Pablo Vilela

Revisora Bailarina

In Eis o Revisor on 5 de outubro de 2009 at 12:51 am

On_Top_of_It_by_icedancerstephPublicitária de formação, Cássia dedica-se hoje à revisão, ao copidesque, ao ballet clássico e a seus blogues, primando pelo cuidado e afeto em todas as atividades que desempenha.

Que gênero de texto você revisa com maior frequência?

Livros, basicamente. Em especial acadêmicos, técnicos e de ficção. Também reviso material publicitário, mas com menor frequência.

E isso é uma escolha ou uma eventualidade?

Escolha. Quando decidi trabalhar em revisão de textos, minha preferência era pelos livros. Mas, até pela minha formação, comecei na área publicitária. Fui indicada para um trabalho freelance em uma agência, depois trabalhei durante um ano em outra e pedi demissão, porque realmente queria trabalhar de outra maneira. Revisei um livro, depois me indicaram para revisar outro e assim foi.

Caso precise revisar outro gênero, há alguma dificuldade ou impedimento?

Não, nenhum. Tenho experiência nas áreas publicitária e acadêmica, porque também já revisei trabalhos de conclusão de curso e afins. Sei que cada gênero tem a sua especificidade.

Você teve alguma dificuldade para implantar as novas regras no seu trabalho? Que melhorias elas trouxeram?

De maneira geral, o acordo não trouxe melhoria alguma. Hoje as pessoas confundem muito mais, não é raro encontrar textos com as novas regras misturadas às antigas. Além disso, há um grande volume de trabalho apenas para adequar os livros já lançados. A dificuldade que tive para implementá-lo na minha rotina aconteceu no começo: algumas editoras já queriam os livros segundo o novo acordo, outras preferiram esperar os primeiros meses. Assim, eu tinha de “ligar e desligar o botão do acordo ortográfico”, dependendo do trabalho.

E isso chega a causar algum transtorno?

Hoje, é apenas mais um item na minha rotina de trabalho. As novas regras já deixaram de ser novas para mim.

E nas horas vagas, o que você gosta de fazer?

Eu faço aulas de ballet clássico, assisto a várias séries de televisão, mantenho dois blogues, leio e também saio de vez em quando.

Então, mesmo depois de horas lendo a trabalho, você ainda lê para relaxar?

Leio, mas bem menos do que eu gostaria, justamente para descansar um pouco. É difícil ler muito depois de revisar tanto.

E você consegue ler um romance sem procurar erros?

Não, impossível. Mas eu sou solidária ao revisor. Quando encontro um erro, eu penso: “poderia ter sido eu”.

Então você acha que o revisor pode errar?

Não, não pode, mas erra. É humanamente impossível que um revisor passe pela profissão sem ter deixado escapar um erro sequer. E será justamente ele que nos atormentará: podemos deixar um livro de 500 páginas impecável, mas nos lembraremos daquele erro.

E como você lida com esses eventuais erros?

No início da carreira, eu me sentia a pior das revisoras. Pensei em desistir da profissão, porque não queria lidar com essa frustração. Hoje, eu me sinto mal por pouco tempo, mas também não me justifico. Errei? Assumo a responsabilidade e paciência.

A dança me ajudou muito nisso. O ballet clássico é a dança da perfeição. A revisão é a profissão da perfeição. Antes eu levava a revisora para o ballet: ficava frustradíssima quando os passos não saíam da melhor maneira. Até que eu entendi que a beleza de uma coreografia está no todo, e não diminui com um passo em falso. Aprendi a levar a bailarina para a revisão: se eu errei, um único erro não comprometerá a grandeza do texto.

Por último, quando pensa em crescimento profissional, o que lhe vem à mente?

Eu penso em reconhecimento da profissão traduzido em aumento dos valores pagos. Na área editorial, trabalha-se muito, paga-se pouco e isso acaba refletindo na qualidade do trabalho. Quero, de verdade, trabalhar com um prazo adequado, ganhando um valor justo, sem que eu tenha de fazer malabarismos para ganhar bem.

