Pablo Vilela

Um Revisor em Brasília

In Dia a Dia do Revisor on 12 de março de 2008 at 7:40 pm

— Ei, Revisor! — chamou pela quinta vez o Flanelinha.

Não me restava outra opção, senão correr ou atender ao chamado. Como seria ridículo correr dele no meio da rua com o sol a pino, parei em posição de defesa.

— João Ubaldo? — perguntou ele.

— Como?

— É João Ubaldo o que você está lendo (convém explicar que caminho pela rua lendo e que não sei por que riem quando digo isso), não é?

poor-man.jpgPassado meu espanto, era mesmo João Ubaldo.

Um brasileiro em Berlim. Esse eu não li. Pode me emprestar, quando acabar de ler?

— Po-po-posso, claro…

— Adoro ler. Adoro João Ubaldo. Leio muito. Podemos trocar uns livros depois.

Emprestei. Ele leu. Adorou. Devolveu no dia seguinte. A resenha dele? Melhor que a minha.

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  1. Além de encantadora, essa história é sensacional! E, nossa, ele leu rápido, hein?! Gosta mesmo de João Ubaldo.

    Ah, e outro dia eu tentei ler caminhando… nem preciso te dizer que eu quase caí. :p

    Beijo com carinho.

  2. Uma delícia a história, Pablo.
    Lembrou certa vez, tem um tempo já. Tem um Café onde costumo ir, eu estava ali lendo. Uma das atendentes chegou e fez algum comentário sobre o fato de ler com aquele barulho e entra-e-sai. E comentou que também adorava ler, pedindo alguma sugestão ou livro emprestado. Alguns dias depois, apareci com O Retrato de Dorian Gray, ela achou um pouco “formal” demais (também, falta de sensibilidade minha levar logo Wilde!), mas pediu mais. Foi uma surpresa tão boa o interesse dela e agora sua deliciosa história me fez lembrar disso. preciso levar outros…

    Um abraço,

    joice

  3. Prefiro escrever e ler mensagens no celular enquanto caminho, mas leio livros, jornais ou revistas quando por algum motivo estou ansiosa pela leitura e preciso me deslocar ao mesmo tempo.

    Tens vocação para narrador. Gosto da economia de palavras.

  4. Em Pinheiros, na Pedroso, sempre vejo um mendigo coberto com a sujeira de tempos imemoriais escrevendo em blocos de papel. Ao lado, protegida sob o peso de uma pedra, a sua vasta produção. Não sei o que ele escreve, mas o raio do homem é produtivo. Preciso passar lá com a máquina fotográfica.

  5. Adorei!
    A cada vez que passo por aqui, sinto-me mais feliz por um dia ter chegado até o seu blogue.
    Como é bom ler coisas “boas”, não?! rsrs
    Também tenho essa mania de andar lendo (ou ler andando?)… sempre tenho um livro na bolsa, na mochila, na sacola… *hehehehe*
    Bom fim de semana a todos!!!
    Bjksss

  6. Que história linda, Pablo!Tão bom achar “gente como a gente” que lê andando pela rua! beijos!

  7. Pois é, Cássia, são muitos anos de treino para adquirir essa habilidade… 😆
    Bem lembrado, Joice. No meu primeiro emprego, ainda adolescente, em uma confeitaria, eu também aproveitava o tempo entre um cliente e outro para ler. Quem sabe essa moça não vira revisora daqui a alguns anos!? Continue incentivando.
    Obrigado, Fabiana. Vou tentar praticar um pouco mais a narração. 🙂
    E o moço deve ter muita história para contar, também, Rick. Talvez devesse passar lá com uma máquina e um gravador.
    Vocês também lêem caminhando? Assim me sinto até um pouco menos louco. 😆
    Muito obrigado a todos pela visita, pelos comentários e pelos elogios. Um grande abraço.

  8. Espetacular rs.
    Estou adorando ler seu blogue (prefiro “blog” rsrs). Passarei sempre por aqui. Quantas dicas interessantes!

    Ps: Também caminho pela rua lendo.

  9. O Beiradao… A meu ver um dos melhores livros sobre o período da borracha. Vale a pena ler. Abraços!

  10. Muito obrigado pelas visitas e pelos comentários, Vidal. Quando acabar de ler o Beiradão, venho contar minhas impressões.

  11. Pablo, meu velho. Está me saindo um excelente cronista [ou contista ou mini-romancista etc.]. Já enviei o link pra uma pá de gente e vc sabe que não costumo fazer indicações toda hora. Um forte abraço pra você, cara.

  12. Muito obrigado, Tom. Quem sabe um dia você me publica… 😆 Obrigado mesmo!

  13. […] emprestado pelo Edu, que segue refém até ele me devolver o que me deve; a obra que me emprestou o flanelinha; e, enfim, a vítima, grande clássico de nossas Letras, que sustentará todo esse […]

  14. […] sempre com um livro sob o braço (e uma caneta vermelha no bolso). Às vezes, leio no caminho. Em outras ocasiões, paro sob uma […]

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