pensam.

Mas o que houve de realmente mais especial no blogue foram as Preciosidades que você escreveu em seus comentários. Muito obrigado e que 2008 seja ainda mais fecundo para nós.

A Letra e a Voz

In Outras Revisões on 27 de dezembro de 2007 at 1:04 am

Por falar em terra natal, o autor é meu conterrâneo, revisor (além de poeta e professor). Foi lá que tomei emprestada a obra, que o autor presenteou a meu avô.

A letra e a voz

Edimilson de Almeida Pereira

O que ouço é o texto ou a voz de quem o leu? Um e outra atravessam os moradores da casa, só rumores. Pardais no teto, rusga entre os netos. O chão vocifera, um vaso se parte. Cada um, à sua maneira, engorda os cômodos, quando conversa. As plantas e as pedras nos ocupam com seus dialetos. Mas ouvimos, no meio de tudo, talvez um texto e a voz que o lê. Se é notícia rude ou sorte, se é nossa gente, como saber? No rascunho da tarde, escutar é um ato de espionagem.

Presente de Natal

In Dia a Dia do Revisor on 24 de dezembro de 2007 at 10:11 pm

waiting-santa-gift-cathselprime.jpgNatal, terra natal, família, amigos, festa, comida, paz, saúde, harmonia, felicidade. Melhor impossível.

Aliás, melhor que isso só ganhar de presente a constatação de que recebemos, neste primeiro ano de vida, mais de 25 mil visitas. Para este blogueiro de primeira viagem é um presente inigualável pensar que você esteja gostando do blogue a ponto de voltar aqui tantas vezes. Espero retribuir esse carinho com o que de melhor eu tenha para lhe contar e oferecer sobre a revisão de textos e todos os assuntos que com ela se relacionam.

Um feliz Natal para você que nos deu, a mim e ao Cadê o Revisor?, esse lindo presente.

Falha Humana

In Outras Revisões on 21 de dezembro de 2007 at 11:29 pm

E é para solucionar este tipo de problema que existem os revisores. 

Falha Humana

Guglielmo Cavallo

Em toda ação humana, quase por necessidade, ocorrem erros; porém, onde surgem mais facilmente e são mais numerosos e com diferentes formas é na impressão dos livros; e não posso imaginar outra coisa onde possa haver mais.

Resoluções Literárias

In Dia a Dia do Revisor on 19 de dezembro de 2007 at 1:15 am

Menos de uma semana para o Natal e você ainda não sabe o que me dar de presente? Seus problemas acabaram.

Tirei a idéia da Leminiskata, que, por sua vez, copiou do Meia Palavra. Sabe aquelas resoluções que fazemos quando se aproxima o fim do ano? Pois façamos a nossa lista de Resoluções Literárias para 2008 (os amigos aproveitam a dica para nos presentear no Natal).

Mas você sabe que nem sempre cumprimos as promessas de fim de ano, não sabe? Aqui vão as minhas (tentarei cumpri-las). Quais as suas (faça sua lista nos comentários)?

A menina que roubava livros – Markus Zusak (a Cássia indicou e não vejo a hora de ler)

Ensaio sobre a cegueira – José Saramago (a Laís disse que é imperdível)

Como os irlandeses salvaram a civilização – Thomas Cahill (antes que Edu tome de volta)

Don Quijote de la Mancha – Miguel de Cervantes

Rayuela – Julio Cortázar (sempre quis ler ambos no original)

A pequena vendedora de prosa – Daniel Pennac (terceiro e mais esperado da coleção)

Cabeça tubarão – Steven Hall (a crítica do Celso não foi positiva, mas deixou-me curioso)

Grande sertão: veredas – Guimarães Rosa

Os Lusíadas – Luís de Camões (hora de ler, com mais experiência, os dois cânones)

Até o fim do dia – Thomé de Oliveira (até o fim do ano hei de ler o livro do Àlles)

Bíblia Adulterada

In Cadê o Revisor? on 17 de dezembro de 2007 at 5:29 pm

Quem disse que acento não faz diferença? Um pequeno acento agudo provocou enorme confusão nos arredores de Vitória-ES.

O texto bíblico é o seguinte:

E o Senhor me disse: vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses, e amem os bolos de uvas. (Livro do Profeta Oséias 3.1)

Em vez de adúltera, o pedreiro-pastor Justino leu adultera (sem acento), como se fora um imperativo. Acatando a suposta ordem divina, adulterou, além das Escrituras, a esposa do vizinho.

Que feio, senhor pastor! Ou estuda gramática, ou vai passar a eternidade correndo de marido adulterado e perguntando Cadê o Revisor.

Páginas do Cotidiano

In Preciosidades on 15 de dezembro de 2007 at 10:18 pm

reading-girl.jpg

No fundo, no fundo, não quero reconhecer que a língua precise de um museu. Ainda prefiro o dia-a-dia das pessoas comuns: sua língua, suas leituras, suas pequenas atenções à fala correta, seus best-sellers, suas recomendações entusiásticas, mesmo que isso tudo pareça um pouco tedioso hoje.

Leticia

Os Livros Nossos Amigos

In Outras Revisões on 14 de dezembro de 2007 at 9:29 pm

Comprei a primeira edição de Os livros nossos amigos, de Eduardo Frieiro, ao saber que um dos capítulos foi suprimido na segunda edição. A curiosidade foi insuportável.

1941. Justamente na página inicial do capítulo excluído, um recorte de jornal (algum belo-horizontino) do domingo, 3 de agosto, quando Oslo decretava estado de sítio pela invasão nazista. Maus tempos. No verso do mesmo recorte, uma merecidamente elogiosa crítica ao livro.

