Pablo Vilela

Archive for the ‘Outras Revisões’ Category

Nossas Próprias Palavras

In Outras Revisões on 14 de junho de 2013 at 10:46 pm

Você acredita em suas próprias palavras?

Nossas próprias palavras

Paul Valéry

Cada um traz dentro de si todo um reservatório de frases, epítetos e locuções prontas que resultam de pura imitação. Elas nos livram do trabalho de pensar porque as tomamos como soluções válidas e apropriadas. Na maior parte das vezes, reagimos ao que nos acontece usando palavras que não são nossas. Não somos os seus reais autores. Nosso pensamento – ou o que acreditamos ser nosso pensamento – é nessas horas, meramente, uma simples réplica automática. É por isso que não devemos acreditar rápido demais em nossas próprias palavras. Quero dizer que uma palavra que vem à nossa cabeça geralmente não é nossa.

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Precisa-se de um Revisor

In Outras Revisões on 5 de junho de 2013 at 4:11 pm

Precisa-se de um revisor

Gabrielle Alves

Precisa-se de um revisor.
Que saiba pôr vírgulas, pontos e exclamações,
já que o sentimento que grita dentro de mim não sabe pausar.
Precisa-se de um revisor.
Que entenda tudo de verbos.
Do passado, presente e futuro.
Do perfeito, mais que perfeito e do imperfeito,
pois o sentimento a gente conjuga em qualquer tempo.
Precisa-se de um revisor.
Que ele seja atento às normas gramaticais.
Porque quando o sentimento manda,
a boca gagueja,
a língua graceja,
a garganta seca e
a escrita peca.
Precisa-se de um revisor.
Que também entenda de sentimentos,
pois onde há acertos demais,
normas demais,
acentos demais,
ali,
não há amor.

Luso-Afonias

In Outras Revisões on 29 de maio de 2013 at 7:14 pm

Onde você quer morar?

Luso-Afonias

Mia Couto

A escrita é uma casa que eu visito, mas onde não quero morar. O que me instiga são as outras línguas e linguagens, sabedorias que ganhamos apenas se de nós mesmos nos soubermos apagar. Da minha língua materna eu aspiro esse momento em que ela se desidioma, convertendo-se num corpo sem mando de estrutura ou de regra. O que quero é esse desmaio gramatical, em que o português perde todos os sentidos.

Dia do Profissional de Letras

In Outras Revisões on 21 de maio de 2013 at 11:56 pm

Não descobrimos quem é Beatriz Braga. Não encontramos fonte oficial que dê conta deste dia. Não sabemos sequer se o texto é prosa ou poesia. Combinamos uma versão e outra, conforme cremos correto.

Dia do Profissional de Letras

Beatriz Braga

Fazer Letras é camonear,

é machadear, é caetanear,

é cora coralizar,

mas é acima de tudo acreditar

que, pelas palavras,

podemos o mundo

transformar e humanizar.

Leia

In Outras Revisões on 16 de maio de 2013 at 11:20 pm

Simplesmente leia.

Armandinho

Alexandre Beck

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Dentro de uma Biblioteca

In Outras Revisões on 8 de maio de 2013 at 10:15 am

Fascinam-me descrições de bibliotecas. Reportam-me à infância, quando admirava a biblioteca de meu avô, maravilhado com as paredes cobertas de livros. Apenas sua mesa de trabalho ao centro, com a grande cadeira de couro, onde ele passava dia e noite, lendo e escrevendo.

Subsolo

Pedro Süssekind

A biblioteca ficava numa sala muito ampla, de pé-direito alto, pouco menor que a sala de estar e separada desta por uma porta dupla de correr. Toda a parede voltada para a Baía de Guanabara era ocupada por um janelão, nas duas salas. Localizadas no fundo da biblioteca, de frente para essa parede de vidro, as prateleiras de livros ocupavam quase toda a extensão do cômodo, que observei enquanto minha anfitriã providenciava um café. Uma mesa de trabalho muito espaçosa, de madeira escura, ficava de lado para a janela, afastada um metro e meio de uma prateleira menor que se prolongava pela parede lateral da sala. Sobre a mesa havia um globo, um laptop e um atril no qual se apoiavam folhas manuscritas.

Importância do Trabalho

In Outras Revisões on 1 de maio de 2013 at 2:05 pm

book_messO grande segredo para se fazer importante é transformar o trabalho, qualquer trabalho, em algo prazeroso.

Autobiografia

Anthony Trollope

Apenas aqueles que o experimentaram são capazes de imaginar a importância do trabalho que significa deslocar e arrumar alguns milhares de volumes. Por ora, possuo mais ou menos 5 mil deles, que me são mais caros que os cavalos que vendo ou do que os vinhos de minha adega, que tendem a partir e dos quais também me orgulho.

Que Palavra Você Usa?

In Outras Revisões on 25 de abril de 2013 at 8:19 am

Agora, uso a dos outros. Que palavra você usa?

A palavra

Viviane Mosé

é uma roupa que a gente veste
uns gostam de palavras curtas
outros usam roupa em excesso
existem os que jogam palavra fora
pior são os que usam em desalinho
cores brigando, substantivos em luta
alguns usam palavras raras
poucos ostentam palavras caras
tem quem nunca troca
tem quem usa a dos outros
a maioria não sabe o que veste
alguns sabem e fingem que não
uns nunca usam a roupa certa pra ocasião
tem os que se ajeitam bem com poucas peças
outros se enrolam em um vocabulário de muitas
eu adoro usar palavra limpa
tem gente que estraga tudo que usa
com quais palavras você se despe?

Gramática

In Outras Revisões on 17 de abril de 2013 at 10:54 am

Significados muito curiosos.

Gramática

Sérgio Rodrigues

cachaçaO mais intrigante significado da palavra gramática no português brasileiro, sabe-se lá por obra de que alambique semântico, é cachaça, aguardente de cana. Verdade, está no Houaiss.

E um dos significados da palavra cachaça, como se sabe, é mania, vício, interesse que se cultiva com paixão.

Donde podemos concluir, bêbados de metáfora, que se a gramática é a cachaça do gramático amador, é também a cachaça do cachaceiro mesmo.

Saúde!

Gosto dos Livros Gastos

In Outras Revisões on 10 de abril de 2013 at 10:15 am

Aonde seu livro o acompanha? Como você o trata? Os meus vivem na cômoda, ao lado da cama. Costumavam almoçar comigo. Hoje, viajamos juntos.

Estética

Antonia Pellegrino

Gosto dos livros gastos, vividos.

(…)

O livro morava dentro da minha bolsa, dormia na mesa de cabeceira, me acompanhava ao banheiro, à praia, aos bares. Sempre colado. Queria as frases em mim, impressas na pele, gravadas de cor e salteado na memória do meu corpo. Se um dia esse meu velho e bom exemplar for parar num sebo, ele será o registro vivo de uma relação, a história de um texto ao lado de uma leitura sobre ele, e de um terceiro texto nascido desse encontro, como duas teses produzem uma síntese.

A Aventura do Livro

In Outras Revisões on 3 de abril de 2013 at 3:27 pm

Sou do tipo de leitor que não se contenta com as macambúzias salas de leitura.

A aventura do livro

Roger Chartier

1-madame-de-pompadour-francois-boucherÉ no século XVIII que as imagens representam o leitor na natureza, o leitor que lê andando, que lê na cama, enquanto, ao menos na iconografia conhecida, os leitores anteriores ao século XVIII liam no interior de um gabinete, de um espaço retirado e privado, sentados e imóveis. O leitor e a leitora do século XVIII permitem-se comportamentos mais variados e mais livres – ao menos quando são colocados em cena no quadro ou na gravura.

