Pablo Vilela

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A Arte de Arredar

In Outras Revisões on 31 de janeiro de 2010 at 5:33 pm

O que é a gramática?

A arte de arredar

Antoine Rivarol

A gramática é a arte de arredar as dificuldades de uma língua, mas é preciso que a alavanca não seja mais pesada do que o fardo.

Correm Boatos

In Dia a Dia do Revisor on 26 de janeiro de 2010 at 3:01 am

Corre o boato de que também, ainda, todo advérbio fica entre vírgulas. Corre o boato de que visar é transitivo direto. Corre o boato de que etc. não aceita vírgula.

Crer em boatos é mais cômodo que pesquisar. É mais fácil que analisar.

O grande erro é teimar e ignorar as provas em contrário.

Rasteira

In Cadê o Revisor? on 25 de janeiro de 2010 at 8:25 am

Já sentiu que lhe passavam a perna? É o que acontece nesta loja.

Você avista a promoção. Compra feliz seu par de sapatos. Espera ganhar uma sandália para a esposa. De súbito, surge por trás o funcionário especialmente treinado para lhe dar a rasteira.

Você sai da loja ferido, desiludido e perguntando Cadê o Revisor?

Cursos Pré-Carnavalescos

In Dia a Dia do Revisor on 24 de janeiro de 2010 at 12:56 pm

Ainda há tempo de se inscrever para os cursos de revisão de textos que ocorrerão nos próximos dias.

A Escola do Escritor dá oportunidade para quem passa por São Paulo. Em uma rápida viagem, você participa do curso, visita o museu e curte muito roque.

A Universidade do Livro volta a ministrar seu já tradicional curso de preparação e revisão. Ainda não o conhece? Agora pode ser o momento.

Se o seu ano não começou, nada melhor que iniciar com um pouco de informação.

Revisores e Revisores

In Outras Revisões on 23 de janeiro de 2010 at 10:01 pm

Para instigar a contenda. Não os conheço, mas a Simone jura que existem.

Revisores e revisores

Simone Campos

O revisor que quer mostrar serviço
Ele pega um livro que já teve uma tradução ou redação cuidadosa e, para justificar a despesa que gera, muda seis por meia dúzia.

O revisor sabotador
Além de não encontrar os seus erros, insere erros que não estavam lá e não usa marcas de revisão, para você ficar bem perdida e ter que pagar outro revisor do próprio bolso.

O revisor rolo compressor

Este tem a mania de aplainar a linguagem literária como se estivesse corrigindo um manual ou contrato. O rolo compressor sempre forçará a grafia mais comum assinalada no seu dicionário. Aí Fulano começa o serviço incontinente – e nem estava usando fralda geriátrica naquele dia, coitado.

Imagino se isso terá alguma relação com as vendagens de livros no Brasil.

Como lidar com a mudança

In Dia a Dia do Revisor on 22 de janeiro de 2010 at 1:35 pm

Curioso como lidam com a mudança.

Este trabalho é urgentíssimo. Não se atenha a detalhes. Preciso de velocidade, não de qualidade.

Recomendação especial?

Uma única, mas importante: preste bastante atenção às regras do acordo.

E medito sobre qual seria a diferença.

Provocação

In Outras Revisões on 18 de janeiro de 2010 at 10:14 pm

Provocação

Reginaldo Pujol Filho

Todo grande escritor provoca e desafia a língua. Brinca com ela. Não entra assim tão fácil ou por decreto em acordo com ela. Pega o bom português e transforma em ótimo português. Ou mágico, ou esquisito, ou lindo, ou novo ou de tudo isso um pouco.

Simples Assim

In Dia a Dia do Revisor on 17 de janeiro de 2010 at 3:06 am

Você lê deitado, em pé, andando? Segura o livro com uma só mão? Então já enfrentou o problema de seu polegar não ser largo e forte para manter as páginas abertas por muito tempo.

Se conseguir encontrar o ThumbThing (ainda não o encontrei), está resolvida a questão.

Simples, barato e muito útil. Serve até de marcador de página.

Seek and Destroy

In Preciosidades on 12 de janeiro de 2010 at 3:34 pm

Os erros gramaticais devem ser perseguidos e combatidos. Sou muito espartana nesse sentido. Não tem perdão. Se estou lendo algum texto e encontro um erro, perco a concentração.

