Pablo Vilela

Archive for julho \28\UTC 2008|Monthly archive page

Despedida

In Dia a Dia do Revisor on 28 de julho de 2008 at 1:36 am

Em meu primeiro emprego, éramos um departamento de vinte esforçados revisores. A chefe, que me ensinou muito do que sei, teve a infelicidade de perder pai e mãe na mesma semana. Comovidos, encomendamos uma coroa de flores e uma faixa com dizeres cuidadosamente ditados por telefone.

No momento da cerimônia, assinávamos a faixa: Departamento de Revizão.

É por isso que me penaliza a situação do Senor Abravanel. Admira-me o desleixo com que essas empresas tratam os pesarosos.

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Cabeça de Tijolo

In Outras Revisões on 26 de julho de 2008 at 8:27 pm

Esta é mais uma citação retirada do pequeno grande O livro entre aspas.

Cabeça de tijolo

Lord Chesterfield

Compre e leia bons livros; os melhores livros são os mais comuns, e as últimas edições são sempre as melhores, a menos que os editores tenham um tijolo no lugar da cabeça.

Revisores de Férias

In Cadê o Revisor? on 24 de julho de 2008 at 9:19 pm

Parece que os revisores do país inteiro aproveitaram as férias escolares e universitárias para descansar. Vi de tudo este mês. Teve ator preso por engano. Teve anúncio de carro se vangloriando do menor acabamento interno da categoria. Teve cinema exibindo a Viagem ao c… da Terra (Julio Verne deve estar xingando). Teve revista com página repetida. Teve despedida cheia de adimiração (Dercy deve continuar xingando). Teve até princesa saldita sendo apedrejada pela língua portuguesa.

Pois bem, aproveite a oportunidade para propagar seus serviços por aí. Tem muita gente querendo saber: Cadê o Revisor?

A Vírgula

In Hora da Leitura on 21 de julho de 2008 at 1:26 am

Crasear é fácil. Acentuar é fácil. Hifenizar é fácil. Mas quem nunca tropeçou em uma vírgula? Virgular bem pressupõe vasto conhecimento das estruturas sintáticas.

A vírgula, como a obra de Luft em geral, tem linguagem acessível ao usuário comum da língua, mas é também útil ao revisor. Está tudo nas gramáticas. Nele, porém, temos um espaço maior reservado só às vírgulas. Caso a má diagramação incomode, o concorrente Uso da vírgula tem até exercícios.

Senso das estruturas sintáticas. E não ouvido, a não ser que emprestemos outra significação a essa palavra. Virgular de orelha é virgular como um colegial insipiente.

Celso Pedro Luft

Significados

In Outras Revisões on 20 de julho de 2008 at 9:56 pm

Significados

Lewis Carroll

Quando uso uma palavra, disse Humpty Dumpty em tom desdenhoso, ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique, nem mais nem menos.

A questão, retrucou Alice, é saber se você pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.

A questão, replicou Humpty Dumpty, é saber qual a palavra que manda – isso é que conta.

D’Antas

In Cadê o Revisor? on 17 de julho de 2008 at 7:52 pm

Ator da novela das seis é preso por tentativa de suborno, entre outras diversas acusações.

É o que diz a matéria de um jornal italiano. A reportagem trata do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, que está em todos os jornais. Na foto, enorme, o ator global homônimo, que estuda processar o jornal.

Enquanto isso, na redação do La Stampa, o editor-chefe procura: Dov’è il revisore?

Concorrência

In Dia a Dia do Revisor on 16 de julho de 2008 at 12:35 am

No mundo capitalista, a concorrência é implacável em todas as profissões. Errado. Em revisão de textos não existe concorrência.

Claro que, para aquela vaga, alguém oferecerá melhor condição que a sua (preço baixo, entrega rápida, melhor currículo) e você não revisará. Questão de física: dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Existem, porém, os demais espaços a ocupar.

Questão matemática: quantos você conhece que escrevem ou publicam? Vale livro, artigo de periódico, documento, carta comercial, monografia, panfleto de festa. E quantos revisores você conhece?

Mas quem escreve acha que não precisa de revisor. Você não quer que eu vá lá dizer que eles precisam de você, quer?

Merecimento

In Preciosidades on 14 de julho de 2008 at 3:24 am

Ele ouviu por aí, mas é muito pertinente, sobretudo porque dito por quem trabalha bem.

