Pablo Vilela

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As Virtudes do Profissional do Texto

In Eis o Revisor on 16 de abril de 2013 at 8:47 am

As virtudes do profissional do texto

William C. Cruz

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Desde que ingressei na carreira de revisor de textos, fiz alguns cursos, li diversos livros cujo assunto era o mercado editorial e acumulei alguma experiência. Ainda assim, só muito recentemente encontrei um livro que abordava um assunto esquecido, quase antiquado. Valery Larbaud, em seu Sob a Invocação de São Jerônimo,[1] fala a respeito das virtudes do tradutor (muitas das quais se aplicam igualmente a preparadores e revisores de textos). Para que fique claro a que me refiro quando falo de virtude, cito o filósofo Mortimer Adler, numa passagem em que ele expõe a noção aristotélica de virtude:

Segundo Aristóteles, a virtude moral é o hábito de fazer as escolhas certas. Fazer uma ou duas escolhas certas dentre muitas escolhas erradas não basta. Se as escolhas erradas são em número muito maior do que as escolhas certas, você persistirá na direção errada – irá para longe da felicidade, não para perto dela. É por isso que Aristóteles enfatiza a ideia de hábito.

Você sabe como os hábitos se criam. Para criar o hábito de ser pontual nos seus compromissos, você tem de tentar ser pontual repetidas vezes. Gradualmente se cria o hábito da pontualidade. Uma vez criado, você tem uma disposição firme e forte de ser pontual ao chegar onde prometeu chegar. Quanto mais forte o hábito, mais fácil agir daquele jeito, e mais difícil perdê-lo ou agir de maneira oposta.

Quando você cria um hábito e ele está bem desenvolvido, sente prazer em fazer aquilo que tem o hábito de fazer porque o faz com facilidade – quase sem esforço. Você sente que é doloroso agir de modo contrário aos seus hábitos.

Aquilo que acabo de dizer vale para os bons e para os maus hábitos. Se você criou o hábito de dormir demais, é fácil e agradável desligar o despertador e continuar dormindo. É difícil e doloroso acordar na hora. Por isso, se você criou o hábito de se permitir entregar-se a certos prazeres ou de evitar certas dores, é difícil abandoná-lo.[2]

Julgo necessário evocar essa ideia de virtude porque ela, pelo que me consta, está praticamente ausente do imaginário dos aspirantes ao trabalho com textos – tradutores, preparadores, revisores… Tem-se em mente que é necessário estudar língua, dominar certos recursos de informática, organizar-se como categoria profissional, etc. No entanto, para além de tudo isso, há uma espécie de predisposição ao ofício que antecede a toda essa formação, digamos, técnica do profissional. O conjunto de virtudes que listarei adiante é o que, parece-me, constitui essa predisposição.

Parto de minha experiência pessoal e das leituras que fiz e estou bem ciente de que há uma boa dose de subjetivismo e generalização. Seja como for, se o que tenho a dizer suscitar alguma autocrítica em profissionais experientes ou contribuir para a formação de aspirantes e iniciantes, já me darei por satisfeito.

Para o propósito que tenho em mente, não é necessário distinguir com precisão as atribuições de um preparador e de um revisor de textos. Mantenho o termo revisor simplesmente porque estas considerações foram suscitadas pela avaliação do trabalho de um revisor. O que vem a seguir, no entanto, se dirige igualmente a preparadores e revisores.

1. O revisor humilde (humildade x orgulho)

Já vi o revisor ser comparado a um goleiro – execrado quando falha, esquecido quando brilha. Não considero a metáfora válida. Para mim, o revisor de textos se aproxima mais da figura de um contrarregra – alguém cujo trabalho é garantir, com a máxima discrição possível, sem fazer-se notar, que tudo funcionará bem para que o outro brilhe.

Aliás, um contrarregra que, por alguma razão, se julgue digno dos holofotes está fugindo à sua função. Pode até ser que tenha seu talento e o exiba noutras oportunidades; mas, enquanto estiver como contrarregra, ele é contrarregra. O mesmo vale para o revisor. O pressuposto básico, fundamental, da atividade de revisão é que se revisam textos alheios. Isso implica que o revisor:

1. Renuncia seu próprio estilo, suas preferências, seu gosto pessoal. Se as escolhas do autor/tradutor estão corretas, coerentes, aplicadas sistematicamente, adequadas ao tom do texto, não cabe ao preparador/revisor modificá-las. Neste quesito se encontram boa parte das substituições de seis por meia dúzia que tanto incomodam tradutores e editores.

