Pablo Vilela

Trajetória dos Livros

In Preciosidades on 11 de junho de 2008 at 9:40 pm

Os livros são bichinhos que muitas vezes percorrem belas e intrigantes trajetórias para um dia chegarem às mãos certas, e sempre temporariamente, é claro.

Joice

Anúncios
  1. Isso é a coisa mais interessante… Tenho comigo um livro de Stefan Zweig, desses achados em banca de 1 real, autografado pelo próprio. Até hoje me pergunto como veio parar lá naquele sebo…

    Muitas vezes manuseamos livros de sebo cujo aspecto deixa claro que foi muito bem usado e cuidado pelo dono, com anotações, capas para proteção e tudo o mais, e logo me vêm à mente filhos perversos, brigando por caraminguás de herança. Triste que as pessoas, além de não guardarem suas memórias familiares, ainda as transformem em objetos de venda, vendinhas, rolinhos em que qualquer 50 paus são mais importantes que sua própria história.

  2. Leticia, não vejo como perversidade dos filhos, mas como qualidade inata dos livros: assim como disse a Joice, eles foram feitos para chegar a várias e várias “mãos certas”. E, no livro comprado por você a 1 real, a grande preciosidade não é a assinatura do autor. É o livro que está em suas mãos.

    Beijo.

  3. Muitos livros, Cássia, carregam consigo mais que um monte de páginas encadernadas. Isso simplesmente é assim. Não fosse, as grandes bibliotecas não teriam sua razão de ser. Para dizer a verdade, o livro já teria acabado se bibliotecas não os tivessem para si, possessiva e eternamente.

    Em absoluto não valorizo livros como objetos nas minhas mãos. Aliás, a maioria do que se publica seria mais útil como polpa. Valorizo livros que tenham história, tanto por seu conteúdo intelectual quando pelo que carregam como objeto que pertence ou pertenceu a alguém. Você não acha que eu venderia, a preço de banana ou qualquer outro, os livros de minha avó… Ou acha? Continuo na minha difícil luta de segurá-los, todos ao mesmo tempo.

  4. Bem, Leticia, eu dou os meus livros de presente e muitos eu nem sei onde estão. Para mim, o verdadeiro legado está nas palavras contidas e não nos objetos em si. Uma biblioteca só existe não apenas pelos livros, mas porque milhares de pessoas saem de lá com seus exemplares debaixo dos braços. E os meus futuros netos poderão dar todos os meus livros, de preferência com dedicatória, em sinal de reconhecimento à avó que já deu mais de 50 livros de presente, todos devidamente dedicados e assinados com amor e carinho.

    Beijos.

  5. Beleza, Cássia. Não tenho conta dos livros que dei, nem dos que tenho. Tomara que seus netos façam a sua vontade. Talvez seja melhor chegar ao fim da vida sem livro nenhum em sua posse. Os meus descendentes, sinto, terão um trabalhão. Espero que pra dividir entre si, e não pra fazer a liqüidação-rolinho.

  6. nossa, quanta honra, Pablo : )

    mesmo que aprisionemos os livros em estantes – e eu obviamente também faço isso -, uma hora eles escapam para seguir os seus caminhos. é o que vejo, sinto. já fui muito mais apegada e ficava P da vida quando um livro emprestado não voltava. hoje já relaxei um pouco mais quanto a isso e gosto de imaginar que caminho ele traça, por que mãos anda, o que outras pessoas fazem a partir dele, etc. taí, às vezes dá vontade de dizer “me leva junto?” : )

    beijo

    joice

  7. Eu ainda tenho dificuldade para deixar meus bichinhos irem embora. Acho que os livros contam a história de cada um. O que meus descendentes pensarão sobre mim? Meus livros dirão muito a meu respeito, sem dúvida. Mas, ao mesmo tempo, sinto-me feliz quando dou um livro meu de presente, e isso por dois motivos: o primeiro é que, se um livro sair das minhas mãos para preencher outras, significa que quem o recebeu é dono da minha estima e do meu afeto; o segundo motivo é o fato de que, se um livro que foi criteriosamente escolhido é dado de presente, o presenteado levará uma parte de mim, uma mudinha do meu jardim de livros, aquele de alguns posts atrás. Beijos!

  8. Não é fácil me desfazer de meus livros. Ano passado, quando organizamos o Dia do Livro na Link, travei uma luta interna antes de separar o primeiro livro de minha estante. Depois do primeiro, porém, consegui selecionar algumas dezenas de livros que não devo mais ler e, se quiser, posso comprar novamente ou buscar em uma biblioteca. A experiência foi muito produtiva e o resultado foi maravilhoso. Certamente quem estiver hoje com esses livros há de fazer ótimo proveito.

  9. A Joice acertou em cheio. Grandes esperanças me chegou às maos inesperadamente, e de uma migo que nunca o leu, mas pela dedicatória a avó dele queria muito que ele lêsse. Li por causa da dedicatória da véa que era pro neto, e que acabou sendo pra mim.

    Livros sao mesmo bichinhos…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: