Pablo Vilela

Archive for the ‘Hora da Leitura’ Category

Sexismo na Linguagem

In Hora da Leitura on 31 de maio de 2013 at 11:54 pm

Cláudio MorenoO professor Cláudio Moreno é desses paladinos da língua portuguesa que não se permitem vencer por modismos. Sua Língua é afiada. Longe de ser retrógrado, é um incessante defensor da lógica, do raciocínio, do bom argumento.

Aqui ele demonstra sua competência discursiva no mais polêmico tema de nosso gramaticalmente incorreto mundo politicamente correto.

Nossa gramática não tem o “viés” (palavrinha da moda…) sexista que lhe atribuis. (…) Em primeiro lugar, essa “supremacia” do masculino que nos leva a usar convidados, e não convidadas (…) (e que faz o dicionário registrar os substantivos no masculino singular – aluno, lobo, prefeito) – essa supremacia, repito, é ilusão. (…) Por isso, quando quisermos ser genéricos, podemos usar o singular, masculino (ou seja, o número e o gênero não marcados). (…) Paradoxalmente, o gênero que exclui é o feminino: se dissermos que o aumento vai ser estendido aos aposentados, homens e mulheres estão incluídos; se for, porém, estendido às aposentadas, os homens estão fora.

As mulheres não devem sentir-se humilhadas por isso; é assim que funciona o nosso idioma.

Cláudio Moreno

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Esses Livros dentro da Gente

In Hora da Leitura on 26 de março de 2013 at 9:24 am

esses livros dentro da genteEsses livros que, mesmo breves, cativam e ensinam como se grandes fossem.

Quer aprender a escrever? Esqueça (por ora) as aulas teóricas de redação e estilo. Permita que o texto nasça e amadureça dentro de você. Liberte-o. Deixe que ganhe vida própria. Leia. Escreva.

Quem quer escrever escreve. Principalmente, se terminou de ler um livro maravilhoso. Um livro maravilhoso escreve outros livros dentro da gente.

É preciso saber ler os livros dentro da gente.

Stela Maris de Rezende

Dicionário do Livro

In Hora da Leitura on 6 de maio de 2010 at 6:44 pm

Criança, sonhava com a coleção de setenta dicionários de meu avô. Cresci admirando-os.

Pensei em escrever o meu. Abandonei a empreitada por confessa incapacidade. Alguém mais teve a ideia. Em boas mãos, o resultado é admirável.

Rever • examinar um texto ou uma obra para corrigi-los ou emendá-los; reler; reexaminar; revisar.

Maria Isabel Faria

Maria da Graça Pericão

O Futuro do Livro

In Hora da Leitura on 25 de fevereiro de 2010 at 9:21 am

Nem tudo está perdido no reino da tipografia. Bravas editoras dedicam-se a devolver à arte o apreço que merece.

É o caso de O futuro do livro, que discute você sabe o quê, com incrível qualidade de impressão e projeto gráfico impecável.

Se o título deste livro supõe alguma dúvida, vou logo dizendo: Morre não! Mas que mania é essa de anunciar a morte do livro!

Levi Bucalem Ferrari

Bichinhos de Natal

In Hora da Leitura on 23 de dezembro de 2009 at 2:34 am

Findo o ano pesado, relaxe. Esqueça a sisudez. Leia por prazer. Os Bichinhos de Jardim são o melhor quadrinho da internet. Publicaram seu livro.

Comprei, li, gostei. Aproveite os últimos instantes antes do Natal. Livro é o melhor presente para todas as idades.

Clara Gomes

Manual do Revisor

In Hora da Leitura on 29 de outubro de 2009 at 2:04 am

253628Deve ser a mais consumida obra de revisão. Carrega diversos tópicos interessantes. Lastimável que tenha tantos problemas, acredite, de revisão. O mais grave? Errar o nome do próprio livro na Apresentação.

A leitura é importante, ainda que pela crítica.

Um livro bem revisado dá gosto de ler, mesmo que as páginas estejam amareladas, manchadas, mesmo que a ortografia já tenha mudado umas duas ou três vezes desde que o livro foi impresso.