2. Presume que o tradutor é alguém suficientemente qualificado para fazer o serviço de tradução. Se esta presunção vai se sustentar ao longo do trabalho é outra história. Em geral, é aconselhável que o profissional parta desta presunção e procure imaginar por que o tradutor fez determinadas escolhas. O revisor é um humilde zelador do texto alheio e só deve interferir quando for capaz de justificar, de modo plausível, cada uma de suas intervenções.

3. Intervém no texto criteriosamente. Na minha segunda semana de trabalho como revisor, fiz alterações no texto de um dos diretores de uma grande empresa. Este deu um chilique, perguntando quem tinha mexido no texto dele. Muito cautelosamente, mas com firmeza, tive de explicar a razão de cada uma das intervenções que fiz. Certamente, quem mais saiu ganhando dessa experiência fui eu. Daí saí com o preceito: Não intervir arbitrariamente, mas criteriosamente.

A humildade faz o revisor/preparador reconhecer que o texto não é seu.

2. O revisor diligente (diligência x negligência)

Se há um vício mortal ao revisor de textos, este é a negligência, a displicência, a suposição de que ninguém vai conferir a qualidade do trabalho. Ainda que demore, em algum momento os problemas virão à tona, e o profissional ficará marcado. Por exemplo: todos os profissionais que trabalham para editoras recebem um manual de padronização e estilo. O manual não pretende ser exaustivo nem uma camisa de força; mas contém critérios convencionais que DEVEM ser aplicados. Se o manual diz que o número da remissão à nota de rodapé deve ficar depois do sinal de pontuação, não há nada que justifique que este apareça antes! Se o manual prescreve que depois do título de um livro citado em referência vem ponto final, não há razão para que conste vírgula. E assim por diante. Muito curiosamente, a revisão de prova acaba tendo de corrigir problemas de padronização porque o preparador deixou a desejar! Isso tem nome: negligência! São exemplos de negligência também erros de ortografia gritantes (que até o revisor do Word pode pegar), dúvidas que podem ser resolvidas com uma simples consulta ao Google, etc.

O revisor diligente confere tudo, consulta tudo, tira dúvidas, relê…

A diligência faz o revisor/preparador seguir com atenção as instruções recebidas e não se furtar à pesquisa para esclarecer suas dúvidas.

3. O revisor prudente (prudência x temeridade)

A partir daqui, as virtudes passam a aproximar-se umas das outras. Já dissemos que o revisor humilde tenta inferir os critérios do autor/tradutor e que o revisor diligente pesquisa, consulta, tira dúvidas. Pois bem, diremos agora que o revisor prudente não intervém quando tem dúvida, não repadroniza injustificadamente, não mexe no texto à revelia daquele que assina o texto ou de seu editor. Se, num romance, o tradutor optou por manter as marcações de diálogo com aspas, mantenham-se; se optou por usar travessões, conservem-se (salvo, claro, orientação contrária). Se, num texto ensaístico, o tradutor optou por usar as segundas pessoas, que assim seja; se ocorrem termos pouco usuais, um vocabulário rebuscado, por que vulgarizá-los? Vejam: escolher um vocabulário rebuscado ou simplório envolve uma decisão editorial que foge ao escopo do preparador/revisor.

A prudência faz o preparador/revisor pesquisar, perguntar, esclarecer e somente então interferir.

4. O revisor seguro (segurança x insegurança)

Nada do que foi dito até aqui tem como objetivo tolher a liberdade do preparador/revisor. O que se espera é que os profissionais sejam seguros do que fazem. Repetidas vezes, preparadores deixam comentários e revisores de prova fazem marcações a lápis com perguntas que poderiam facilmente ser resolvidas (com um pouquinho mais de diligência). Estar seguro de si e de seu trabalho significa apenas que se fez o trabalho com diligência e que se é capaz de justificar as decisões tomadas.

A segurança faz o preparador/revisor julgar criticamente suas justificativas e apresentá-las de modo plausível, caso lhe sejam exigidas.

5. O revisor responsável (responsabilidade x irresponsabilidade)

Espera-se que profissionais responsáveis assumam as consequências de seus atos, para o bem e para o mal. Caso algum padrão não tenha sido aplicado, o colaborador deve estar disposto a refazer imediatamente o que fez de modo incompleto ou equivocado; caso se comprometa a entregar o trabalho em determinado prazo, espera-se que o cumpra ou, ao menos, avise à editora com alguma antecedência que não conseguirá cumpri-lo. Sumir é atitude irresponsável. Não responder e-mails é atitude irresponsável. Não atender o telefone é atitude irresponsável.