Quem trabalha mal porque ganha pouco ganha mais do que merece.

Diniz

Inimigos

In Outras Revisões on 13 de julho de 2008 at 3:48 pm

No caso dos homens, eu acrescentaria à lista o provedor de internet e a operadora telefônica, que nos deixam deliberadamente sem a possibilidade de publicar. Pela ausência me desculpo.

Inimigos

Paul Valéry

Os livros têm os mesmos inimigos que os homens: o fogo, a umidade, os animais, o tempo e o próprio conteúdo.

Livro na Mão

In Dia a Dia do Revisor on 9 de julho de 2008 at 4:26 am

Você leu no Blog da Paulinha que ela apóia o Movimento Livro na Mão, criado pela Cris. Eu, sem o conhecer, já o apoiava. O procedimento é simples. Olhe sua querida estante, repleta de ótimos livros, e eleja qual o acompanhará nos próximos dias.

Você define o método de eleição. Escolha seu predileto. Escolha o que causará admiração nas pessoas com quem cruza no caminho. Escolha aquele com título enorme, para todos poderem ler. Ou escolha o mais antigo, com capa de couro, sem título, para deixá-los curiosos.

Não importa a razão, nem interessa a forma. O fundamental é que você saia por aí com um livro na mão, bem à vista, vangloriando-se de tê-lo por perto e despertando nos outros a vontade de fazer igual.

Travessão

In Dica do Mês on 7 de julho de 2008 at 7:47 pm

O hífen tem três finalidades: ligar elementos de vocábulo composto, unir pronome átono a verbo (na ênclise e na falecida mesóclise) e dividir palavras na translineação, a hifenização dos editores de texto (só use em caso extremo). Hífen jamais admite espaços ao seu redor.

Travessões são dois. Expressões que denotam ligação, encadeamento — ponte Rio–Niterói, custo–benefício — levam travessão curto, o traço. O longo usa-se no discurso direto ou para isolar o que se queira.

A rigor, é assim. Na prática, aplico o travessão longo apenas em diálogos. Ele é feio. Nos deslocamentos, é visualmente mais agradável empregar o curto. Só não vale hífen. Hífen é mesmo para os casos que vimos antes.

Se, no entanto, seu diagramador reclamar, argumente como a Cássia, ao ouvir do arte-finalista que travessão e hífen não passam de risquinhos: você usa duzentos tons de amarelo e eu nunca reclamei, então não reclame dos meus tracinhos.

Conjugação Esperta

In Outras Revisões on 4 de julho de 2008 at 4:44 pm

A crônica completa está no nosso já bem conhecido Além da revisão, que tem ótimas crônicas e poesias sobre revisão e língua portuguesa.

Conjugação Esperta

Thirsa Costa

Naquele dia eu perguntava à classe como era classificado o aqui. Reginaldo, sem titubear, respondeu antes de os colegas raciocinarem.

— É verbo.

— Hmm! Pois se é verbo — disse eu —, conjugue. Voz bem alta, para todo mundo aprender, gracinha de garoto…

O rapazinho, olhar maroto, ficou de pé, fechou os olhos e atendeu ao pedido, meio sério, meio riso abafado:

— Eu aqui, tu ali, ele lá. Nós aquém, vós além, eles acolém.

Andarilho

In Dia a Dia do Revisor on 3 de julho de 2008 at 3:05 am

Ando sempre com um livro sob o braço (e uma caneta vermelha no bolso). Às vezes, leio no caminho. Em outras ocasiões, paro sob uma árvore, em um banco, na primeira sombra que avisto. Encosto em uma pilastra, no meio da rua, e leio.

O livro é uma ótima companhia no almoço solitário do dia-a-dia (e poucos objetos são melhores para marcar seu lugar enquanto você se serve). Solitário? Não há solidão quando se tem um livro por companhia.

Sonho

In Outras Revisões on 1 de julho de 2008 at 10:36 pm

Você sabe que apóio a bibliofilia. Ademais, sou especialmente fã daqueles que, nascendo neste mundo em que o livro tem concorrentes tão fortes, reconhecem desde cedo seu valor.

Paula Akkari tem dez anos. É poeta e leitora voraz. Um exemplo a ser seguido.

Os livros

Paula Akkari

Os livros carregam o mundo

(…)

Antes de dormir

Os livros me fazem sorrir

Sonho em morar em uma livraria

Que bom seria!