Luiz Roberto Malta

É Feio Mentir

In Hora da Leitura on 30 de agosto de 2009 at 11:57 pm

Minha mãe já dizia. A sua também. Toda mãe diz, mas tem filho que não aprende.

Nada desabona a publicação de edições resumidas de dicionários. Os melhores do mundo têm resumo. Assumem. Carregam no nome a informação.

Aqui é diferente. Publicamos uma nova versão, muito resumida, com o mesmo nome da anterior. Assim é o novo Houaiss.

Está dito no prefácio. Deveria estar na capa.

Por ser esta nova obra mais breve que o Grande, procuramos nela primar pela regra do máximo de informações na forma mais contida e eficaz possível.

Mauro Villar

Sopa de Letrinhas

In Hora da Leitura on 23 de junho de 2009 at 2:56 am

SopaNa grande livraria, a garotinha deita-se de pernas para o ar. A cabeça repousa no ventre materno. Nas mãos, o acordo ortográfico. A mãe lê pacientemente e explica o que a pequena não compreende.

De aula de vogais a compêndio para bibliófilos mirins, as homenagens à língua, à palavra e ao livro enfeitam as prateleiras da seção infantil. Prova de que se pode amar o mundo das letras desde cedo.

O céu parece imenso quando voamos até o lugar onde nos sentimos bem vivos. Vamos batendo as asas até chegar à casa dos livros!

Brian Lies

Indispensável

In Hora da Leitura on 4 de maio de 2009 at 10:04 am

Apressado, caro, com péssimo acabamento, cheio de erros, mas com força de lei. Esse é o Volp. Por certo, a pior das cinco edições.

Com todos os seus defeitos, não é possível trabalhar sem ele. Não há sequer dicionário confiável que o substitua.

A primeira edição era diferente.

Dado o espírito (…) de ver na língua um bem comum, que será tanto mais de cada um quanto mais for de todos, esta obra (…) pede sugestões críticas de aperfeiçoamento, de quantos nela queiram colaborar com ânimo construtivo.

Austregésilo de Athayde

Menores Livros do Mundo

In Hora da Leitura on 19 de fevereiro de 2009 at 2:41 am

A procedência da tradução é incerta como a legalidade da publicação.

As edições, no entanto, são charmosas, dão um belo presente e um lindo enfeite. Com perseverança, Os Menores Livros do Mundo são até legíveis.

Contam-se alguns cânones entre os lançamentos. Minha pequena coleção tem três exemplares.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Hora da Leitura

In Hora da Leitura on 11 de janeiro de 2009 at 11:58 pm

clock-booksO aniversário do Cadê o Revisor? está chegando e você não sabe o que me dar de presente? Seus problemas acabaram.

Este livro-relógio é o presente ideal. Você pode escolher. Há o modelo preto, sóbrio. O retrô tem ponteiros em estilo clássico. No mais bonito, o colorido, os livros são desalinhados.

Terá de buscá-lo na Holanda, pois não entregam aqui, mas isso não há de ser incômodo para você.

Renascimento

In Hora da Leitura on 31 de dezembro de 2008 at 11:20 pm

No último ano, você se lembra, fiz ousadas resoluções literárias. Não as cumpri por completo. Cheguei à metade. Algumas ficarão pelo caminho, outras ainda pretendo concluir.

Este ano não farei estimativas. Parece ser um ano para surpresas, como as tive muito boas em 2008, quando fugi às previsões. Uma das grandes foi O livro dos livros perdidos, que  apresenta a curiosa história daqueles que não chegaram a ser lidos.

Então que venham as surpresas. E que venham ótimas surpresas para você em 2009.

Foi difícil queimar o trabalho de cinco anos, realizado ao preço de uma tensão tão mórbida, do qual cada linha me custou um distúrbio nervoso. No momento em que as chamas tinham consumido a última folha do meu trabalho, seu conteúdo renasceu, luminoso e purificado, como a fênix das cinzas, e subitamente vi o quão caótico era tudo que eu havia considerado ordenado e harmonioso.

