Pablo Vilela

Crise

In Dia a Dia do Revisor on 24 de novembro de 2008 at 1:22 am

cofre

Em tempos de crise, não há quem fique alheio ao temor que aflige o mundo. Cada escolha, em especial quando envolve grande volume monetário, parece absurdamente dolorosa. Até para decidir como se divertir é preciso ponderar.

Enquanto você não pode investir suas horas de lazer em viagens, em eletrônicos, em grandes compras, retome o velho, divertido, saudável e barato hábito de ler um bom livro.

Especialistas garantem que a crise não afetará os livros. Eu garanto que ao menos os que já estão em suas prateleiras não serão afetados.

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  1. Creio que os sebos também não sejam afetados.

    Sou muito a favor.

  2. Olá! Estou começando a me interressar por revisão. Descobri seu blog e gostei muito. Será que estou no caminho certo? Estou terminando Letras, adoro literatura e queria fazer uma pós ou extensão na área de revisão. Sugere algum curso? Grata Regina

  3. Boa, Pablo! Eu mesma ganhei o “Chatô”, que nunca – NUNCA – li, apesar de sempre ter vontade. Veio do sebo (que pra mim tantufas…), e estou em fase de limpeza pra poder ler na cama, de noite. Acho que estou é adiando pro prazer ser maior…

  4. Dica maravilhosa! Mesmo com a corrida diária, crises e falta de tempo, essa ideia já é um porto seguro.

    Pablo, explique-me p.f. o que é “sebo” aí no Brasil. Para nós é só gordura, não faz parte da gíria.

    Grande abraço
    Helena

  5. É mesmo, Carol. Assim esperamos. Também adoro sebo.
    Está no caminho, sim, Regina. Esta nossa área é apaixonante. Existem alguns cursos espalhados pelo Brasil, principalmente em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Se investir na revisão, não vai se arrepender.
    Como deve ser bom saber restaurar livros, Leticia, e deixar os livros de segunda mão novinhos. Você bem que poderia nos dar umas dicas, né?
    Sebo, no Brasil, Helena, além da gordura, é uma loja que vende livros (e às vezes discos) usados. O nome vem da gordura mesmo, porque se supõe que os livros estejam ensebados pelo uso.

  6. Pablo, não dá pra explicar tuuuuuudo sobre restauro, mesmo porque o curso de restauro nunca acaba. Há sempre uma técnica nova, uma descoberta sem querer, um jeito inventado por um e passado graciosamente aos colegas.

    Mas, para um livro comum, com sujeira normal, relativamente novo, como o Chatô, por exemplo, as dicas basiconas são (para LIMPEZA, e não necessariamente para a estética):

    1) Com uma trincha larga, “varrer” a sujeira invisível página por página. Quando mais velho o livro, mais necessário isso de torna, pelo menos pra mandar embora os bichinhos que adoram comer aquilo devagarinho através das décadas. O barato deles de verdade é a cola da lombada, mas aí são outros quinhentos.

    2) Se a capa for plastificada (ou até dessas mais novas, envernizadas), limpar com um algodãozinho melecado com uma gosminha de sabão de coco X água. A sujeira se mede geralmente no que fica no algodão, e não num esperado novo aspecto da capa.

    3)Arrume duas bases fortes (melhor dois papelões bem grossos) e coloque o livro deitado, entre as duas folhas de papelão, de modo a poder pressionar o “fio”, a altura daquela massa de páginas, mantendo-a como um tijolo bem sólido. Com uma lixa fininha (de preferência usada), e sempre pressionando o volume entre os dois papelões, lixar suavemente os três perfis (em cima, embaixo e do lado do livro), de modo a eliminar (coisa de menos de um milímetro) aquela sujeirinha de manuseio das bordas das páginas. É importante não deixar de pressionar, pois se afrouxar a “pilha” de páginas a lixa pode entrar entre uma folha e outra e prejudicá-las.

    4) No final, complete com uma “espanada” no livro, folheando rápido aquela massa de páginas, pra poeirinha restante da lixação sair de vez.

    Pronto! Está limpinho (não necessariamente restaurado ou bonito) pra levar pra sua cama fofinha.

    Em livros velhos, velhos mesmo, caindo aos pedaços, a coisa é diferente. Envolve lavagem de páginas, várias etapas de limpeza, retirada de cola e nova capa, coisas impossíveis de explicar aqui. Mas, pra quebrar um galho:

    Primeiro se “umecta” o livro quando suas páginas estão quebradiças, ressecadas: dentro de um recipiente a ser fechado hermeticamente, repouse o volume sobre uma grade improvisada (por exemplo, um faqueiro baratinho, de plástico, desses furadinhos, colocado de cabeça para baixo, de modo a que o livro fique “suspenso”), tendo ao fundo uma solução de água com uma porcentadem (20%) de álcool. Essa solução pode completar 1 cm de altura no recipiente. O importante é que não ultrapasse a altura do faqueiro emborcado. Deixe de um dia para o outro. Em casos mais graves, uns dois ou três dias.

    Depois de “umectado”, pode ser usada a mesma técnica da lixação, com uma lixa de pé mesmo, porque em livros brasileiros da década de 30 até 50, 60, as brochuras deixavam margens grandes mesmo, contando com uma encadernação posterior, a ser encomendada pelo leitor. Portanto, geralmente há margem suficiente para que não desrespeitemos o trabalho do diagramador.

    Qq. dúvida (não consigo ser muito didática), estamos aí.

  7. Realmente, os livros não serão afetados pela crise, pelo menos não os que estão em nossas prateleiras! Eu, como amante das palavras e dos livros, não posso deixar de me fascinar com esta constatação e também com algumas dicas daqui.
    Abraços!

    PS: Ah, viva o Trema!…

  8. Que belíssima aula, Leticia. Muito obrigados! Algumas coisas aí são simples, dá para arriscar fazer. Deveríamos ter mais o hábito de cuidar dos livros, espanar e limpar com alguma freqüência. Mas a parte de umedecer as folhas eu não tenho coragem.
    É uma constatação que causa no mínimo um grande alívio, Eduardo. Obrigado pelo elogio. Volte mais vezes. 🙂

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