A Mãe do Revisor

In Outras Revisões on 27 de março de 2013 at 2:13 pm

No momento da mais absoluta indignação, o revisor perdeu o controle.

A mãe do revisor

Aristides Coelho Neto

Outro caso foi do autor que acrescentou um prefácio com 32 erros, a maioria na abreviatura de página, sem contar um capítulo inteiro novíssimo, excelente, elucidador, complementar, bem-vindo, direito do autor, mas sem revisão. Sabem o que o revisor fez? Entrou no almoxarifado, abriu 50 caixas de livros, riscou seu nome do expediente com caneta preta. Claro que não sem antes dizer ao autor: o livro é seu, você pode fazer o que quiser com ele, mas não com meu nome no expediente.

(…)

Se o revisor quer ser realmente um bom profissional, não deve confiar nem em sua própria mãe. Tenho dito.

Literatura não Serve para Nada

In Outras Revisões on 20 de março de 2013 at 10:22 am

Durante anos, sofri, tentando encontrar sua real utilidade.

Literatura não serve para nada

Marcela Ortolan

Vou contar-lhes um segredo. Às vezes, em meio a um livro, paro revoltada e penso: literatura não serve para nada, absoluta e rigorosamente nada. Para que tantos livros, afinal?

Então me dou conta de que esse é um dos motivos pelos quais eu tanto gosto de ler. Em meio a um mundo onde tudo tem que ser útil e explicável lá está a literatura, singela produção humana, não servindo para nada.

Tão bom dispor de um tempo para o inútil.

A literatura está aí para provar que fazer nada, às vezes, é o que há de mais produtivo. Estou lá pelo prazer de ler… e esse prazer egoísta me ensina tanto sobre o mundo e sobre o outro, sobre a linguagem e suas possibilidades e… e… e todas essas coisas que os professores de literatura falam para a gente quando querem nos convencer a estudar.

Leio pelo prazer, por mais inútil que isso seja.

O resto que aprendi com a literatura é a minha imensa dívida com ela. Felizmente a literatura é generosa.

Liberdade

In Outras Revisões on 13 de março de 2013 at 9:16 am

Estava confinado.

Liberdade

Clara Gomes

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Retomada

In Outras Revisões on 6 de março de 2013 at 9:07 am

Como se o tempo houvesse parado.

Esses livros dentro da gente

Stela Maris de Rezende

Esse tempo noves fora tempo que nos ensina a ler a condição humana e divina de nossas mãos.

Um dia, retome o texto que fez de conta que esqueceu.

Brinquedo Novo

In Outras Revisões on 13 de junho de 2010 at 2:28 am

Vale também para o adulto. Brinque com a palavra.

Brinquedo novo

José Paulo Paes

Palavras são um brinquedo que não fica velho. Quanto mais as crianças usam palavras, mais elas se renovam.

Dobro os Joelhos

In Outras Revisões on 15 de maio de 2010 at 1:13 pm

Dobro os joelhos

Marcelo Cid

Constatei há poucos dias: apenas pelos livros é que dobro os joelhos, quando os procuro nas estantes de livrarias e bibliotecas.

Hesitação do Tipógrafo

In Outras Revisões on 4 de maio de 2010 at 4:03 pm

Perguntava-se o tipógrafo enquanto desenhava seu mais novo tipo.

Hesitação do tipógrafo

William Addison Dwiggings

Será que elas se comportarão decentemente quando formarem palavras?

Marido Revisor

In Outras Revisões on 29 de abril de 2010 at 3:39 pm

Na visão de uma escritora e tradutora.

Marido revisor

Índigo

Depois de tantos anos escrevendo, ouço:

– Você assumiu o hífen de vez, né?

– Como?

– O hífen que você usa nos seus diálogos, no lugar do travessão. Depois eles mudam tudo. Você sabe, né?

– Eles quem?

– Os revisores, nas editoras. Todos esses hifens aí acabam virando travessão, você queira ou não.