Nikolai Gogol

Amável Arte

In Hora da Leitura on 30 de novembro de 2008 at 12:20 am

eduardofrieiro1Fim de ano e desde o artigo anterior estamos organizando a vida. Começamos com o becape. O guarda-roupa já está a meio caminho. A planilha de atrasados dos clientes mais esquecidos já foi providenciada. Cada aspecto que se ordena revela surpresas e memórias.

Organizando as estantes, redescobri um livro que já citei algumas vezes, mas a quem não dei a devida atenção. Pequenino e antigo, mas uma verdadeira jóia que conta com carinho a história de nosso grande amigo. Os livros nossos amigos, de Eduardo Frieiro, é leitura obrigatória para quem, como nós, é apaixonado por essa pequena peça de arte e (por que não?) de vida.

A arte de imprimir é a mais amável de todas as artes.

Eduardo Frieiro

Regimes

In Hora da Leitura on 21 de outubro de 2008 at 12:28 am

Dúvida que leva muito revisor experiente a abandonar seu texto para folhear um livro de consulta é a regência. É natural ter dificuldade com o regime de nomes e verbos. Com a evolução da língua, o uso das preposições em determinados contextos varia.

É imprescindível que o revisor tenha à mão um dicionário de regência verbal (substituível pelo bom dicionário de língua portuguesa) e, sobretudo, um de regência nominal (insubstituível). Fernandes é o grande clássico. Luft é mais atual e apropriado. Na dúvida, consulte ambos.

Revisão s.f. * de: Revisão de um texto, de um plano, de um programa, etc. (…) * em: Revisão na estratégia, nos planos, nos métodos.

Celso Pedro Luft

Lost

In Hora da Leitura on 23 de setembro de 2008 at 12:01 am

Imagine-se indo para uma ilha desconhecida. Você não sabe quando sairá de lá. Talvez nunca saia. Tem o direito de levar um único livro.

Se for esperto, leva o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, indubitavelmente o melhor em nosso idioma. Só com ele, você já tem o básico para ser o revisor da ilha e revisar as cartas que seus companheiros lançarão ao mar na esperança de salvação.

Com o tempo, depois de contribuir para a evolução cultural e tecnológica do lugar, consiga seu próprio dicionário eletrônico, que é substancialmente melhor.

revisão
• substantivo feminino
1 ato ou efeito de rever ou revisar
2 nova leitura, mais minuciosa, de um texto; novo exame
2.1 Rubrica: editoração, artes gráficas.
exame minucioso das provas de impressão a fim de fazer-lhes as necessárias emendas no confronto com os originais; revisão de prova
2.1.1 Derivação: por metonímia. Rubrica: editoração, artes gráficas, jornalismo.
corpo de revisores de um jornal, revista, editora etc.
Ex.: a revisão começará o trabalho no fim do ano

2.1.2 Derivação: por metonímia. Rubrica: editoração, artes gráficas, jornalismo.
local ou sala onde se revisam textos, antes de sua impressão definitiva

Antônio Houaiss

Mais Além da Revisão

In Hora da Leitura on 22 de agosto de 2008 at 9:19 pm

Recebi uma visita e um presente especiais. Ari trouxe-me a recém-lançada segunda edição de seu Além da revisão, com uma simpaticíssima dedicatória.

A nova edição vem revisada. O mais importante, a meu ver, foi padronizar a profissão como revisão de textos. Além da revisão, hoje posso dizer que a compra compensou. Encaderná-lo foi boa idéia. Toda a expectativa de outrora está confirmada.

Trabalhe incansavelmente para anteceder-se a impressões gráficas com erros que geralmente causam grandes constrangimentos. Não há errata que compense a perpetuação de erros. Desenvolva o poder de concentração. Seja disciplinado em revisão textual.

Aristides Coelho Neto

A Vírgula

In Hora da Leitura on 21 de julho de 2008 at 1:26 am

Crasear é fácil. Acentuar é fácil. Hifenizar é fácil. Mas quem nunca tropeçou em uma vírgula? Virgular bem pressupõe vasto conhecimento das estruturas sintáticas.

