Pablo Vilela

Archive for março \31\UTC 2008|Monthly archive page

A Little Crazy

In Cadê o Revisor? on 31 de março de 2008 at 2:23 am

A mesma produção de sempre, apresentador experiente, texto decorado, tudo bem-organizado, atração internacional para despistar o Revisor. Enfim, nada poderia dar errado. Ou melhor, quase nada.

Era Seal que agitava o Domingão para mais uma vez cantar Crazy (ele não deve mais agüentar, coitado). Uma música, mais uma, pára para (imagine isso quando acabarem com o acento diferencial) conversar: pai nigeriano, mãe brasileira, oh louco! (oh crazy, diz o tradutor simultâneo). Aparte: mãe não, avô. Silêncio mortal. Constrangimento geral. Já era a segunda gafe do dia.

No ponto eletrônico, ouve-se o grito histérico da produtora: Cadê o Revisor?

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História da Revisão

In Outras Revisões on 28 de março de 2008 at 2:25 am

Você sabe que não sou de citar textos longos, mas nossa história clama pela exceção no dia de hoje. Parabéns, Revisor.

História da Revisão

André Thérive

Nossos antepassados tinham uma ortografia muito fantasista, mesmo os autores geniais. (…) E, ademais, eles contavam com os impressores [leia-se revisores] para porem seu texto em condições convenientes. (…) Basta lembrar o papel capital que desempenhava o corretor [revisor] antes do século XIX. Hauria ele, aliás, seus títulos de nobreza da própria tradição.

Desde o século XV os impressores [revisores] eram forçosamente a um tempo artesãos e eruditos, como sucessores, de resto, dos empresários da cópia manuscrita, os quais foram, fatalmente também, latinistas, graduados universitários, clérigos. O mais antigo nome conhecido dessa corporação é o de P. Prielis, de Mogúncia, que corrigiu o Psalterius benedictinus de 1459, impresso por Fust e Schoeffer, concorrentes de Guttenberg; e numerosos dignitários eclesiásticos figuram nos anais da correção [revisão] nos tempos dos incunábulos. (…) Encontraram-se, nos acervos das grandes bibliotecas, manuscritos que tinham sido preparados para a composição, na Alemanha, na Inglaterra, na França. Nada mais comovedor do que manusear esses documentos de uma profissão venerável, em que a intelectualidade e a técnica se unem mais visivelmente do que alhures. (…)

As correções são feitas com grafita ou a lápis vermelho. Sabe-se o bastante para afirmar que a correção [revisão] se tornou uma profissão desde fins do século XVI. Essa profissão alimentou, nos seus inícios, escritores notáveis; na França, Amyot, Gui Patin, Suard, Michelet, Proudhon nela se amamentaram.

Cabe um aparte: no Brasil, Machado de Assis, pai e filho Verissimo e Graciliano Ramos são só alguns dos nomes ilustres que freqüentam nossa lista de colegas de profissão.

Poetas pela Paz

In Dia a Dia do Revisor on 27 de março de 2008 at 1:28 pm

pazeamor.jpg

No próximo domingo, dia 30 de março, acontecerá em Belo Horizonte um evento em prol da paz. A ação é promovida pelo blogue Poetas pela Poesia e pela Paz, onde você encontra mais informações a respeito.

E qual é mesmo nossa relação com isso (além de, óbvio, admirar a poesia e ser plenamente a favor da paz)? O movimento celebrará, entre outras importantes datas, o Dia do Revisor e do Diagramador.

Na Terra das Letrinhas

In Dia a Dia do Revisor on 25 de março de 2008 at 2:01 am

terra-das-letrinhas.jpgPouco antes das dez horas da manhã, todos os dias, na TV Brasil, há um desenho animado que se chama Na Terra das Letrinhas. Divertido, delicado e infantil (como nos velhos tempos), apresenta lições elementares de gramática, além de mensagens construtivas de preservação da natureza, de companheirismo, de estímulo à cultura.