– Mas eu nem tenho travessão no meu teclado.

– Ninguém tem.

– Ué! Então como as pessoas fazem?

– Não sei se você já reparou, mas quando estou trabalhando, de vez em quando você não escuta um trááá-tá-TÁ?

– Nunca reparei.

– Repare. Esse trááá-tá-TÁ sou eu mudando hifens para travessão.

– Ah…

– É um recurso especial.

– Ah…

– trááá-tá-TÁ

– Tá bom. Já entendi.

Tevê x Livro

In Outras Revisões on 26 de abril de 2010 at 8:01 am

O artigo tratava dos livros de meu idolatrado avô. O jornal, egoísta, não nos deixa ler online.

Tevê x livro

Eduardo Almeida Reis

Deu-se que fiquei cinco dias sem tevê por motivos que não vêm à balha. Antigamente, o philosopho escreveria “que não vem a pelo”, mas a imbecilidade humana tirou o chapeuzinho de pelo deixando a locução “vir a pêlo” meio desengonçada. E balha é muito mais chique que baila.

Livros, Livros, Livros

In Outras Revisões on 17 de abril de 2010 at 10:16 pm

Livros, livros, livros

Ivana Arruda Leite

Livros, livros, livros. Quando tudo me falta, os livros estão presentes.

Livro é pão quente saído do forno matando a cada dia a fome que não passa.

Um dia me deitei à sombra de uma jaqueira no Sítio do Picapau Amarelo e nunca mais saí de lá. É de onde eu escrevo.

Minha história está toda contada nos livros. Eles são meu esconderijo e minha trincheira. Neles aprendi o que sei da vida.

Por uma Nova Literatura

In Outras Revisões on 8 de abril de 2010 at 8:39 pm

Perfeito seria caso apenas se publicassem boas obras, mas quem decidiria quais são elas?

Por uma nova literatura

Carlos Henrique Montalverne

Bem que deveria haver prêmios literários incentivando escritores a que não escrevessem; assim se evitaria a poluição gráfica.

Sabedoria do Erro

In Outras Revisões on 28 de março de 2010 at 10:30 pm

Feliz Dia do Revisor a você que usa seus dotes a favor dos sábios que têm consciência de que erram.

Sabedoria do erro

Jonathan Swift

Um homem nunca deveria ter vergonha de confessar que errou, pois na verdade é como dizer, por outras palavras, que hoje ele é mais sábio do que foi ontem.

Ao Pé da Pena

In Outras Revisões on 24 de março de 2010 at 9:53 am

Presenteou-nos a Luciana com a poesia.

Ao pé da pena

Paulo Leminski

todo sujo de tinta
o escriba volta pra casa
cabeça cheia de frases alheias
frases feitas
letras feias
linhas lindas
a pele queima
as palavras esquecidas
formas formigas
todas as palavras da tribo

por elas
trocou a vida
dias luzes madrugadas
hoje
quando volta pra casa
página em branco e em brasa
asa lá se vai
dá de cara com nada
com tudo dentro

sai

Soneto à Língua Portuguesa

In Outras Revisões on 14 de março de 2010 at 11:54 pm

Pelo Dia da Poesia, boa data para celebrar nossa língua.

Soneto à língua portuguesa

Waldin de Lima

Havia luz pela amplidão suspensa
no azul do céu, vergéis e coqueirais…
e o Lácio, com fulgores divinais,
abrigava de uma virgem a presença…

Era um castelo de ouro, amor e crença,
que igual não houve, nem haverá jamais…
Onde os poetas encontraram ideais
na poesia nova, n’alegria imensa…

A virgem era a Língua Portuguesa,
a mais formosa e divinal princesa,
vivendo nos vergéis de suave aroma!

Donzela meiga que, deixando o Lácio,
abandona os umbrais do seu palácio,
para ser de um povo o glorioso idioma!…