Pablo Vilela

Não, Não e Não

In Dia a Dia do Revisor on 8 de maio de 2008 at 11:02 pm

Não foi na faculdade que ouvi falar de revisão. Não foi lá que revisei meu primeiro texto (nem o milésimo primeiro). Não foi lá que conheci revisores. Não foi lá que aprendi a revisar. Não foi na universidade que me formei revisor de textos.

Não, não escolhi o curso errado. Não o subaproveitei. Não escolhi uma má faculdade (tive bons professores). Mas não foi mesmo lá que me tornei revisor de textos.

Com essas afirmações (negações, melhor dito), tento começar a responder a uma série de perguntas da Gleicienne (permita-me a indiscrição), que estuda Letras em Minas Gerais. Ela, como grande parte dos estudantes que vislumbram tornar-se revisores, sente-se inquieta com a incerteza de seu futuro na profissão.

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  1. Suponho que o assunto seja: Letras não necessariamente forma revisores. Bem, apesar de defender Letras como o curso mais feliz do mundo, a graduação da qual tirei os elementos mais importantes para descobrir e melhorar quem sou, concordo, caso seja essa a proposição. Infelizmente, nunca houve ênfase durante o curso sobre as possiblidades de atuação (que não a sala de aula) para o licenciado em Letras. Infelizmente, são duas coisas que amo isoladamente: o curso de Letras e a Revisão; surgiram simultaneamente na minha vida, mas brigam dentro de mim todos os dias.

  2. Traduzo literatura inglesa e americana há vinte anos – uma segunda vida porque na primeira fiz durante vinte anos outra coisa – e na faculdade de letras de lisboa também não aprendi a traduzir NADA. Nem curso de tradução havia, nesse tempo. Há mesmo coisas que se fazem porque já lá estão e só precisam de um olhar, uma imersão no líquido revelador, como na era clássica da fotografia. Depois podemos dizer «sou formada em Letras» e ninguém estranha…

  3. Olá, esse blog vem me ajudando bastante faz algum tempo. Por isso, gostaria de perguntar a quem puder me responder, uma questão sobre o uso do ponto-e-vírgula. No trecho: “O local dispõe de auditório para atividades diversas, como shows, peças de teatro e palestras; salas para exposições de artes plásticas; e espaço para oficinas de música, dança e teatro.”, o “e” depois do ponto-e-vírgula em deve ser mantido ou o correto é tirá-lo?
    Grata

  4. Raquel, o ponto-e-vírgula está separando três elementos: auditório, salas e espaço. Supondo que eles não tivessem adjuntos ou complementos, teríamos: O local dispõe de auditório salas e espaço. O ponto-e-vírgula apenas separa os elementos da coordenação que já têm vírgula, ignorando a existência de conjunções. Dessa forma, a conjunção, seja qual for, permanece intocada.

  5. Não foi na faculdade que aprendi a revisar, mas não teria me tornado revisora se não tivesse feito o curso de Letras (e um bom curso em uma boa universidade, por sinal).

  6. Olá,o que tenho percebido é que os revisores, na maioria das vezes, possuem formação autodidata e ingressam nessa profissão meio por acaso, revisam um texto aqui outro acolá(claro, a competência é algo imprescindível), enquanto vão ganhando a visibilidade da carreira.Posso estar cometendo um equívoco enorme em dizer isso, mas como não vejo nenhuma formação focada,logo é o que posso deduzir.

  7. Este assunto tem muito a ser explorado. Os cursos de Letras (ou quaisquer outros que nós, revisores, tenhamos cursado), a maioria deles, ainda não formam revisores. É claro que há disciplinas úteis para nossa atividade profissional, mas estão muito aquém das exigências do mercado.
    O mercado de revisão cresce muito, a demanda é enorme, mas a academia tarda a perceber. A tendência, no entanto, é que isso mude… aos poucos.

  8. Muito obrigada pela ajuda, Pablo!

  9. Olá! Tenho procurado informações na internet para responder a uma dúvida, mas não encontrei nada. Gostaria de saber se a profissão de revisor ortográfico é regulamentada. Caso não seja, o mercado costuma ver com maus olhos um revisor que tenha curso superior em área não afim com Letras? Obrigada!

  10. A profissão é regulamentada, Marina, pelo Sindicato dos Jornalistas. Alguns segmentos preferem revisores formados em sua área, como o Direito e o Jornalismo, mas não há nada que o obrigue. Em geral, para o mercado, a qualidade do seu trabalho importa mais que a sua formação.

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