Lise

Onde Está?

In Outras Revisões on 11 de janeiro de 2010 at 11:24 pm

De algum modo, o Revisor tem um quê de Wally.

Onde está?

Martin Handford (na voz de Wally)

Fico horas lendo esses livros sobre o passado, e é como se estivesse viajando numa máquina do tempo. Com um pouco de imaginação, consigo até participar da história.

Géléinha

In Dica do Mês on 10 de janeiro de 2010 at 11:00 am

A subtônica, outrora acentuada, há muito perdeu o acento. Até o Museu da Língua se confunde. Não se admite. Compreende-se.

Mas dois acentos na mesma palavra? Vale lembrar que til é sinal de nasalização.

Dia do Leitor

In Dia a Dia do Revisor on 7 de janeiro de 2010 at 10:13 am

Meticuloso, ouve ensimesmado a orientação do atendimento. Prazo? Ontem. Basta uma olhada. Ninguém vai ler. Quase concorda. Pensa consigo: quase ninguém. Eu, o revisor, sempre leio.

Feliz Dia do Leitor.

Prós para Poucos

In Eis o Revisor on 4 de janeiro de 2010 at 9:40 am

O acordo ortográfico aniversaria. Você já se adaptou a ele, mas ele é bom para você? O revisor e escritor Raul Drewnick responde à revista Com Ciência.

Como o acordo repercutiu em suas atividades e no meio editorial livreiro?

Ter certa idade (eufemismo para velhice) traz algumas vantagens. Uma delas, no meu caso, é essa de nenhuma reforma ortográfica ter mais o poder de me amedrontar. Passei por muitas (…) e, quando surge mais uma, eu a encaro com naturalidade. Nada mais daquele temor que tive quando enfrentei a primeira: Decifra-me ou te devoro. Esta recente deve ter, como sempre, sido bem recebida pelo meio editorial livreiro, especialmente pelas editoras que publicam livros didáticos. Novas edições, novas vendas. Pelos autores em geral, acredito, pelas manifestações que ouvi, que ela seja mais malquista do que bem-vinda. Eu, que, além de tentar diligentemente ser um escritor, sou revisor e sustentei, por muito tempo, minha família porque havia gente disposta a acreditar no meu talento para colocar vírgulas e crases, não tenho queixas. Meu trabalho aumentou.

As primeiras conceituações dessa nova ortografia datam de 1990. Estamos, oficialmente, na transição 2009-2012. Que haja essa transição de quatro anos é compreensível, mas até ela foram duas décadas. O que explicaria essa demora?

Irei para o inferno, certamente, mas acho que, nesta época de comunicação rapidíssima, com a possibilidade de e-mails, videoconferências e tudo mais, se esses modernos recursos não foram utilizados, alguma má-língua (o acordo respeitou este hífen, aleluia!) pode sugerir que as demoras nessa área se devem à necessidade de os donos da língua se reunirem várias vezes, e jantarem, e pernoitarem em bons hotéis e mostrarem como estão empenhados em defender nossa língua e em aprimorá-la.

Pela sua experiência, a nova ortografia, até sua completa assimilação, causa desconforto aos escritores?

Não acredito que os escritores venham a ter problemas, a não ser a vontade, que essas reformas geralmente provocam, de buscar os mais expressivos palavrões para saudá-las. Eu (…) fiquei particularmente tentado a mandar para todos os diabos quem tirou o hífen da expressão dia-a-dia (a palavra mais querida e mais essencial para quem faz crônicas). Dá vontade de xingar, quando se nota que avanços conquistados durante décadas foram varridos com uma vassourada só. (…) Antes do acordo, se eu escrevesse que fui à-toa, logo o leitor entenderia que fui um sujeito reles, desprezível. E se eu escrevesse que fui à toa, significava que andei meio sem rumo. Hoje, pela nova ortografia, tiraram o hífen, ficou só uma forma para o adjetivo e para o advérbio, para os dois significados: à toa. Quem vai lá saber se sou um sujeito reles ou se sou simplesmente uma pessoa que gosta de vagar por aí?

Houve, então, quebra de unidade semântica?

