Pablo Vilela

Encadernação

In Outras Revisões on 12 de outubro de 2008 at 1:22 pm

Cada vez que vou a uma livraria, impressiono-me positivamente com algumas capas, encadernações e ilustrações. A estética de hoje, claro, é diferente da antiga, mas há muita gente fazendo trabalho bem-feito.

Encadernação

Frédéric Finó

Era formado pelos manuscritos de custo elevado, com bela caligrafia e ricas miniaturas, que possuíam capas de madeira incrustadas de esmalte, pedras preciosas, placas de metal ou marfim trabalhado. (…) Às vezes as encadernações eram de veludo, damasco ou seda, com ricos bordados. Os fechos, de metal precioso, de costume, gravados ou recobertos com esmalte, representavam simples desenhos ornamentais ou o escudo de armas do proprietário do manuscrito.

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  1. A encadernação e o design gráfico dos livros brasileiros melhoraram bastante. Nos anos 80, tem cada coisa de duvidar. Coisa de mau gosto mesmo. Desde a capa até a proporção da mancha, dá até nojo de ler.

    Antes disso, a coisa foi bem até o entreguerras, porque até então o papel era importado e o mundo era cor-de-rosa. Com as dificuldades da época, fomos obrigados a fazer livros que hoje se esfarelam só de olhar. E, num restauro, haja umidificação para que a manipulação do papel ocorra com um mínimo de desastre.
    Dos livros dessa época, salvam-se algumas capas, estilosas e muitas vezes feitas por artistas defendendo um troco, como Portinari e Tarsila. E vale o texto, é claro. Se bem que a composição era qualquer coisa. Tenho um Maria Antonieta, do Stefan Zweig, que troca linhas inteiras. Haja tirocínio pra ler uma coisa daquelas. Não sei por onde andavam os revisores naquela época.

  2. Acho que o gosto duvidoso dos anos 80 não é exclusividade dos livros, Leticia. 😆 Brincadeiras à parte, a história do livro cada dia me fascina mais. Não só a história da literatura, mas da confecção do papel, do livro, em todos os seus pormenores, é tudo fabuloso, tão mágico quanto a própria literatura.

  3. A época se foi.
    Hoje as pessoas parece não tem mais tempo para nada… 😉

  4. Mas mesmo com essa falta de tempo, Pal, ocorre hoje um resgate da beleza do livro. Recentemente, vi lado a lado duas edições primorosas do Dom Quixote. Quase as comprei só para enfeitar minha estante. Repare também em trabalhos como o da Mariana, do Interlúdio (você se lembrará de A menina que roubava livros), apenas para citar um exemplo de capa, diagramação e ilustração impecáveis.

  5. A encadernação, mesmo simples, é um luxo. É um prazer mandar encadernar aqueles livros muito manuseados, de que não podemos separar-nos, para lhes dar nova vida! Escolher a cor, o couro, o pano ou o papel, liso ou de fantasia é sempre uma coisa que não se faz todos os dias…

    Abraço
    Helena

  6. Tem razão, Helena. Quando mandei encadernar meu Além da revisão, foi um momento especial a escolha do couro e do papel. Até o cheiro do couro influenciou na escolha. A vontade que me deu foi encadernar todos os meus livros.

  7. Estou com uma pilha (literalmente) de livros do vovô que estavam em petição de miséria. Já limpei, retirei a cola velha, carcelei, obturei, costurei e ontem passei a primeira colinha que se deve passar na lombada antes de vir com os reforços colados com cola branca.

    Não tenho muita paciência (nem disposição orçamentária) pra fazer capa de couro e mandar dourar, pelo menos do jeito que eu gostaria). Mas vou bolar umas encadernações simples, porém diferentes e bonitas. Se der certo, ponho lá no blog.

  8. Oba! Quero ver, Leticia. Tenho certeza de que ficarão lindas.

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