A vírgula, como a obra de Luft em geral, tem linguagem acessível ao usuário comum da língua, mas é também útil ao revisor. Está tudo nas gramáticas. Nele, porém, temos um espaço maior reservado só às vírgulas. Caso a má diagramação incomode, o concorrente Uso da vírgula tem até exercícios.

Senso das estruturas sintáticas. E não ouvido, a não ser que emprestemos outra significação a essa palavra. Virgular de orelha é virgular como um colegial insipiente.

Celso Pedro Luft

Manual de Preparação e Revisão

In Hora da Leitura on 21 de junho de 2008 at 2:13 am

Não é a primeira. Nem é a mais recente. Não é a mais fácil de encontrar. Talvez nem seja mesmo a mais completa, mas é sem dúvida uma das mais lidas e comentadas obras de revisão de textos.

Faz jus ao nome manual. Organiza-se praticamente em tópicos. Fazer dela um livro de consulta era o objetivo de seu autor, Ildete Pinto. Sim, Ildete é nome masculino. A propósito, apesar de nossa profissão ter mais mulheres, são poucas as que escrevem sobre revisão (entenda como provocação).

Malgrado todos os esforços, não há texto sem erros, desde os originais até o livro impresso. Mas, para minimizar isso, é preciso que qualquer original seja submetido pelo menos a uma correção ortográfica e de sintaxe.

Ildete Pinto

Popô

In Hora da Leitura on 21 de maio de 2008 at 7:16 am

Em meus quase longínquos anos de faculdade, tive uma única professora que incentivasse o letrando a enveredar para a revisão de textos (a regra era o estímulo à pesquisa científica e à docência). Muitos dos que nos tornamos revisores devemos gratidão à polêmica professora Wânia Aragão.

Receitava-nos doses cavalares diárias de dez verbetes do Dicionário de questões vernáculas, de Napoleão Mendes de Almeida (a quem deu a carinhosa alcunha de Popô).

Ele é controverso, é extremista, é inflexível. A revisão não é boa. Sua grande virtude era ser um combatente em favor da língua portuguesa, da correção. Para usar as marcantes palavras da professora, Popô é um grande formador de atitude (como ela própria o é).

Recomendo-lhe doses homeopáticas e bastante críticas de um ou dois verbetes diários.

De certo tempo para cá a última flor do Lácio vem-se transformando no Brasil em última escória do latim. Da borra lingüística resultante da expansão mais do que da decadência do império romano, borra que se depositou no fundo do tacho da península ibérica, duas línguas ainda se formaram e chegaram com os séculos a ter gramáticas.

Napoleão Mendes de Almeida

Além da Revisão

In Hora da Leitura on 30 de abril de 2008 at 11:13 pm

Quebrarei o protocolo. Em vez de livro lido, falarei de um que acabo de comprar. Minto: acabo de encadernar. Comprei-o há dias, mas a encadernação era em espiral. Conservadorismo, quiçá, mas não admito livro em espiral. Livro é brochura, capa dura ou, na pior das hipóteses, canoa. Espiral é para caderno.

Passado o susto e a má impressão, a obra promete. A diagramação é bela. O sumário é convidativo. Os temas são pertinentes. O autor, coincidência ou não, tem o sobrenome de um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. A crítica (da própria editora) empolga.

Quanto mais preparado estiver o revisor, mais catástrofes poderão ser evitadas, sem mencionar o aprimoramento que se obtém na apresentação gráfica. Em resumo, a vivência profissional do revisor poderá influir tanto na forma quanto no conteúdo da publicação.

Aristides Coelho Neto

Serviço de Revisão

In Hora da Leitura on 20 de março de 2008 at 9:15 pm

servico-de-revisao-de-provas.jpgA primeira publicação brasileira que trata especificamente de revisão e merece a alcunha de livro é O serviço de revisão de provas tipográficas, de Francisco Wlasek Filho. A obra, de 1965, é uma separata de artigos publicados na Revista do Servidor Público em 1964.

Não tem mais que uma dúzia de páginas, em que explica o que é a revisão, fala como deve ser o ambiente de trabalho do revisor, mostra fotos de salas de revisão dos anos 60, apresenta uma tabela de códigos de revisão (a mesma que hoje se tem por base) e demonstra o uso desses códigos.

