Pablo Vilela

Cegueira

In Dia a Dia do Revisor on 9 de abril de 2008 at 12:43 pm

Já lhe prometi que não mais falaria do acordo ortográfico? A mim mesmo prometi várias vezes, mas não consigo resistir.

Você há de conhecer Saramago: o futuro hollywoodiano, o de cuja História do Cerco de Lisboa sou grande admirador. Pois, se até Pelé, que é rei, diz cá suas toleimas, quando travestido de Edson Arantes, por que um Nobel não poderia fazer o mesmo? E faz: Se escrevo a palavra objecto, gostava de a escrever com o c entalado lá no meio, mas um brasileiro escreverá sem c. Mas isso é grave? A pronúncia é igual.

Ora, pois, senhor Saramago, não se pode falar em pronúncia igual entre brasileiros e portugueses. Além do mais, brasileiro não usa o imperfeito (gostava) pelo futuro do pretérito (gostaria), nem usa essa próclise tipicamente portuguesa (gostava de a escrever). Nada disso mudará. Que unificação é essa de que andam falando? E, se não é grave, que fique como está! O leitor do brasileiro Machado de Assis lê facilmente o português Saramago, o moçambicano Mia Couto ou o angolano Pepetela. As diferenças são irrelevantes.

Quando lhe disserem que a língua portuguesa será unificada, ria.

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  1. Olhe, Pablo, ainda bem que você disse isso: «que fique como está».

    É tão simples (ou inteligente) não complicar…

    Abraço
    Helena

  2. Pois é… isso me deixa tão frustrado… vocês não têm idéia do quanto!

  3. Hmmm… Tentei postar antes, parece que não seguiu. Dizia que meus motivos para gostar do acordo foram bem explicados por um português. Copiei um trecho. Tem mais em:
    http://www.ricardo.pt/diario/2006/02/porque-nao-quero-o-novo-acordo.html

    – Porque a situação actual do português é caso único no mundo
    O português é a única entre as dez línguas mais faladas do mundo que não tem um código ortográfico comum a todas as suas variantes nacionais (se exceptuarmos o Hindi/Urdu, de resto com larga diferenciação lexical). Esta situação prejudica grandemente a projecção internacional da língua portuguesa, limita o ensino do português como língua estrangeira, coloca empecilhos à adopção da nossa língua nos fóruns internacionais, coloca entraves à circulação de publicações, etc.

  4. Pois ele ouviu o sino tocar e não sabe onde, Joíra. O inglês (veja só! o inglês!) não tem a mesma grafia nem entre Inglaterra e EUA. Lembre-se de que americanos vão ao “theater” e ingleses ao “theatre”; americanos se desculpam com “z” e ingleses com “s”; a cor americana não tem “u”; e os carros ingleses, além de ter o volante do lado direito, têm “y” no pneu. E não me lembro de isso ter impedido o inglês de se tornar a língua mais difundida no mundo.

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