Os livros nossos amigos

Aires da Mata Machado Filho

O mistério desse encanto diferente encontra explicação na frase de Charles Nodier: Depois do prazer de possuir livros, não há outro mais grato que o de falar deles. Esse prazer de versar o assunto predileto (…) convida suavemente à doce amizade dos livros até os contumazes e mal-ensinados que chegam a cometer a monstruosidade de não os amar apaixonadamente.

O capítulo suprimido? A lista de 20 livros para uma biblioteca mínima. A idéia é boa, mas nem mesmo o autor confia em sua lista. Eu prefiro as nossas.

Lei contra Estrangeirismos

In Dia a Dia do Revisor on 13 de dezembro de 2007 at 7:55 pm

xenophobia.jpgHá alguns anos (sete, oito, não me lembro bem), quando Aldo Rebelo era deputado não muito expressivo e sequer cogitava a presidência da Câmara, participei das discussões, congressos, palestras que deram início a seu projeto de lei que controlaria o uso de estrangeirismos e empréstimos lingüísticos no Brasil. O objetivo era (e é) inibir seu uso indiscriminado, que vemos em toda parte, de nomes de empresas a placas e propagandas nas ruas.

Nobre iniciativa de alguém que se preocupava com o futuro da língua portuguesa. Exagerada, claro, como todo ato apaixonado. Inviável, até, em alguns pontos. De válido na lei há a discussão, assim como o é a discussão do acordo ortográfico.

Agora o projeto ameaça vingar. Muita coisa já mudou de lá para cá, muita coisa ainda deverá mudar. Se de fato aprovada, a lei causará tumulto. Ela não deixa, no entanto, de ter um quê de importância no combate ao abuso do anglicismo.

Tempo para Ler

In Hora da Leitura on 10 de dezembro de 2007 at 11:26 pm

Inspirada pelos nossos cânones, a Márcia, leitora do blogue e amiga, teve a idéia: que comente o que de mais marcante eu tenha lido recentemente. Aceitei o desafio. Será uma boa forma de começar a brindar o primeiro aniversário do blogue, que cumpriremos no próximo mês.

Inaugurando a nova categoria, o que talvez de melhor eu tenha lido este ano (indicação da querida professora Denise), um dos mais prolíficos de minha vida de leitor. Chama-se Como um romance, em que Daniel Pennac conta como, quando e por que perdemos o gosto inato pela leitura e o que fazer para reencontrá-lo. Leitura obrigatória para pais e educadores e muito indicada até para quem ainda não encontrou o amor pelos livros. Conselho de fim de ano? Leia-o:

O tempo para ler é sempre um tempo roubado (tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar). Roubado a quê? Digamos, à obrigação de viver. (…) O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.

Daniel Pennac

Arte de Amar os Livros

In Outras Revisões on 7 de dezembro de 2007 at 11:59 pm

Se minha lista tivesse mais dez livros, certamente haveria espaço para Os livros nossos amigos.

Arte de amar os livros

Eduardo Frieiro

Há uma arte de amar os livros, como há uma arte de amar ovidiana, uma arte de amar o amor. Querer bem aos livros é sentimento que se parece muito com o amor dos sexos. Em ambos os casos há sensualidade e egoísmo. Não são raras as pessoas que sentem a necessidade física da leitura. O volume de prosa ou verso ocupa na vida de alguns eleitos um lugar tão importante como a mesa, o sono e o amor.

Meus Cânones

In Dia a Dia do Revisor on 5 de dezembro de 2007 at 5:31 pm

Saiu na Bravo! um especial dos 100 livros essenciais da literatura mundial. Você viu? Nem eu. Não achei nas bancas. Aceito o presente, se você encontrar.

Fez-me pensar em qual seriam meus livros essenciais. Não usei teoria de crítica literária. Não me preocupei sequer com a qualidade literária das obras. É só uma singela lista das obras que, por algum motivo, mais me tocaram até hoje.

Claro que não vou cansar você com uma lista de 100. Vou arriscar uma de 10, em ordem cronológica de minha primeira leitura:

O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Crime e castigo – Fiódor Dostoiévski

A República – Platão

A metamorfose – Franz Kafka

Mensagem – Fernando Pessoa

Os sofrimentos do jovem Werther – Johann von Goethe

Entrevista com o vampiro – Anne Rice

Como um romance – Daniel Pennac

História do cerco de Lisboa – José Saramago

Agora é sua vez. Faça sua lista aí nos comentários.

Livro sobre Crase

In Dica do Mês on 2 de dezembro de 2007 at 2:11 am

Queria um livro sobre crase. Sei que há, mas quero algo sucinto e que, ainda assim, dê conta de todos os casos. Quer saber? Vou escrever um e vou começar já:

Usa-se o acento grave indicador de crase na junção da preposição a com o artigo feminino a, ou seja, só antes de substantivo feminino acompanhado de artigo e preposição.

Há três (só três) casos especialíssimos e relativamente raros, se comparados ao anterior. Nada de exceção, apenas casos especiais.

Um deles é quando, em vez do artigo, temos pronome demonstrativo a ou aquele (e seus derivados), que podem ser usados um pelo outro indiscriminadamente.

Outro caso é quando se subentende a expressão à moda de (bom lembrar que a passarinho e a cavalo não são à moda dos bichinhos).

O último caso é com locução adverbial feminina que indique circunstância, como à vista e à distância, para evitar ambigüidade. O acento não é obrigatório, mas é recomendável.

Fim. Interessados em publicar um livro de meia página podem entrar em contato.