Houve um retrocesso nessa questão. Quando se formava uma nova unidade semântica, costumava-se utilizar o hífen, para assinalar a diferença. Pé de moleque, sem hífen, não era, salvo casos de aberração, coisa que se pudesse achar uma delícia. Já pé-de-moleque… Hoje o Volp registra só uma forma, para os dois casos. Precisarei recorrer a outro doce…

A Microsoft anunciou que já tem o corretor ortográfico adaptado à reforma. A função do revisor estaria ameaçada a longo prazo?

Cuidado com os corretores ortográficos de processadores de texto, pois muitas vezes apresentam soluções absurdas. O revisor já praticamente não tem lugar em jornais. Em revistas, a situação é um pouco melhor. Nas editoras (estou falando das melhores), haverá sempre lugar para o revisor, e seu trabalho não se limita a essas insignificâncias ligadas a um hífen que cai ou a um acento que é suprimido. O revisor checa nomes próprios; verifica fluência, coerência, coesão, repetição de palavras. O bom revisor hoje é quase um subeditor.

O novo Volp foi lançado em março. Cinco meses depois foi revisto e ampliado. A ortografia nota 10 é uma utopia para um léxico de quase 400 mil palavras?

Todas as reformas foram e continuarão sendo assim. Sai a edição tão esperada e, já no dia seguinte, começam a se ouvir discordâncias entre especialistas, que acabam resultando em novas edições. No caso de dicionários e vocabulários, acho que deveria haver, por parte de quem os edita, a disposição de dar ao leitor que vai comprar a segunda edição a possibilidade de, devolvendo a primeira, ter um desconto expressivo. Posso parecer terrorista, mas talvez fosse o caso até de os órgãos de defesa do consumidor entrarem nisso, se, pouquíssimos meses depois de publicada, uma edição for substancialmente alterada. Quanto à propalada riqueza do idioma, se você pegar qualquer dicionário, ficará espantado ao ver que quase todas as palavras registradas se referem a pássaros e árvores, cada qual com uma dezena de grafias (…). Baixar a bola, então, é preciso.

Conhece algum caso de alteração comandada pela reforma que interfere no conteúdo de um título de livro?

Um livro de poemas de Alice Ruiz, editado em 1984, tem o título Pelos pêlos (preposição e substantivo). Esse título hoje, a meu ver, ficaria enigmaticamente Pelos pelos; no entanto, a posição final, se gosta ou não, é do autor.*

* Consultada, Alice Ruiz informou que achou interessante, na reedição do livro, criar a ambiguidade.

Em Prol da Unificação

In Dia a Dia do Revisor on 3 de janeiro de 2010 at 12:52 am

2010 começa retomando o assunto mais polêmico de 2009. Só agora Portugal adere ao acordo ortográfico. A confusão promete delongar-se.

Um vocabulário extraoficial está à venda. Outros dois estão no prelo. O povo reclama. Intelectuais rejeitam. A imprensa divide-se.

Além-mar, o Volp brasileiro segue inabalável nas prateleiras da sua livraria predileta.

Unificação? Não me diga que você acreditou nessa história!

Estado de Graça

In Outras Revisões on 2 de janeiro de 2010 at 7:33 pm

É absurdo, mas só encontrei a Nova Ortografia quando o blogue acabou. O conteúdo é ótimo.

Estado de graça

Marcos de Castro

Não há mais tempo para discutir esse pífio acordo que aí está, assinado oficialmente pelas mais altas autoridades representativas de cada país. Mas não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe, diz a velha sabedoria popular. Como se chegou a assinar este acordo, é perfeitamente possível que se venha a assinar outro, o qual tornaria caduco o texto infeliz. O que seria benéfico para Brasil e Portugal, pois as coisas voltariam ao estado de graça em que se encontravam antes.

Cuidado com os Livros

In Dia a Dia do Revisor on 1 de janeiro de 2010 at 2:19 am

O recado é para as crianças, mas serve para os adultos. É sobre os didáticos, mas serve para os literários. É sobre os da escola, mas serve para os nossos, para os alheios.

Que em 2010 leiamos muito, mais que em 2009. Que cuidemos dos livros. Que cuidemos da qualidade do que lemos. Que incentivemos esse cuidado.