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  1. Tirando o ballet, e levando em conta que Cássia é uma moça educada, essa revisora aí sou eu. Parabéns, Cássia!

  2. Quem sabe a Cássia não lhe ensina uns passinhos?

  3. A essa altura do campeonato? Não, Pablo, thanks! Fico com minhas habilidades restaurísticas mesmo… (Ah, e hoje teve bafafá no trabalho! Fiquei muito contente comigo mesma, fui muito educadinha!)

  4. Que nada, Leticia. Conheça o blogue da Cássia e pergunte o que ela pensa sobre começar a dançar depois de adulta. Fiquei curioso sobre o bafafá.

  5. Estou com problemas no PC, e há certos blogues/páginas que tuff! desaparecem, e esse foi o caso do blogue da Cássia. O bichinho vai pro estaleiro semana que vem, sem falta.

    O bafafá foi que me chegou uma comparada indecente, Pablo. Tradução a desejar e preparação zero. E aí marquei uma reuniãozinha e rodei minha baiana, mas fui mooooito phyna…

  6. Gostei muito da entrevista “Revisora Bailarina” e gostaria, também, de ser uma revisora de textos.Para isso, tenho procurado cursos em Minas Gerais e não os tenho encontrado. Somente em São Paulo, Rio etc e, ainda, em dias não consecutivos, o que imposibilita a mim, frenquentá-los. Caso tenham conhecimento de algum (pode ser, também, em Brasília -DF), favor entrarem em contato comigo. Obrigada.

  7. Às vezes é necessário pôr as cartas na mesa mesmo, Leticia. Assim as coisas voltam ao eixo.
    Leda, pelo que sei, há um curso de graduação em revisão de textos em Belo Horizonte. É um curso pioneiro no Brasil. As pós-graduações em revisão também têm crescido muito nos últimos anos.

  8. Bom dia, crianças! Também adorei a entrevista. Confesso que me senti a própria Cássia, sem o ballet, é claro, e acrescentando o que me vem à mente quando penso em crescimento profissional: além de tudo o que Cássia disse, o sonho de trabalhar em casa, fazer meu horário etc. Um dia chego lá…

    Quanto à pergunta da Leda, bem, sei de duas especializações em revisão de textos: da PUC Minas e da Universidade Gama Filho, essa a distância… A primeira é meu sonho de consumo, mas inviável, pois moro em Cuiabá-MT, a outra, talvez eu faça um dia… Dê uma olhada nos sítios, Leda! Abraço e excelente fim de semana!

  9. Lili, trabalhar em casa é uma escolha. Dura, em alguns momentos; prazerosa, em outros. Já fiz essa escolha algumas vezes. Hoje gosto do convívio profissional. A qualquer momento posso voltar a preferir a solidão do lar,

  10. […] Revisora Bailarina 08/10/2009 O Pablo, no seu excelente blog Cadê o Revisor?, fez uma entrevista comigo para a seção Eis o Revisor. Quem quiser ler, clique aqui. […]

  11. E este artigo segue sendo o mais bem avaliado do blogue, até hoje.

  12. Cássia, oi, olá
    Bom, bem… (!) … encontrei você realmente por acaso, na internet… também fui publicitário, virei revisor há uns anos… e digamos que “deu certo”… Li tua entrevista e gostaria de manter contato, se você também acha ser o caso… eu creio que seja, mas posso revisar minha posição…
    No aguardo, agradeço e deixo um abraço, além das reticências várias.
    Flávio
    http://www.pos-texto.com.br (já fica o convite)

  13. Perdão, Flávio, mas acredito que você tenha se confundido um pouco. Você está aqui falando com o entrevistador. A entrevistada encontra-se nos links que estão no início da matéria.

  14. Adorei a entrevista com a Cássia. Lembrei-me de que eu quase desisti de ser revisora, quando deixei escapar um erro em agência de publicidade (o erro tomou proporções desastrosas e eu me culpei e sofri demais). Revisor é mesmo perfeccionista. Concordo quando ela diz que: “É humanamente impossível que um revisor passe pela profissão sem ter deixado escapar um erro sequer”. Sigo, esperando um maior reconhecimento, assim como a Cássia.

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