Não sou um especialista em educação infantil a ponto de julgar a efetividade dos ensinamentos ali contidos para o aprendizado da criança. Você certamente julgará melhor que eu. Fato é, no entanto, que tudo aquilo que encoraje o gosto pela língua portuguesa, sobretudo um incentivo tão gracioso, é sempre muito bem-vindo.

Feiçoamento do Livro

In Outras Revisões on 21 de março de 2008 at 11:33 pm

Por falar em antigüidade, isto foi dito em 1955, numa obra já há muito esgotada (e talvez sequer traduzida para o português), citada por Antônio Houaiss em seus Elementos de bibliologia (título idêntico a um argentino 27 anos mais velho que curiosamente não aparece em sua extensa bibliografia).

Feiçoamento do livro

Seán Jennet

É um engano, e sério e bobo engano, subestimar o revisor, pois dele depende não pouco da reputação de uma casa impressora. (…) As qualificações requeridas dele são extensas. Deve ter olho agudo e mente aberta. (…) O revisor faz o que pode e não raro fá-lo surpreendentemente bem.

Serviço de Revisão

In Hora da Leitura on 20 de março de 2008 at 9:15 pm

servico-de-revisao-de-provas.jpgA primeira publicação brasileira que trata especificamente de revisão e merece a alcunha de livro é O serviço de revisão de provas tipográficas, de Francisco Wlasek Filho. A obra, de 1965, é uma separata de artigos publicados na Revista do Servidor Público em 1964.

Não tem mais que uma dúzia de páginas, em que explica o que é a revisão, fala como deve ser o ambiente de trabalho do revisor, mostra fotos de salas de revisão dos anos 60, apresenta uma tabela de códigos de revisão (a mesma que hoje se tem por base) e demonstra o uso desses códigos.

Essa obra foi, enfim, referência para o (pouco) que já se escreveu sobre revisão de textos no Brasil.

Há um serviço na esfera das artes gráficas – o de revisão de provas – que, justamente por sua natureza meticulosa e ingrata, deve merecer a maior consideração dos dirigentes de qualquer empresa que tenha por finalidade a exploração daquele ramo da indústria.

Francisco Wlasek Filho

Acesso Permitido

In Dia a Dia do Revisor on 17 de março de 2008 at 12:00 pm

Recebi da Laís, há pouco, uma excelente notícia. Saiu em uma das últimas edições do Valor Econômico (o link é da SED/SC, já que o jornal só permite acesso a assinantes). Projeto do Ministério da Cultura dará aos deficientes visuais a oportunidade de adquirir, sem dificuldades, os livros que desejarem. Eles poderão ser encomendados em braille ou em áudio e o preço será exatamente o mesmo da capa convencional.

Este blogue pensa que o formato digital também deveria ser incluído na lista, já que a leitura de arquivo digital é perfeitamente acessível para quem usa computador. Além disso, o ônus da editora seria praticamente nulo.

O que Será

In Outras Revisões on 14 de março de 2008 at 8:58 pm

Já que a Joice, no último tópico, lembrou Oscar Wilde, aqui vai uma citação dele, retirada de A paixão pelos livros.

O que será

Oscar Wilde

É o que você lê quando não tem de fazê-lo que determinará o que você será quando não puder evitar.

Um Revisor em Brasília

In Dia a Dia do Revisor on 12 de março de 2008 at 7:40 pm

— Ei, Revisor! — chamou pela quinta vez o Flanelinha.

Não me restava outra opção, senão correr ou atender ao chamado. Como seria ridículo correr dele no meio da rua com o sol a pino, parei em posição de defesa.

— João Ubaldo? — perguntou ele.

— Como?

— É João Ubaldo o que você está lendo (convém explicar que caminho pela rua lendo e que não sei por que riem quando digo isso), não é?

poor-man.jpgPassado meu espanto, era mesmo João Ubaldo.