Não cabe aqui tratar deste assunto, mas abordo-o apenas de passagem: em geral, o profissional já sabe quanto vai receber por determinado trabalho no momento em que o aceita. Alegar que fez o trabalho proporcionalmente ao valor recebido não é apenas irresponsabilidade: é ser desonesto! Se aceitou fazer o trabalho, que o faça com profissionalismo e responsabilidade!

A responsabilidade faz o preparador/revisor cumprir os prazos e as exigências daquele que contratou os seus serviços.

6. O revisor solícito (solicitude x hostilidade)

É imprescindível que um freelancer saiba que é um prestador de serviços, e a editora é um CLIENTE! E, como cliente, tem o direito de exigir que o trabalho seja feito de acordo com o que foi combinado e, caso seja necessário um retrabalho, o profissional, se é profissional de fato, há de fazê-lo de bom grado, visando a satisfazer seu cliente e a garantir que este continue a contar com seus trabalhos.

A solicitude faz o preparador/revisor receber de bom grado um feedback relativo ao seu trabalho mesmo quando este é negativo.

***

Perceberam como nada do que foi mencionado aqui diz respeito à competência técnica do profissional? Concordam que as características mencionadas aqui independem de sua formação acadêmica? Ficou claro que há uma espécie de atitude de espírito a ser adquirida perante o trabalho com textos? Espero que sim. Espero também que humildade, diligência, prudência, segurança, responsabilidade e solicitude façam de nós profissionais melhores. A começar em mim.

[1] Valery Larbaud, Sob a Invocação de São Jerônimo: Ensaios sobre a Arte e Técnicas de Tradução. Trad. Joana Angélica d’Avila Melo. São Paulo, Editora Mandarim, 2001.

[2] Mortimer J. Adler, Aristóteles para Todos. Trad. Pedro Sette-Câmara. São Paulo, Editora É, 2010, p. 108-09. (Coleção Educação Clássica)

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Papel do Revisor

In Eis o Revisor on 11 de fevereiro de 2010 at 1:48 am

O texto é encomendado, mas a história é verídica. Basta conferir a íntegra.

A diminuição do número de provas impressas até a aprovação final do material, não apenas para agilizar o procedimento, mas pela necessidade da economia de papel para a preservação do meio ambiente, deve ser preocupação constante de quem trabalha com o papel.

Prós para Poucos

In Eis o Revisor on 4 de janeiro de 2010 at 9:40 am

O acordo ortográfico aniversaria. Você já se adaptou a ele, mas ele é bom para você? O revisor e escritor Raul Drewnick responde à revista Com Ciência.

Como o acordo repercutiu em suas atividades e no meio editorial livreiro?

Ter certa idade (eufemismo para velhice) traz algumas vantagens. Uma delas, no meu caso, é essa de nenhuma reforma ortográfica ter mais o poder de me amedrontar. Passei por muitas (…) e, quando surge mais uma, eu a encaro com naturalidade. Nada mais daquele temor que tive quando enfrentei a primeira: Decifra-me ou te devoro. Esta recente deve ter, como sempre, sido bem recebida pelo meio editorial livreiro, especialmente pelas editoras que publicam livros didáticos. Novas edições, novas vendas. Pelos autores em geral, acredito, pelas manifestações que ouvi, que ela seja mais malquista do que bem-vinda. Eu, que, além de tentar diligentemente ser um escritor, sou revisor e sustentei, por muito tempo, minha família porque havia gente disposta a acreditar no meu talento para colocar vírgulas e crases, não tenho queixas. Meu trabalho aumentou.

As primeiras conceituações dessa nova ortografia datam de 1990. Estamos, oficialmente, na transição 2009-2012. Que haja essa transição de quatro anos é compreensível, mas até ela foram duas décadas. O que explicaria essa demora?

Irei para o inferno, certamente, mas acho que, nesta época de comunicação rapidíssima, com a possibilidade de e-mails, videoconferências e tudo mais, se esses modernos recursos não foram utilizados, alguma má-língua (o acordo respeitou este hífen, aleluia!) pode sugerir que as demoras nessa área se devem à necessidade de os donos da língua se reunirem várias vezes, e jantarem, e pernoitarem em bons hotéis e mostrarem como estão empenhados em defender nossa língua e em aprimorá-la.

Pela sua experiência, a nova ortografia, até sua completa assimilação, causa desconforto aos escritores?

