Pablo Vilela

Revisão em Dupla

In Dia a Dia do Revisor on 25 de junho de 2008 at 10:51 pm

Quando aprendi a revisar, vigorava a boa e velha leitura em dupla. Você não é desse tempo? Funcionava assim: um dos revisores lia em voz alta o texto digitado. O outro acompanhava ao lado no original. Se encontrava diferença, o revisor do original acusava a falha. Quando havia erro ou dúvida, debatiam a questão. Dizem que duas cabeças pensam melhor que uma.

E a produtividade? Um sempre cobrava do outro o melhor desempenho. O trabalho era rápido e sobrava tempo até para conversar. Em um passado já quase longínquo, nossa profissão foi menos solitária.

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  1. Vou considerar como “bem-vinda”, ainda que tenha sido coincidência, e que não possamos fazer a leitura em dupla.

    Batman e Robin não teriam sido sucesso mundial se eles só se falassem pelo msn.

    De qualquer maneira, obrigada.

  2. Leitura em dupla ainda se faz, aqui e acolá. É algo ultrapassado, dada a confiabilidade, em teoria, da composição digital.

    Já fiz muita dupla, às vezes com pessoas péssimas e outras com companheiros maravilhosos.

  3. Leio em voz alta, em dupla, somente quando participo de algum sarau literário. Sabe que não sou revisora, mas que fica mais agradável, fica!! 😉 Beijus

  4. Gosto de revisores. Gostei do seu blogue. Voltarei, posso? Um abraço.

  5. Essa pergunta “você não é desse tempo?” faz muito sentido; não, eu não sou; sequer sabia que era comum fazer revisão em dupla, ao menos revisão convencional. Sim, porque (e lá venho eu com as minhas curiosidades) revisão em braille se faz assim até hoje. Quando um livro em tinta é transcrito para o braille, uma pessoa fica de olho no original enquanto outra, alguém que domina o sistema braille, lê em voz alta o texto; assim faz-se a conferência e procuram-se os erros. Eu nunca fiz esse tipo de trabalho, mas sei de algumas pessoas que fizeram, as mesmas que me contaram como funciona o processo. Deve ser divertido trabalhar assim. Beijos!

  6. Claro que pode voltar, Marie. Sejam bem-vindas.
    Isso também acontece, Leticia. Um dos revisores pode acabar tendo de trabalhar dobrado; mas, quando a dupla é harmônica, funciona muito bem… funcionava, né?
    Tem razão, Luma, afinal, quase tudo que se faz em dupla fica mais bem-feito que quando se faz sozinho.
    Dessa eu não sabia, Laís. Eu gostava de trabalhar assim, mais ainda porque, onde eu trabalhava, éramos 10 duplas. Era divertido e o trabalho rendia. Havia uma disputa saudável entre as duplas.

  7. ai, que saudade. eu saindo da sessão nostalgia no comentário que postei aqui agora há pouco, e caio nesse post! vírgula, um toque com o lápis; ponto-e-vírgula, dois toques. consoante dobrada, nenê, memê, tetê.
    sim, rendia muitíssimo, muito mais do que revisão individual, vai que é um galope, e não escapa nada, pois, se um bobeia, o outro está ali.

  8. fora a graduação no tom de voz, para poder ler em voz alta horas e horas seguidas (com revezamento a cada 20 min.). então ficava aquela voz baixinho, rápida, tranqüila. um barato.

  9. Muito bem lembrado, Denise. Eu ia falar, no artigo, sobre o lápis batendo, mas achei que ninguém saberia do que estou falando. Isso das letras dobradas também é um caso especial. Eu estagiava no Senado. Até hoje sei como se escreve o nome de muitos parlamentares por causa da leitura marcando as consoantes dobradas. Haja nostalgia!

  10. Posso contar uma historinha? No tempo do pepê, do pevê, do abre, do fecha, do tec-tec do lápis e do pá, uma amiga minha acompanhava a colega, e ela leu Voltaire – “Vol-tái -re”, assim mesmo como se diria (coisa de que nunca gostei, porque qual a criatura que não sabe que “Voltér” se escreve Voltaire?).

    Minha amiga estranhou, pensou “bem, tudo bem, é o rigor da comparada”, quando a colega levantou-se e foi procurar na enciclopédia “um dado que falta sobre… Vol-tái-re”.

  11. Coitada da sua amiga. A gente ouve cada uma! 😆

  12. Bom, trabalho numa editora de didáticos e sempre usamos a leitura em dupla em primeiras provas, como o bom Emanuel Araújo recomendava. Mesmo com a composição digital, muitos erros passam, já que há digitação, vaciladinhas de macro etc.

  13. Fazem muito bem, Fernando. O gasto da empresa é certamente maior, mas a qualidade final do trabalho é muito melhor.

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