Pablo Vilela

Popô

In Hora da Leitura on 21 de maio de 2008 at 7:16 am

Em meus quase longínquos anos de faculdade, tive uma única professora que incentivasse o letrando a enveredar para a revisão de textos (a regra era o estímulo à pesquisa científica e à docência). Muitos dos que nos tornamos revisores devemos gratidão à polêmica professora Wânia Aragão.

Receitava-nos doses cavalares diárias de dez verbetes do Dicionário de questões vernáculas, de Napoleão Mendes de Almeida (a quem deu a carinhosa alcunha de Popô).

Ele é controverso, é extremista, é inflexível. A revisão não é boa. Sua grande virtude era ser um combatente em favor da língua portuguesa, da correção. Para usar as marcantes palavras da professora, Popô é um grande formador de atitude (como ela própria o é).

Recomendo-lhe doses homeopáticas e bastante críticas de um ou dois verbetes diários.

De certo tempo para cá a última flor do Lácio vem-se transformando no Brasil em última escória do latim. Da borra lingüística resultante da expansão mais do que da decadência do império romano, borra que se depositou no fundo do tacho da península ibérica, duas línguas ainda se formaram e chegaram com os séculos a ter gramáticas.

Napoleão Mendes de Almeida

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  1. Olá Pablo,

    Seu blog é realmente muito bom!Visito-o sempre que posso. Abraços.

  2. Eu amo o Napoleão. Infelizmente não tenho o “Dicionário” em minha livre e exclusiva posse. Só na editora em que trabalho.

  3. Muito obrigado, Gleici. É um prazer tê-la por aqui.
    Pelo menos você desfruta da presença dele boa parte do dia, Fabiana. É uma bela companhia para as horas de trabalho.

  4. Oi Pablo,

    Gostaria de ver aqui mais recomendações bibliográficas, elas são de grande ajuda.
    O que você acha do Livro: manual de preparação e revisão, da Ildete Pinto; Princípios e técnicas de editoração do Emanuel Araújo?

    Conto com sua ajuda.

    Abraços.

  5. Nesta seção mensal, Gleici, falo sempre sobre uma obra relacionada, direta ou indiretamente, à revisão. Gostaria de ter mais do que falar, mas não passam de meia dúzia as obras sobre revisão de textos. Além disso, a maioria delas tem mais valor histórico que prático, como o caso do citado Ildete (no masculino). Valem a pena? Claro. São a história de nossa profissão. É importante conhecê-los todos. Aos poucos eles aparecerão por aqui.

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