Não acredito que os escritores venham a ter problemas, a não ser a vontade, que essas reformas geralmente provocam, de buscar os mais expressivos palavrões para saudá-las. Eu (…) fiquei particularmente tentado a mandar para todos os diabos quem tirou o hífen da expressão dia-a-dia (a palavra mais querida e mais essencial para quem faz crônicas). Dá vontade de xingar, quando se nota que avanços conquistados durante décadas foram varridos com uma vassourada só. (…) Antes do acordo, se eu escrevesse que fui à-toa, logo o leitor entenderia que fui um sujeito reles, desprezível. E se eu escrevesse que fui à toa, significava que andei meio sem rumo. Hoje, pela nova ortografia, tiraram o hífen, ficou só uma forma para o adjetivo e para o advérbio, para os dois significados: à toa. Quem vai lá saber se sou um sujeito reles ou se sou simplesmente uma pessoa que gosta de vagar por aí?

Houve, então, quebra de unidade semântica?

Houve um retrocesso nessa questão. Quando se formava uma nova unidade semântica, costumava-se utilizar o hífen, para assinalar a diferença. Pé de moleque, sem hífen, não era, salvo casos de aberração, coisa que se pudesse achar uma delícia. Já pé-de-moleque… Hoje o Volp registra só uma forma, para os dois casos. Precisarei recorrer a outro doce…

A Microsoft anunciou que já tem o corretor ortográfico adaptado à reforma. A função do revisor estaria ameaçada a longo prazo?

Cuidado com os corretores ortográficos de processadores de texto, pois muitas vezes apresentam soluções absurdas. O revisor já praticamente não tem lugar em jornais. Em revistas, a situação é um pouco melhor. Nas editoras (estou falando das melhores), haverá sempre lugar para o revisor, e seu trabalho não se limita a essas insignificâncias ligadas a um hífen que cai ou a um acento que é suprimido. O revisor checa nomes próprios; verifica fluência, coerência, coesão, repetição de palavras. O bom revisor hoje é quase um subeditor.

O novo Volp foi lançado em março. Cinco meses depois foi revisto e ampliado. A ortografia nota 10 é uma utopia para um léxico de quase 400 mil palavras?

Todas as reformas foram e continuarão sendo assim. Sai a edição tão esperada e, já no dia seguinte, começam a se ouvir discordâncias entre especialistas, que acabam resultando em novas edições. No caso de dicionários e vocabulários, acho que deveria haver, por parte de quem os edita, a disposição de dar ao leitor que vai comprar a segunda edição a possibilidade de, devolvendo a primeira, ter um desconto expressivo. Posso parecer terrorista, mas talvez fosse o caso até de os órgãos de defesa do consumidor entrarem nisso, se, pouquíssimos meses depois de publicada, uma edição for substancialmente alterada. Quanto à propalada riqueza do idioma, se você pegar qualquer dicionário, ficará espantado ao ver que quase todas as palavras registradas se referem a pássaros e árvores, cada qual com uma dezena de grafias (…). Baixar a bola, então, é preciso.

Conhece algum caso de alteração comandada pela reforma que interfere no conteúdo de um título de livro?

Um livro de poemas de Alice Ruiz, editado em 1984, tem o título Pelos pêlos (preposição e substantivo). Esse título hoje, a meu ver, ficaria enigmaticamente Pelos pelos; no entanto, a posição final, se gosta ou não, é do autor.*

* Consultada, Alice Ruiz informou que achou interessante, na reedição do livro, criar a ambiguidade.

Estante Entrevistada

In Eis o Revisor on 6 de dezembro de 2009 at 10:55 pm

Hoje a entrevista não é com revisor, mas com um grande livreiro. André Garcia, criador da Estante Virtual, foi entrevistado pela CBN e conta como surgiu e o que é o maior portal de venda de livros usados do Brasil, quiçá do mundo.

Revisora Bailarina

In Eis o Revisor on 5 de outubro de 2009 at 12:51 am

On_Top_of_It_by_icedancerstephPublicitária de formação, Cássia dedica-se hoje à revisão, ao copidesque, ao ballet clássico e a seus blogues, primando pelo cuidado e afeto em todas as atividades que desempenha.

Que gênero de texto você revisa com maior frequência?

Livros, basicamente. Em especial acadêmicos, técnicos e de ficção. Também reviso material publicitário, mas com menor frequência.

E isso é uma escolha ou uma eventualidade?