Um brasileiro em Berlim. Esse eu não li. Pode me emprestar, quando acabar de ler?

— Po-po-posso, claro…

— Adoro ler. Adoro João Ubaldo. Leio muito. Podemos trocar uns livros depois.

Emprestei. Ele leu. Adorou. Devolveu no dia seguinte. A resenha dele? Melhor que a minha.

Trem de Palavras

In Preciosidades on 10 de março de 2008 at 10:45 pm

O comentário não foi feito aqui, mas foi a respeito de um tema que aqui discutíamos.

Dê-se a obrigação de aprender, diariamente, o uso de pelo menos uma nova palavra. Enfie a palavra em todos os contatos comunicacionais que você estabelecer ao longo das horas. Toda palavra, se torturada, serve para embarcar em qualquer trem.

Aline Miranda

Mares Perigosos

In Outras Revisões on 7 de março de 2008 at 1:52 pm

novel-by-vermin-star.jpgMais uma preciosidade retirada do magnífico O livro entre aspas.

Mares perigosos

Jesse Lee Bennet

Os livros são bússolas e telescópios, os sextantes e mapas que outros homens construíram para nos ajudar a navegar pelos mares perigosos desta vida humana.

Varal da Leitura

In Dia a Dia do Revisor on 5 de março de 2008 at 3:17 am

Nem só de corrupção e tragédias vivem os noticiários brasileiros. A mais recente edição do Jornal Nacional foi encerrada por uma linda notícia: mais uma daquelas iniciativas, postas em prática por um ser elevado, que nos mostram que a humanidade tem salvação.

No caso em questão, uma humilde moradora da periferia de Rio Branco oferece às crianças a oportunidade que ela própria não teve. Veja como é algo simples, que qualquer um de nós pode fazer, e se emocione com o Varal da Leitura. Experimente fazer algo parecido na sua vizinhança ou na periferia mais próxima.

Literatura Específica

In Dica do Mês on 3 de março de 2008 at 11:27 pm

Sugestão da Anny, a dica do mês é uma lista dos livros que mais uso como revisor. Claro que sua lista será diferente da minha. Uns gostam de determinado autor, uns têm dificuldade com certo tema, uns têm cliente que impõe normas específicas. Enfim, o trabalho de cada um tem pormenores que pedem diferentes obras. Listo uma literatura útil para nós, revisores de todos os gêneros textuais, estilos e graus de experiência.

1. Gramáticas

Digam o que disserem, revisor precisa dominar a gramática normativa. O cliente exige esse domínio. Mesmo as escolares, de Cegalla, Terra, ou do autor de sua preferência, serão úteis. Para se aprofundar no estudo, prefira os clássicos Bechara, Cunha ou Rocha Lima.

2. Dicionários de língua portuguesa

Mantenha seu dicionário a uma distância segura. Não importa o que aconteça, não se separe dele. Existem hoje dois dicionários de língua portuguesa: Aurélio e Houaiss. Desconsidere qualquer outro. Abuse da informática e prefira os eletrônicos: mais práticos, baratos, portáteis e com ferramentas extras. Não se esqueça de que pirataria é crime.

3. Dicionários diversos

Quanto mais dicionários tiver, mais preparado para as dificuldades da profissão você estará. Tenha os de língua estrangeira (ao menos as mais faladas), de lingüística, específicos da área em que atua, todos que chegarem a suas mãos. Tenha, principalmente, um de regência nominal (a verbal está no dicionário de português).

4. Literatura específica

Por fim, há os livros específicos sobre revisão de textos. Há? Bem, até há. São poucos e obsoletos, mas contam a história da profissão, de quando ainda éramos conhecidos como revisores tipográficos. Velhos tempos, mas bonitos de se conhecer.

Há ainda o Volp, a NGB, a ABNT e outras siglas, mas isso é assunto para outro momento.