Pablo Vilela

Além da Revisão

In Hora da Leitura on 30 de abril de 2008 at 11:13 pm

Quebrarei o protocolo. Em vez de livro lido, falarei de um que acabo de comprar. Minto: acabo de encadernar. Comprei-o há dias, mas a encadernação era em espiral. Conservadorismo, quiçá, mas não admito livro em espiral. Livro é brochura, capa dura ou, na pior das hipóteses, canoa. Espiral é para caderno.

Passado o susto e a má impressão, a obra promete. A diagramação é bela. O sumário é convidativo. Os temas são pertinentes. O autor, coincidência ou não, tem o sobrenome de um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. A crítica (da própria editora) empolga.

Quanto mais preparado estiver o revisor, mais catástrofes poderão ser evitadas, sem mencionar o aprimoramento que se obtém na apresentação gráfica. Em resumo, a vivência profissional do revisor poderá influir tanto na forma quanto no conteúdo da publicação.

Aristides Coelho Neto

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  1. Escrevi um e-mail para o Senac para descobrir como comprar. Fiquei curiosíssima!

    Obrigada pela dica!

  2. Acredite, Tom. A foto é pós-reforma.
    Eu comprei “em uma livraria perto de você”, Fabiana. Nas grandes livrarias, é possível comprar pela internet.

  3. Oxe, e você mesmo fez a encadernação? que revisor mais ‘prendado’! faz estante invisível e agora até encadernação.. : )

    Há coisa de duas ou 3 semanas terminei de ler “Os prêmios” do Cortázar e com esse livro aconteceu algo meio tragicômico. Comprado em um sebo de Porto Alegre, o livro foi se despencando ao longo da leitura. Ao final, estava dividido em vários pedaços e eu sem saber a que hospital levá-lo. Preciso confessar que, ainda que vagamente, admiti a hipótese de lascar-lhe um espiral, mas sinto que não teria coragem. Pablo, você já leu “Os prêmios” do Cortázar? Caso não tenha lido, quer um presente meio grego? Um livro para ler e consertar.. : )

    Li a crítica que você indicou e realmente promete. Vou procurar em alguma livraria online agora mesmo. O trabalho do revisor é coisa que respeito e admiro imensa e sinceramente. Eu mesma já devo ter sido salva por alguns deles diversas vezes, e não tenho o menor problema para admitir isso. Uma reivindicação silenciosa que às vezes faço é que talvez fosse mais produtivo se tradutor e revisor tivessem não mais diálogo, mas alguma oportunidade de diálogo além do texto. Mas, enfim, o mercado editorial não está nem aí para o que eu acho, é claro. 😛

    Beijo e boa semana aí.

    Joice

  4. Quem me dera ser assim tão prendado, Joice. Cabe-me o mérito de ter escolhido o tipo de encadernação, a cor da gravação, os materiais da capa (lombada em couro e o restante em papel envelhecido, com direito a guarda e tudo o mais). Quem fez o trabalho, no entanto, foi um profissional experiente do ramo.
    Assim, não poderia eu mesmo consertar “Os prêmios”, mas seria uma honra levá-lo a quem o faça.
    E concordo com você: revisores e tradutores teriam muito a dialogar.

  5. Valeu, Pablo. Vc está sempre me ajudando com boas dicas. Vou procurar o livro: Além da revisão, logo, logo.

  6. Depois não se esqueça de nos contar sua impressão sobre o livro, Goretti. 🙂

  7. Olá, Pablo
    Sou o autor de “Além da Revisão – Critérios para revisão textual”. Gostei muito do seu site, você está de parabéns. Também tenho um, se quiser conhecer. É o http://www.aristidescoelho.com.br. Fiquei lisonjeado de saber que comprou meu livro. Já são então três vendidos (minha esposa, minha mãe, e agora você, rss). Mas você é o primeiro leitor a encadernar. Da mesma forma que você, também gosto de encadernação tradicional, tenho de confessar. A inovação do espiral (Wire-o) foi discutida na editora e chegamos à conclusão que um livro de consulta deveria oferecer a facilidade de parar aberto, quietinho… No entanto deve ter ficado mais caro esse sistema.
    Quanto ao meu sobrenome, pois é, nada tenho a ver com o famoso Coelho Neto. Não se esqueça que Coelho é muito comum. Basta ver na lista telefônica – esse tipo de orelhudo se multiplica com uma rapidez incrível.
    Sucesso a você, obrigado pelas palavras gentis.

  8. É uma honra receber o autor da obra em meu blogue, Aristides. Afinal não é todo dia que um escritor de livro de revisão aparece no nosso espaço pessoal. Também não é todo dia que aparece um livro de revisão nas prateleiras. Você está de parabéns pela iniciativa e pelo trabalho, que, apesar de prazeroso, há de ter sido árduo.

  9. Gostei muito da dica e já estou provocando o pai e a mãe em Brasília a me mandar um de natal. Só faltou você entregar o ouro e revelar em qual entrequadra está escondido esse encadernador seu! ;]

  10. Debora, o encadernador, como não poderia deixar de ser, está no SIG, lá na quadra 8. Chama-se Rio-Bahia. Não se assuste com a má impressão que o local lhe causará.

  11. […] Julho 2008 A crônica completa está no nosso já bem conhecido Além da revisão, que tem ótimas crônicas e poesias sobre revisão e língua […]

  12. […] Recebi uma visita e um presente especiais. Ari trouxe-me a recém-lançada segunda edição de seu Além da revisão, com uma simpaticíssima […]

  13. Olá. Conheço a obra do Aristides Coelho Neto. Gostaria de saber se após a encardenação feita pelo Rio-Bahia, ela continuou sendo “um livro de consulta deveria oferecer a facilidade de parar aberto, quietinho…”. Grato Jander Tomaz

  14. Certamente não, Jander. Para mim, no entanto, por ter muita experiência com revisão, ele é mais um “livro de leitura” que um “livro de consulta”.

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