Escolha. Quando decidi trabalhar em revisão de textos, minha preferência era pelos livros. Mas, até pela minha formação, comecei na área publicitária. Fui indicada para um trabalho freelance em uma agência, depois trabalhei durante um ano em outra e pedi demissão, porque realmente queria trabalhar de outra maneira. Revisei um livro, depois me indicaram para revisar outro e assim foi.

Caso precise revisar outro gênero, há alguma dificuldade ou impedimento?

Não, nenhum. Tenho experiência nas áreas publicitária e acadêmica, porque também já revisei trabalhos de conclusão de curso e afins. Sei que cada gênero tem a sua especificidade.

Você teve alguma dificuldade para implantar as novas regras no seu trabalho? Que melhorias elas trouxeram?

De maneira geral, o acordo não trouxe melhoria alguma. Hoje as pessoas confundem muito mais, não é raro encontrar textos com as novas regras misturadas às antigas. Além disso, há um grande volume de trabalho apenas para adequar os livros já lançados. A dificuldade que tive para implementá-lo na minha rotina aconteceu no começo: algumas editoras já queriam os livros segundo o novo acordo, outras preferiram esperar os primeiros meses. Assim, eu tinha de “ligar e desligar o botão do acordo ortográfico”, dependendo do trabalho.

E isso chega a causar algum transtorno?

Hoje, é apenas mais um item na minha rotina de trabalho. As novas regras já deixaram de ser novas para mim.

E nas horas vagas, o que você gosta de fazer?

Eu faço aulas de ballet clássico, assisto a várias séries de televisão, mantenho dois blogues, leio e também saio de vez em quando.

Então, mesmo depois de horas lendo a trabalho, você ainda lê para relaxar?

Leio, mas bem menos do que eu gostaria, justamente para descansar um pouco. É difícil ler muito depois de revisar tanto.

E você consegue ler um romance sem procurar erros?

Não, impossível. Mas eu sou solidária ao revisor. Quando encontro um erro, eu penso: “poderia ter sido eu”.

Então você acha que o revisor pode errar?

Não, não pode, mas erra. É humanamente impossível que um revisor passe pela profissão sem ter deixado escapar um erro sequer. E será justamente ele que nos atormentará: podemos deixar um livro de 500 páginas impecável, mas nos lembraremos daquele erro.

E como você lida com esses eventuais erros?

No início da carreira, eu me sentia a pior das revisoras. Pensei em desistir da profissão, porque não queria lidar com essa frustração. Hoje, eu me sinto mal por pouco tempo, mas também não me justifico. Errei? Assumo a responsabilidade e paciência.

A dança me ajudou muito nisso. O ballet clássico é a dança da perfeição. A revisão é a profissão da perfeição. Antes eu levava a revisora para o ballet: ficava frustradíssima quando os passos não saíam da melhor maneira. Até que eu entendi que a beleza de uma coreografia está no todo, e não diminui com um passo em falso. Aprendi a levar a bailarina para a revisão: se eu errei, um único erro não comprometerá a grandeza do texto.

Por último, quando pensa em crescimento profissional, o que lhe vem à mente?

Eu penso em reconhecimento da profissão traduzido em aumento dos valores pagos. Na área editorial, trabalha-se muito, paga-se pouco e isso acaba refletindo na qualidade do trabalho. Quero, de verdade, trabalhar com um prazo adequado, ganhando um valor justo, sem que eu tenha de fazer malabarismos para ganhar bem.

Muito Além

In Eis o Revisor on 26 de maio de 2009 at 2:53 am

Existe vida além da revisão.

Em meia hora (dividida por limitação de armazenagem), o amigo Ari fala de literatura, música, língua, religião, história, ortografia, vida. Fala até de revisão de textos.

O que é Revisão?

In Eis o Revisor on 24 de março de 2009 at 11:21 am

Ela é diferente em cada meio.

A revisão da editora não é igual à do jornal, que é muito distinta da revisão da agência de publicidade, que pouco se assemelha à acadêmica ou à jurídica.

O que é revisão para você?

Entrevistando o Revisor

In Eis o Revisor on 26 de janeiro de 2009 at 4:00 am

Eis o Revisor. O desconforto com a câmera é patente; mas o recado, parece-me, foi transmitido.

Neste segundo aniversário, um presente para você que nos prestigia. Temos uma nova categoria. A cada bimestre, publicaremos a entrevista ou o ensaio de um revisor.

Como sugeri, usaremos a nova grafia, evitando as palavras que mudaram.

E, se pensa que Brasília não tem praia, veja que se engana.