Pablo Vilela

Travessão

In Dica do Mês on 7 de julho de 2008 at 7:47 pm

O hífen tem três finalidades: ligar elementos de vocábulo composto, unir pronome átono a verbo (na ênclise e na falecida mesóclise) e dividir palavras na translineação, a hifenização dos editores de texto (só use em caso extremo). Hífen jamais admite espaços ao seu redor.

Travessões são dois. Expressões que denotam ligação, encadeamento — ponte Rio–Niterói, custo–benefício — levam travessão curto, o traço. O longo usa-se no discurso direto ou para isolar o que se queira.

A rigor, é assim. Na prática, aplico o travessão longo apenas em diálogos. Ele é feio. Nos deslocamentos, é visualmente mais agradável empregar o curto. Só não vale hífen. Hífen é mesmo para os casos que vimos antes.

Se, no entanto, seu diagramador reclamar, argumente como a Cássia, ao ouvir do arte-finalista que travessão e hífen não passam de risquinhos: você usa duzentos tons de amarelo e eu nunca reclamei, então não reclame dos meus tracinhos.

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  1. Hummm… tá errado o diagramador colocar mil estilos mesmo.

    Mas – pelo menos no caso em que o livro está sob a minha preparação – faço o famoso busca-e-troca em travessões alt+150 e alt+151, os sublinhadinhos empinados no 1o, 3a, espaços duplos, espaços antes de pontuação, resolvo os “inclusive”, os “através”, os “tem que”, essas coisinhas para a qual o autor simplesmente não liga e que tomará um tempo desnecessário do diagramador caso seja visto depois, no papel.

    Isso depende também: depende da editora, do preparador e do diagramador. Quando todos à volta simplesmente não estão ligando pra coisíssima alguma, eu termino o serviço “comme il faut” e o próximo não pego mais.

  2. Ah, e não tenho condições mentais de fazer isso num texto de comentário (odeio html!!), onde uso o hífen como travessão e 3o. e 1o. como dá.

  3. Não vou fazer nenhum comentário; gostaria de saber seu e-mail para entrar em contato com você.
    Obrigada.

  4. Leticia, mas em publicidade raramente mexemos no arquivo, sempre é o arte-finalista quem faz isso. Senão, ah, eu mesma trocaria tudo com o maior prazer. 😉

    Um grande beijo.

  5. É mesmo, Cássia, por isso comentei outro dia com o Pablo que gosto de mexer só com livros. Publicidade é outro ritmo, outra coisa.
    No pouco que trabalhei com revistas, pedia para o texto vir para mim antes de ser diagramado, para evitar esse trabalho extra. No início os diagramadores (na Abril, principalmente) me olhavam como se eu fosse uma ET, mas me passavam o texto antes. Depois entenderam o porquê: no papel, você só dá uma última lida, resolvendo um problema gráfico aqui e ali, e pronto. Evita retrabalho pra todo mundo.

  6. Leticia, concordo plenamente com você! Não apenas facilita o trabalho de todo mundo, como o resultado é bem melhor. Vou começar a pedir os textos antes, mesmo que me olhem como se eu fosse uma ET, hehehehe.

    Imenso beijo.

  7. Uma criatura que diz que “travessão e hífen não passam de risquinhos” não é um diagramador, é só um operador de programa. Na maioria das vezes “diagrama” com o CorelDraw…

  8. Costumo pedir também para o texto vir para a revisão no editor de texto. Nem sempre isso acontece, principalmente com novos clientes. Com o tempo, a gente vai educando o cliente. O trabalho fica mais fácil e os riscos diminuem.
    Eu não queria dizer isso, Raquel, mas acho que você tem razão. 😆

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