Pablo Vilela

Direito de Resposta ao Trema

In Outras Revisões on 3 de outubro de 2008 at 4:25 pm

Ofereceram-lhe, como a todo condenado, ao menos a oportunidade de pronunciar suas últimas palavras. E foi assim que ele se despediu no Brogue do Cassano.

Direito de resposta ao trema

Roberto Cassano

Não venho aqui encher lingüiça nem esbanjar uma eloqüência inconseqüente. Estou tranqüilo quanto ao papel que venho desempenhando na sociedade, da qual tenho sido vítima com freqüência de ataques.

Não sou menino. Vivi e vi muito. Desde 43 que perambulo por estradas e ditongos da vida. Que o diga o U, este grande amigo a quem não me canso de garantir que tenha voz neste mundo de crescente exclusão.

(…)

Vou-me. Partirei de volta para o velho mundo, onde ainda há espaço para tremas, lamparinas e fados tristes. Saio desta vida para a ubiqüidade.

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  1. Amei!

    “Que o diga o U, este grande amigo a quem não me canso de garantir que tenha voz neste mundo de crescente exclusão.”

  2. Esse texto é lindo. E triste… Aqui não usamos trema, mas agora ele talvez se junte às outras pequenas peças da nossa grafia que vão ser excluídas.

    Beijo
    Helena

  3. Tchau, trema. Vai com Deus. Eu, de minha parte, continuarei suuuuuper sua amiga, forçando a amizade até onde nunca ouviram falar de você.

    Sim, querido trema, ainda falo “qüestão”, como todo bom carioca.

    Eu quero uma canequinha com os dizeres: “Trema, jamais te abandonarei”.

  4. Eu sempre tive uma relação conturbada com trema…

    Mas que bom que gostou do meu blog pessoal. É só um desabafo, para quem quiser saber mais sobre mim do que o que escrevo nos quadrinhos.
    Vou indicar seu site por lá.
    Um abraço, Pablo!

  5. Adeus, amigo trema! Sentirei muita saudade de você!

    Ps.: Pablo, acho que você vai gostar do novo texto do Ritalinas.

    Beijocas

  6. Eu continuo amiga do trema. Não o abandonarei mesmo que me chamem de “reaça”.
    Beijo, Pablo, querido.

  7. Adeus trema. Pra ser sincero nao vou sentir sua falta. Mas talvez sinta alguma nos primeiros dias.

    Mas espera… Cadê o tio do nao?

  8. Pois é, meu caro Pablo. Sentirei muita falta do trema, mas não sentiria do hífen, caso ele fosse abolido nas composições…

    Abraço!

  9. Também achei isso muito poético, Poetriz. 🙂
    Triste mesmo, Helena. Há dez anos, um amigo dizia que eu era a única pessoa que usava o trema. Será que ele tinha razão?
    Boa idéia, Leticia. Acho que vou fazer uma camiseta em homenagem a ele.
    O trema é gente do bem, Clara, acredite. Muito obrigado pela indicação. Adorei seus textos. Adoro textos que dizem muito em poucas linhas.
    Você tem razão, Cecilia. Gostei mesmo. Logo irei lá comentar.
    Eu pretendo usá-lo clandestinamente, Marie, sempre que puder. 😆
    Aposto que vai acabar sentindo falta dele, Vidal, mais cedo ou mais tarde. Ele fará falta.
    Também não sou fã do hífen, Fernando. Na verdade, não sou fã da bagunça de regras que envolve o hífen. E continuará bagunçado depois do acordo.

  10. Acredito que de tudo que nos foi tirado… é do trema que mais sentirei falta. Sempre lá, sorridente, pronto a servir e encaminhar nossos lábios à pronúncia correta.
    Demorei tanto tempo para começar a aprender…

  11. que bonito, sweet t
    “Sempre lá, sorridente, pronto a servir e encaminhar nossos lábios à pronúncia correta.”
    também gosto muito dele.

  12. Bonito mesmo! Virou tópico. 🙂

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