Essa obra foi, enfim, referência para o (pouco) que já se escreveu sobre revisão de textos no Brasil.

Há um serviço na esfera das artes gráficas – o de revisão de provas – que, justamente por sua natureza meticulosa e ingrata, deve merecer a maior consideração dos dirigentes de qualquer empresa que tenha por finalidade a exploração daquele ramo da indústria.

Francisco Wlasek Filho

Paredes Vivas

In Hora da Leitura on 20 de fevereiro de 2008 at 9:02 pm

Há quem saiba usar o argumento certo para persuadir a outrem. A Sol indicou-nos um livro. Na verdade, indicou um único capítulo: o último. Resultado: tive de ler o livro inteiro. Sacrifício nenhum, pois é muito bom (mas preciso ressaltar que a revisão da edição por mim adquirida é bem ruim).

A seqüência das crônicas mostra a estada de um ano do cronista em Berlim, as dificuldades por que passou, as descobertas que fez. Risadas garantidas do começo ao fim. Na última crônica (a tal indicada pela Sol), estamos de volta ao Brasil, à infância do cronista (pergunto-me até agora o que essa crônica faz lá). É aí que conhecemos seus primeiros contatos com os livros. É para ler e ter vontade de voltar à infância para começar tudo de novo.

Aquelas paredes cobertas de livros começaram a se tornar vivas, freqüentadas por um número estonteante de maravilhas, escritas de todos os jeitos e capazes de me transportar a todos os cantos do mundo e a todos os tipos de vida possíveis.

João Ubaldo Ribeiro

Livreiro Catalão

In Hora da Leitura on 21 de janeiro de 2008 at 10:05 pm

Inauguramos esta categoria do blogue na França e por lá continuaremos. Agora, talvez a mais célebre notícia de jornal que os franceses já leram. Tornou-se conto nas mãos de uma dezena de escritores, entre eles Gustave Flaubert, aos 15 anos de idade.

O crime do livreiro catalão (matéria cuja autoria é atribuída ora a Charles Nodier, ora a Prosper Merimée) é protagonizado por um monge que se fez livreiro após a pilhagem de seu convento. Com a situação, tornou-se um bibliômano tão apaixonado que não conseguia se desfazer dos livros de sua loja. Fazia o possível para seus clientes não os comprarem e, quando não conseguia dissuadi-los, usava o que estivesse a seu alcance para reaver seus livros. Claro que isso não poderia acabar bem. E claro que não vou contar o que acontece. Um trechinho da versão de Flaubert (intitulada Bibliomania), só para deixá-lo com vontade de saber o final da história:

Amava um livro porque era um livro; amava seu cheiro, sua forma, seu título. O que ele amava em um manuscrito era sua data antiga e ilegível, os caracteres góticos bizarros e estranhos, as pesadas douraduras que carregavam seus desenhos; suas páginas cobertas pelo pó, pó cujo perfume, suave e delicado, aspirava com delícia.

Gustave Flaubert

Tempo para Ler

In Hora da Leitura on 10 de dezembro de 2007 at 11:26 pm

Inspirada pelos nossos cânones, a Márcia, leitora do blogue e amiga, teve a idéia: que comente o que de mais marcante eu tenha lido recentemente. Aceitei o desafio. Será uma boa forma de começar a brindar o primeiro aniversário do blogue, que cumpriremos no próximo mês.

Inaugurando a nova categoria, o que talvez de melhor eu tenha lido este ano (indicação da querida professora Denise), um dos mais prolíficos de minha vida de leitor. Chama-se Como um romance, em que Daniel Pennac conta como, quando e por que perdemos o gosto inato pela leitura e o que fazer para reencontrá-lo. Leitura obrigatória para pais e educadores e muito indicada até para quem ainda não encontrou o amor pelos livros. Conselho de fim de ano? Leia-o:

O tempo para ler é sempre um tempo roubado (tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar). Roubado a quê? Digamos, à obrigação de viver. (…) O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.

Daniel Pennac